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história da filosofia

Definition:
A filosofia, como toda ciência, tem também sua história, na dupla acepção do termo: enquanto sequência cronológica de acontecimentos e enquanto exposição científica dos mesmos. O objeto principal da história da filosofia (como ciência) não são acontecimentos externos, mas os atos da razão pensante, os pensamentos filosóficos, e precisamente o conteúdo dos mesmos em seu decorrer cronológico. (Não pertencem à filosofia, nem por conseguinte à sua história, os mistérios da revelação cristã e os mitos). Mas os atos da razão pensante exteriorizam-se numa multidão de sujeitos finitos; são, concretamente falando, pensamentos humanos com todos os condicionalismos e contingências do decurso histórico peculiares ao homem. A questão consiste em saber se e até que ponto estes pertencem também ao objeto de uma história da filosofia. A exposição histórico-cultural da história da filosofia ocupar--se-á em considerar, com o máximo de atenção possível, as ideias filosóficas em sua relação com os demais domínios culturais. Todavia as ideias filosóficas, enquanto manifestações de uma pessoa humana apresentam também um centro sintético de unidade, mercê do qual se destacam do fluxo dos restantes acontecimentos e do qual recebem um matiz inteiramente pessoal e exclusivo. Isto oferece a base para uma exposição científica, de caráter histórico-espiritual, da história da filosofia. Aparentado com ela é o método histórico-nacional e histórico-racial que pesquisa os traços comuns do povo e da raça. Não obstante, o método que consiste em historiar problemas e ideias será sempre a meta e a coroa de uma história da filosofia. Este modo de tratá-la pressupõe a recolha fiel dos acontecimentos filosóficos, à margem de preconceitos, o que não quer dizer que se tome tudo em consideração indiscriminadamente. Sendo assim, a mera transmissão de uma filosofia de escola e a só aplicação de princípios recebidos a domínios mais vastos revestem-se de importância diminuta. O objeto próprio, constituem-no, de preferência, os princípios e seu progressivo desenvolvimento, as ideias dos filósofos, não enquanto devem sua origem a estas ou àquelas "influências" acidentais, mas enquanto foram pensadas por virtude da razão em geral, portanto em conformidade com o dinamismo imanente às ideias enquanto tais. A norma para discernir o que pertence à história da filosofia, tomada neste sentido, não é a relação abstrata da verdade ou falsidade formal, mas a contribuição que uma filosofia traz a qualquer problema relativo à compreensão do ser ou à autocompreensão da razão, tendo superado o estado já alcançado pelo mesmo problema. Tal maneira de tratar a história da filosofia eleva-se acima do "escândalo" produzido pelo espetáculo dos filósofos que entre si se contradizem e evita a tentação de ceticismo, que uma consideração meramente histórico-cultural facilmente insinua.

A filosofia e sua história estão entre si numa relação recíproca. A. filosofia, como criação do espírito humano, só "devêm" em forma de história. Pelo que, se quer ser criadora, conhecer-se e conhecer seus fins, não pode "abstrair" de sua história. Por outro lado, também não é possível uma história da filosofia (ao menos, segundo o método que consiste em historiar ideias) sem uma profunda e compreensiva filosofia sistemática. — Brugger.


A pergunta: Que é filosofia?, implica uma resposta que se divide em duas, pois deve responder não apenas "o que é", mas também "o que foi", e nesta segunda parte terá que refazer, como diz Ortega y Gasset, "para trás o longo itinerário da evolução intelectual até o século VI a. C. Ali se acha a jornada excepcional em que, de pronto, alguma coisa que antes não existia no universo veio a ser: filosofia". Para esse pensador, a maneira de tratar uma filosofia não falando dela mesma, senão de sua articulação com o homem que a produziu, consiste a verdadeira substância de uma história da filosofia.

Contudo, a história da filosofia é diferente da história de quaisquer outras ciências. De fato, possuem estas um firme território de estudo, ainda que, no transcurso de sua história, sofra esta ou aquela alteração, seja por pertinentes alterações, seja por confluência com outros territórios, seja por delimitação de fronteiras. Não existe dificuldade alguma em seguir a evolução de seus conhecimentos dentro de sua província de estudo de tal modo determinável, e de fazer compreensíveis aquelas variações como consequências naturais de seu progresso. Bem diverso é o caso da filosofia. Esta carece de um objeto de investigação comum a todos os tempos; daí sua história não exibir um progresso constante, um conhecimento cada vez mais aproximado. Ao contrário, sempre se fez notar que enquanto nas outras ciências, tão logo adquiram segurança metódica, depois de suas origens rapsódicas, a regra é a elaboração parcimoniosa de suas verdades (somente interrompida, de tempo em tempo, por abalos favoráveis), na filosofia, excepcionalmente, se leva a cabo uma pós-formação do adquirido; de modo que os grandes sistemas da filosofia começam a resolver ab ovo a tarefa novamente formulada como se as doutrinas passadas não tivessem senão bem pouca importância.

