Login
Username:

Password:

Remember me



Lost Password?

Register now!
Main Menu
Search
Who is Online
6 user(s) are online (6 user(s) are browsing Léxico Filosofia)

Members: 0
Guests: 6

more...
Home Léxico Filosofia I instinto Léxico Filosofia
Browse by letter
All | A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | Other

instinto

Definition:
(gr. horme; lat. instinctus; in. Instinct; al. Instinkt; it. Istintó).

Um guia natural da conduta animal e humana não é adquirido, não é escolhido e é pouco modificável. O instinto distingue-se da tendência pelo caráter biológico, porquanto se destina à conservação do indivíduo e da espécie e vincula-se a uma estrutura orgânica determinada; distingue-se do impulso por seu caráter estável. Existem duas concepções fundamentais de instinto: 1) a metafísica, segundo a qual o instinto é a força que assegura a concordância entre a conduta animal e a ordem do mundo; 2) a científica, segundo a qual o instinto é um tipo de disposição biológica.

1) A teoria metafísica dos instinto foi fundada pelos estoicos. Para eles, a ordem providencial do mundo, que todos os seres estão destinados a manter, dirige a conduta animal por meio do instinto. Crisipo diz: "O instinto primário do animal, por ser este desde o princípio dirigido pela natureza, é de cuidar de si mesmo (Dos fins, Livro I). Diz também que o que está no mais íntimo de cada animal é a sua própria constituição e a consciência dessa constituição. Não é verossímil que o animal se alheie de si ou que de algum modo aja de tal forma que se alheie de si ou não cuide de si mesmo. É preciso, pois, que a própria natureza o constitua de tal modo que ele cuide de si, fugindo às coisas nocivas e perseguindo as favoráveis. Donde se evidencia como falso o que dizem alguns, de o prazer ser o instinto primário dos animais" (Dióg. L., VII, 85). Através do instinto a natureza leva o animal a cuidar de si e a conservar-se, contribuindo para manter a ordem do todo. Cícero exprimia o conceito estoico nos seguintes termos: "Para conservar-se, para conservar sua vida e seu corpo, toda espécie animal evita por natureza tudo o que parece nocivo, deseja e trata de arranjar tudo o que é necessário à vida, como alimento, abrigo e todo o resto. Também é comum a todos os seres animais o instinto sexual com vistas à procriação e certo cuidado para com suas crias" (Tusc, I, 4, 11; De fin., III, 7, 23; De off., I, 28, 101). Algumas vezes o direito natural foi equiparado ao instinto assim entendido, por ser comum não só aos homens mas também aos animais. No séc. III, Ulpiano fazia a distinção entre o direito das gentes, que é só dos homens, e o direito natural, que "a natureza ensinou a todos os animais e por isso pertence não só ao gênero humano, mas é comum a todos os animais que vivem na terra, no mar e no céu. Desse direito decorrem o casamento, a procriação e a educação dos filhos, coisas estas de que os animais também têm experiência" (Dig, I, 1, 1-4). Essa concepção sempre ligada esteve ao pressuposto metafísico da existência de uma ordem providencial cuja manifestação nos animais e nos homens seria o instinto Tomás de Aquino aduzia como prova dessa tese que a providência se ocupa também das coisas individuais contingentes, o instinto natural de que os animais são dotados e que se manifesta nas abelhas e em muitos outros animais (Contra Gent., III, 75). "Em nós semeado e infundido pelo princípio da nossa geração, nasce um rebento, que os gregos chamavam de homem e que é o apetite natural do espírito (...). E assim parece que é, pois todo animal, assim que nasce, seja ele racional ou bruto, ama-se a si mesmo e teme e evita as coisas que lhe são contrárias e que ele detesta" (Conv., IV, 22; cf. Par., 1,112-14). Kant ainda falava do instinto como da "voz de Deus à qual todos os animais obedecem" e que "na origem deve ter guiado os primeiros tempos do homem primitivo" (Mutmasslicher Anfang der Menschengeschichte, 1786).

