dailética transcendental

Category: Termos chaves da Filosofia
Submitter: Murilo Cardoso de Castro

dailética transcendental

VIDE estética transcendental e analítica transcendental

Agora se apresenta outro problema. É que existe uma disciplina que conhecemos desde Parmênides, Platão, Aristóteles, o próprio Descartes, Leibniz, os ingleses. Existe uma disciplina que anseia por conhecer aquilo que as coisas são "em si mesmas". E a metafísica, que pretende conhecer em si mesmas as coisas, não na relação de conhecimento, como sujeito cognoscente do objeto a conhecer, mas fora de toda relação, absolutamente em si. A metafísica pretende conhecer dessa maneira a alma humana, o universo; pretende conhecer a Deus. Mas então, visto que para Kant não há mais objetos do que os objetos a conhecer para um sujeito, nem mais sujeito do que o sujeito cognoscente para um objeto, cabe perguntar (e é o que Kant pergunta): é possível esta metafísica que pretende conhecer não na correlação, mas isoladamente e em si? E a ultima parte da Crítica da Razão Pura, intitulada "Dialética transcendental", está destinada a averiguar se a metafísica é possível.

A solução que vai dar Kant ao problema da possibilidade da metafísica podemos vislumbrá-la de antemão antes de ler a dialética transcendental; podemos vislumbrar que a solução vai ser negativa; que Kant vai nos dizer que a metafísica é impossível; que o empenho da metafísica é um empenho ilegítimo, porque se na estética e na analítica transcendental enumeramos as condições de todo conhecimento possível, ao mesmo tempo toda a objetividade possível, e nos encontramos agora, precisamente, com uma disciplina que quer iludir essas condições indispensáveis de todo conhecimento possível então essa disciplina esquiva, fugindo da submissão às condições imprescindíveis de todo conhecimento, seria uma disciplina ilegítima, que creria chegar àquilo que pretende, mas que seria uma simples ilusão. Afigura-se chegar a essas coisas em si mesmas. Porém às coisas em si mesmas não pode haver conhecimento que chegue, dado que o conhecimento se define como conhecimento, não de coisas em si mesmas, mas de objetos a conhecer, ou sejam, fenômenos.

Por conseguinte, podemos de antemão supor qual vai ser a resposta à pergunta. Nós vimos já que todo conhecimento é e se verifica como confluência de dois grupos de elementos: um grupo de elementos que chamaremos formais e outro grupo de elementos que chamaremos materiais ou de conteúdo.

O grupo de elementos formais vem determinado pelas condições a priori do espaço, do tempo e as categorias; mas o espaço, o tempo e as categorias são meras formas, meras condições ontológicas que se aplicam, se imprimem sobre o material proporcionado pela percepção sensível.

O outro grupo de elementos, que conflui com os elementos formais para formar o conhecimento, é a percepção sensível que, ajustando-se e sujeitando-se às formas de espaço, tempo e categorias, constitui o que chamamos a objetividade, a realidade do objeto a conhecer, na base de dar-nos a matéria do conhecimento. Pois bem: a metafísica pretende que existe na razão humana a possibilidade de um ato de apreensão cognoscitiva que recaia não sobre fenômenos, não sobre objetos a conhecer, submetidos ao espaço, ao tempo e às categorias, mas sobre coisas em si mesmas. Esta é uma falta essencial contra a definição e descrição mesma do conhecimento. Por conseguinte, trata-se agora — para Kant — de descobrir minuciosa mente, ponto por ponto, onde está a falta que comete a metafísica, onde está e em que consiste esta ilusão que a metafísica se faz de chegar às coisas em si mesmas por meio de ideias racionais. [Morente]

VIDE impossibilidade da metafísica; psicologia racional; antinomias da razão pura; provas da existência de Deus

Submitted on:  Thu, 29-Mar-2012, 18:37