Daí a relação da filosofia com sua história não coincidir como a da ciência com a sua, pois neste último caso são duas coisas distintas: a ciência, por um lado, e, por outro, o que foi a ciência, isto é, sua história. São independentes, e a ciência pode ser conhecida e cultivada independentemente da história do que foi, porquanto pode ser construída a partir de um objeto e do saber que em dado momento se possui acerca dele. Na filosofia o problema é ela mesma; além disso, este problema é formulado em cada caso consoante a situação histórica e pessoal em que se encontra o filósofo, e esta situação está, por sua vez, determinada em boa medida pela tradição filosófica em que se encontra situada: todo o passado filosófico já vai incluído em cada ação de filosofar; finalmente, o filósofo deve levar em conta a totalidade do problema filosófico e, portanto, a própria filosofia a partir de sua raiz originária: não pode partir de um estado existente de fato e aceitá-lo, pois tem que começar desde o princípio e, ao mesmo tempo, desde a situação histórica em que se encontra. Isto é, a filosofia tem que ser formulada e realizada integramente em cada filósofo, mas não de qualquer modo, senão em cada um de modo insubstituível: como lhe vem imposto por toda a filosofia anterior. Assim, em todo filosofar vai inserida a história inteira da filosofia, e sem esta nem é inteligível, nem, sobretudo, poderia existir. E, ao mesmo tempo, a filosofia não tem mais realidade que a que atinge, historicamente, em cada filósofo.

Como afirma Julián Marías, existe, pois, uma inseparável conexão entre filosofia e história da filosofia: "a filosofia é histórica, e sua história lhe pertence essencialmente. E, por outro lado, a história da filosofia não é uma mera informação erudita acerca das opiniões dos filósofos, mas a exposição verdadeira do conteúdo real da filosofia. É, pois, com todo rigor, filosofia. A filosofia não se esgota em nenhum de seus sistemas já que consiste na história efetiva de todos eles. E, por sua vez, nenhum pode existir sozinho, pois necessita e envolve todos os anteriores; e ainda mais: cada sistema somente atinge a plenitude de sua realidade, de sua verdade, fora de si mesmo, nos que irão sucedê-lo. Todo filosofar parte da totalidade do passado e se projeta para o futuro, pondo em marcha a história da filosofia. É isto, dito em outras palavras, o que se quer dizer quando se afirma que a filosofia é histórica".

A história da filosofia, portanto, se apresenta como ciência histórica e como filosofia, reunindo dois grupos de problemas e de tarefas. Como ciência histórica, visa conhecer o acervo de ideias dos filósofos do passado, remoto ou imediato. Mas não se limita a apresentar, simplesmente, o que foi, já que procura nos aproximar desse passado de ideias, esclarecendo-nos seu sentido. Isto é obtido seguindo, no possível, o nascer daquelas ideias; situando-as nos principais movimentos da especulação, nos grandes conjuntos sistemáticos e nas correntes do espírito, enquadradas concretamente no marco das idades históricas e dos diferentes povos; e descobrindo finalmente os pressupostos básicos e as últimas posições e atitudes que constituíram o solo fecundo de onde brotaram os conceitos, problemas e sistemas da filosofia.

Mas a história da filosofia é também pura e autêntica filosofia. Não é, como poderia dizer um não iniciado dado à ironia, uma historia errorum. Contra a irônica concepção de que a história da filosofia não passa de um "informe amontoado de opiniões contraditórias" reagiu Hegel, pois quem a estude com alguma profundidade vê nela uma honrada e às vezes heroica luta pela verdade. Não apenas uma luta honrada como também um esforço continuado que apresenta ao longo de sua dimensão temporal certa coesão interna. Como diz Rickert, "somente pela história nos livramos da história". Assim, através da história da filosofia chegamos a uma crítica da razão humana, historicamente embasada, resultando daí uma auto-afirmação do espírito. Isto é, os instrumentos do espírito humano, suas formas de intuição, seus conceitos, tendências ideológicas, problemas, hipóteses, teorias, revelam sua natureza e seu poder justamente no decurso do tempo.

