sensível

Category: Termos chaves da Filosofia
Submitter: Murilo Cardoso de Castro

sensível

gr. aistheton: posição contrastada na epistemologia platônica e aristotélica, aistheton, gnorimon 4; objeto de opinião e não verdadeiro conhecimento, doxa 1-2; substâncias sensíveis, ousia 3 [FEPeters]



(gr. aisthetos; lat. sensibilis; in. Sensible; fr. Sensible; al. Sensibel; it. Sensibilé).

1. Aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. Nesta acepção, "o sensível" é objeto do conhecimento sensível, assim como o "inteligível" é objeto do conhecimento intelectivo (Aristóteles, Dean., II, 6, 418 a 7; Kant, Crítica da Razão Pura, Anal. dos princ, cap. III, Nota). Aristóteles distinguiu os sensíveis próprios e os sensíveis comuns (v. senso comum), e o sensível acidental do sensível por si, na medida em que o primeiro é percebido acidentalmente, como acontece quando se percebe o branco ao se perceber que uma pessoa é branca (De An., II, 6, 418 a 16).

2. Aquilo que tem a capacidade de sentir. Nesta acepção, os animais são chamados de "seres sensível", ou diz-se que "x é particularmente sensível a algo". Em inglês, é chamado de sensível (sensible) quem possui bom senso ou, em geral, é capaz de julgar corretamente.

3. Quem tem capacidade de compartilhar as emoções alheias ou de simpatizar (v. simpatia). [Abbagnano]


Tem-se oposto, tradicionalmente, o sensível ao inteligível. Esta contraposição tem sido descrita de maneiras muito diferentes: o mundo das coisas e o das ideias, objeto respectivamente da opinião e do saber (Platão); o objeto da percepção ou o objeto dos sentidos e o objeto da apreensão inteligível ou objeto da inteligência (Aristóteles); o mundo físico e o mundo metafísico; o conhecimento sensível e o conhecimento intelectual; etc: Estas diversas espécies de contraposição entre o sensível e o inteligível podem agrupar-se em duas principais: a concepção metafísica, segundo a qual o sensível e o inteligível são dois mundos ou dois modos de ser, e a concepção gnoseológica, segundo a qual se trata de duas formas de conhecimento.. Em muito autores a contraposição de referência é tanto metafísica como gnoseológica, mas tem-se manifestado com frequência a tendência para sublinhar o aspecto metafísico e para subordinar a ele o aspecto gnoseológico. Alguns filósofos (como Kant), no entanto, indicaram que não há que falar de dois mundos, mas apenas de duas formas de conhecimento. Aristóteles compreende o sensível, diferentemente do intelectual, ou inteligível, como um modo de compreender, embora este modo de compreender tenha os seus objetos, que são os chamados sensíveis.

A doutrina aristotélica dos sensíveis é importante não só pela influência que tem exercido sobre muito filósofos, mas também pelas diferenças introduzidas nos sensíveis e na correspondente terminologia. Segundo Aristóteles, os sensíveis (ou “objetos dos sentidos ou do sentir”) podem dividir-se em três espécies: duas diretamente perceptíveis e uma perceptível incidentalmente... Os sensíveis diretamente perceptíveis podem ser perceptíveis por um só sentido ou perceptíveis por todo e qualquer sentido. Os sensíveis perceptíveis por um só sentido são sensíveis como os que podem chamar-se “sensíveis visuais” (perceptíveis pela vista). Os sensíveis perceptíveis por todos e quaisquer sentidos são sensíveis como os que são chamados “sensíveis comuns” (como

o tamanho, que pode apreender-se simultaneamente pela vista e pelo tato). Os sensíveis indiretamente perceptíveis ou sensíveis incidentais são “sensíveis” como uma substância individual (assim, diz Aristóteles, o objeto branco que vemos é filho de Diares; o ser filho de Diares é incidental - ou incidental - à cor branca diretamente perceptível). Apenas os objetos do sentir que são diretos e não incidentais, afirma Aristóteles, podem considerar- se como os sensíveis em sentido restrito.

A terminologia usada por Aristóteles foi adotada e traduzida por S. Tomás e outros escolásticos.

Fala-se também de sensível para se referir às qualidades sensíveis: estas têm sido com frequência concebidas como qualidades secundárias, também chamadas qualidades secundárias da sensação. Referimo-nos a elas no artigo sobre a qualidade. [Ferrater]

Submitted on:  Tue, 17-May-2011, 20:23