Segundo essa concepção, as características do instinto são as seguintes: 1) providencialidade, 2) infalibilidade, que deriva do caráter interior e graças à qual o instinto estaria sempre apto a garantir a vida do animal e a continuação da espécie; 3) imutabilidade, que deriva das duas características precedentes e que consiste na imperfectibilidade do instinto; 4) cegueira, no sentido de que o instinto foge ao controle do animal e o guia sem nenhuma iniciativa direta de sua parte. Algumas dessas características por vezes foram pressupostas e mantidas na concepção científica do instinto Contudo, são típicas da concepção metafísica, sendo caracteres presumidos, deduzidos da função atribuída ao instinto no cosmo, todos em oposição aos dados da observação. Essas características também são admitidas e defendidas habitualmente pelos filósofos que têm uma concepção providencialista do mundo biológico, como p. ex. os espiritualistas. Hegel também falou de um "instinto da razão" (Phänom. des Geistes, I, cap. V, "A observação da natureza"; trad. it, I, pp. 222, 225, etc), atribuindo a esse instinto as características gerais mencionadas antes.

Também é metafísica a teoria freudiana do instinto, especialmente do modo como é formulada em seus últimos textos. Os instintos são "a última causa de toda atividade e sua natureza é conservadora: de cada estado atingido por um ser surge a tendência a restabelecer esse estado quando ele foi abandonado."

Os instintos podem ser múltiplos, podem mudar de alvo e uns podem substituir os outros, mas em última análise é possível reconhecer dois instintos fundamentais em luta: Eros, ou instinto de vida, e Thanatos, ou instinto de destruição (Abriss der Psychoanalyse, 1940, cap. II). Ver psicanálise.

2) As teorias científicas do instinto são de duas espécies: A) explicativas; B) descritivas.

A) Existem três teorias explicativas fundamentais, que recorrem respectivamente: a) à ação reflexa; b) ao intelecto; c) ao sentimento (simpatia).

a) A doutrina que explica o instinto recorrendo à ação reflexa é a mais antiga. Foi defendida por Spencer em Princípios de psicologia (1855): "Enquanto nas formas primitivas da ação reflexa uma única impressão é seguida por uma única contração, e enquanto nas formas mais desenvolvidas da ação reflexa uma única impressão é seguida por uma combinação de contrações, nesta, que distinguimos como instinto, uma combinação de impressões é seguida por uma combinação de contrações; e quanto mais superior for o instinto, tanto mais complexas serão as coordenações de direção e de execução" (Princ. of Psychology, § 194). Essa tese foi substancialmente aceita por Darwin, que a modificou no sentido de que o desenvolvimento dos instinto seria devido à seleção natural dos atos reflexos que constituem os instintos mais simples. Darwin diz: "A maior parte dos instintos mais complexos parece ter sido adquirida mediante a seleção natural das variações de atos mais simples. Tais variações parecem resultar das mesmas causas desconhecidas que ocasionam as variações ligeiras ou as diferenças individuais nas outras partes do corpo, que agem sobre a organização cerebral e determinam mudanças que, na nossa ignorância, consideramos espontâneas" (Descent of Man, 1871, I, cap. 3; trad. fr., p. 69). Essa explicação do instinto foi aceita não só por darwinistas e neodarwinistas, mas também pelos que elaboraram a teoria dos reflexos condicionados, que consideraram o instinto como um reflexo condicionado complexo (cf. Pavlov, Os reflexos condicionados; trad. it., p. 273). O defeito dessa teoria é que as variações casuais dificilmente poderiam explicar a formação de instinto tão aperfeiçoados e complexos como os dos insetos.

b) A segunda teoria explicativa tem em vista justamente a formação desses instinto mais complexos e considera o instinto como inteligência degradada ou mecanizada. Essa doutrina, apresentada por Romanes (Mental Evolution in Animals, 1883), foi amplamente aceita pela psicologia do fim do século passado. Equivale a ver o instinto como um hábito que se formou e se aperfeiçoou através do desenvolvimento de uma espécie animal. Wundt, especialmente, contribuiu para a difusão dessa doutrina. Diz: "Os instintos são movimentos oriundos de atos de vontade simples ou compostos que depois, durante a vida individual ou ao longo de "um desenvolvimento geral, acabam mecanizados no todo ou em parte" (Grundzüge der physiologischen Psych., 4a ed., 1893, II, pp. 510 ss.; cf. System der Phil., 2a ed., 1897, p. 590). Essa concepção algumas vezes foi utilizada pelos filósofos, com vistas a uma metafísica espiritualista (cf, p. ex., Renouvier, Nouvelle monadologie, 1899, p. 83), mas contra ela existe o fato bem verificado de que os hábitos adquiridos não são transmissíveis por herança (v. hereditariedade), constatando-se ademais que, para explicar a formação de instintos aperfeiçoados, não basta a hereditariedade da disposição para contrair hábitos mais facilmente, que parece provada em alguns casos (Mac-Dougall).