Em suma, a história da filosofia deve esforçar-se por captar, sem preconceitos, os fatos da experiência interna e histórica do filosofo, partindo da total conexão estrutural contida em cada homem e que destaca sua realidade nas épocas históricas. Isto porque, como assinala Dilthey, em oposição a Hegel, "não se explica o desenvolvimento da filosofia em virtude das relações que mantêm entre si os conceitos no pensamento abstrato, mas em virtude das mudanças que se realizam no homem inteiro consoante sua vida e realidade plenas. Por isso se procura averiguar a conexão causai que os sistemas filosóficos mantiveram com a totalidade da cultura e com a qual influíram sobre esta. Toda atitude nova da consciência diante da realidade, que se traduz em pensamento filosófico, se faz valer, ao mesmo tempo, no conhecimento científico desta realidade, nas apreciações axiológicas dessa realidade pelo sentimento e nas ações da vontade, tanto na conduta da vida como na direção da sociedade. A história da filosofia nos faz patentes as atitudes da consciência ante a realidade, as relações reais entre estas atitudes e o desenvolvimento que assim surge. Deste modo nos oferece a possibilidade de conhecer o lugar histórico de cada uma das manifestações da literatura, da teologia e das ciências". [LWVita]


Em certas ocasiões, a história da filosofia poderia ter-se revelado como empecilho ao pensamento vivo, uma carga e um obstáculo para quem se lançasse à busca da verdade. "Não creias no passado! — referia-se Emerson à natureza. Eu te entrego um mundo novo, pela primeira vez. Nos momentos de lazer, sonhas que existe atrás de ti história, literatura e ciência bastantes para esgotar o pensamento e prescrever-te o futuro, e, também, todo o futuro. Nos momentos de lucidez, verás que nada ainda foi escrito." [Autobiographie, I, 273, tradução francesa de R. Michaud.] Palavras de pioneiro conquistador, que manifesta surdo rancor pelo passado em face da liberdade do futuro. É também, em outro sentido, a liberdade de espírito que Descartes proclamava contra as forças do passado, ao reconstruir, desde os. alicerces, o edifício da filosofia.

Há, em verdade, múltiplas razões para temer o passado, quando se pretende permanecer no presente e nele eternizar-se, como se apenas a permanência criasse algum direito. Mas a história é, precisamente, a disciplina que encara o passado como tal, e que, quanto mais o penetra, mais percebe, em cada um desses momentos, uma originalidade sem precedentes e que jamais retornará. Longe de ser um entrave, a história é, pois, em filosofia, como em tudo, verdadeira libertação. Ela só, pela variedade de vistas que proporciona ao espirito humano, pode desarraigar preconceitos e deter os juízos prematuros.

Contudo, é possível uma visão de conjunto do passado filosófico? Não correrá o risco de, em virtude de sua enorme complicação de fatos, ser muito difícil, se não seleciona e prefere somente abandonar-se ao ritmo de pensamentos indefinidamente múltiplos, ou ainda superficial, se escolhe? É certo que não se pode representar o passado sem, de qualquer maneira, classificar os fatos; esta classificação implica certos postulados. A própria ideia de levar a cabo uma história da filosofia supõe, com efeito, que foram admitidos e resolvidos, pelo menos provisoriamente, os três problemas seguintes:

I Quais as origens e quais as fronteiras da filosofia? A filosofia nasceu no século VI a.C, nas cidades jônicas, como admite a tradição que remonta a Aristóteles, ou teve origem mais antiga, nos países gregos ou orientais? O historiador da filosofia pode e deve limitar-se a seguir o desenvolvimento da filosofia na Grécia e nos países de civilização greco--romana, ou deve estender suas vistas às civilizações do Oriente?

II. Em segundo lugar, até que ponto e em que medida o pensamento filosófico teve desenvolvimento suficientemente autônomo para tornar-se objeto de uma história distinta da de outras disciplinas intelectuais? Não está ele demasiadamente ligado às ciências, â arte, à religião, à vida política, para que se possa fazer das doutrinas filosóficas objeto de uma pesquisa separada?

III. Finalmente, pode-se falar de uma evolução regular ou de um progresso da filosofia? Ou, então, o pensamento humano possui, desde o começo, todas as soluções possíveis dos problemas que apresenta, e não faz senão repetir-se indefinidamente? Ou, ainda, os sistemas se substituem uns aos outros de maneira arbitrária e contingente?

Desses três problemas pensamos que não existe qualquer solução rigorosa, e todas as soluções, que se pretendem aplicar, contêm postulados implícitos. É, portanto, indispensável tomar posição acerca dessas questões, se se deseja abordar a história da filosofia. O único partido possível é separar, explicitamente, os postulados contidos na solução que admitirmos. [Bréhier]

Submitted on 22.12.2009 12:22
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