consciência

Category: Heidegger em português
Submitter: Murilo Cardoso de Castro

consciência

Bewusstsein ou Bewußtsein
Gewissen

O alemão Gewissen não está diretamente relacionado a gewiss, "certo". É uma tradução de conscientia, usando wissen," saber", e ge-, "junto, com" (v. conscientia). Heidegger insiste, no entanto, em que consciência não é a certeza de que alguém não fez algo e, portanto, não é culpado (uma "consciência fácil"); ele dissocia Gewissen de gewiss (SZ, 291s). A "interpretação existencial [da consciência] precisa ser validada por uma crítica do modo pelo qual a consciência é interpretada ordinariamente" (SZ, 69). A "interpretação ordinária" difere da de Heidegger em quatro pontos: 1. A consciência possui uma função crítica. 2. Ela sempre nos fala de um feito definido que foi realizado ou desejado. 3. A "voz" da consciência não tem uma relação tão radical com o ser de dasein quanto Heidegger supõe. 4. A forma básica da consciência, rejeitada por Heidegger, é a " má" e a " boa" consciência, a que censura e a que adverte (SZ, 290). Heidegger retira "consciência" e "débito" do seu contexto ético em função de um sentido mais fundamental e existencial: "O ser e estar em débito em sentido originário não pode ser definido pela moralidade, porque ela já o pressupõe." (SZ, 286). [DH]



A consciência, pelo contrário, nem é a primeira a criar a abertura do ente [Offenheit von Seiendem], nem a primeira que dá ao homem o estar aberto [Offenstehen] para o ente [Seiende]. Pois, qual seria a meta, o lugar de origem e a dimensão livre para o movimento de toda a intencionalidade [Intentionalität] da consciência [Bewusstseins se o homem já não tivesse sua essência na in-sistência [Inständigkeit]? Meditada com seriedade, que outra coisa pode designar a palavra "-ser" ("-sein") na palavra consciência (Bewusstsein = ser consciente) e autoconsciência (Selbstbewusstsein = ser-autoconsciente) a não ser a essência existencial daquele que é quando existe? Ser um si-mesmo [Selbstsein] caracteriza, sem dúvida, a essência daquele ente que existe; mas a existência não consiste nem no ser-si-mesmo, nem a partir dele se determina. Pelo fato, porém, de o pensamento metafísico determinar o ser-si-mesmo do homem a partir da substância ou, o que no fundo é o mesmo, a partir do sujeito, o primeiro caminho que leva da metafísica para a essência ekstático-existencial [ekstatisch-existenzialen] do homem, deve passar através da determinação metafísica do ser-si-mesmo do homem (Ser e Tempo, §§ 63 e 64). [MHeidegger O RETORNO AO FUNDAMENTO DA METAFÍSICA]

Submitted on:  Mon, 12-Mar-2012, 15:58