c) A terceira teoria explicativa é a que relaciona o instinto com os sentimentos, em particular com a simpatia. "instinto é simpatia", diz Bergson. "Nos fenômenos do sentimento, nas simpatias e antipatias irrefletidas, sentimos em nós mesmos, de forma bem mais vaga e ainda demasiado penetrada de inteligência, algo do que deve acontecer na consciência de um inseto que age por instinto. Para desenvolvê-los em profundidade, a evolução distanciou elementos que na origem se interpenetravam" (Évol. créatr., 1911, 8a ed., pp. 190-91). A evolução vital distanciou a inteligência do instinto, especializando o instinto na tarefa de utilizar ou mesmo de construir instrumentos organizados, e a inteligência, na de fabricar e utilizar instrumentos inorganizados (Ibid., p. 152). Segundo Bergson, a especialização do instinto depende do fato de o instinto ser utilização de um instrumento determinado para um fim determinado: de um instrumento que, além do mais, é de enorme complexidade de detalhes, embora de funcionamento simplíssimo. Os instrumentos fabricados pela inteligência, ao contrário, são muito menos perfeitos, mas podem mudar continuamente de forma e adaptar-se às novas circunstâncias. Isso explica também por que o instinto não é consciente ou o é minimamente: a consciência mede a distância entre a representação e a ação (entre as diversas possibilidades de agir e a ação efetiva); no instinto essa distância é mínima porque é mínima a parte passível de escolha (Ibid., p. 157). Scheler, fazendo referência a essa doutrina de Bergson, como capaz de explicar os instintos mais complicados (p. ex., o dos himenópteros, que paralisam, mas não matam escaravelhos ou aranhas para pôr seus ovos, cf. Fabre, Souvenirs entomologiques, I, 3a ed., 1894, pp. 93 ss.), declara considerar provável que "nos atos instintivos dessa espécie, que nos põem em presença de uma concatenação finalista, lógica, das fases de atividade de muitos seres, estejamos apenas diante de um exagero anormal daquilo que é a verdadeira fusão afetiva na esfera da atividade humana" (Sympathie, cap. I; trad. fr., p. 50). Essa é uma aceitação substancial do ponto de vista de Bergson, mas corrigindo aquilo que Bergson chama de simpatia para fusão afetiva (quanto à diferença entre as duas, v. simpatia). A doutrina de Bergson foi amplamente aceita pelos filósofos, mas encontrou pouca acolhida junto aos fisiologistas e psicólogos. Continua sendo uma das alternativas possíveis para uma explicação do instinto. Este, com efeito, pode ser relacionado com qualquer uma das duas atividades que supostamente dirigirem a conduta humana: a inteligência e o sentimento. A interpretação procura vincular o instinto à inteligência; a interpretação (c), ao sentimento.

B) Na psicologia contemporânea, a influência do gestaltismo, em sua concepção de abandono definitivo da teoria dos reflexos que tendia a resolver o instinto em atividades elementares (as ações reflexas), favoreceu também o abandono de qualquer teoria explicativa e o recurso a teorias descritivas, fundadas em ampla base de observações. Desse ponto de vista, a descrição do instinto mais comumente adotada é a de G. E. Müller, que modificou oportunamente uma definição de MacDougall: "O instinto é uma disposição psicofísica, dependente da hereditariedade, muitas vezes completamente formada logo depois do nascimento, outras vezes só depois de certo período de desenvolvimento, que orienta o animal a dar atenção especial a objetos de certa espécie ou de certo modo, e a sentir, depois de perceber esses objetos, um impulso para determinada atividade, em conexão com eles" (cf. D. Katz, Mensch und Tier, 1948; trad. in., p. 1 71). Definições desse tipo tornam inútil até mesmo o nome instinto, que, de fato, alguns psicólogos tendem a substituir por outros termos, menos comprometidos pelo uso secular (propensão, tendência). Às vezes, insiste-se no caráter totalitário da disposição instintiva, considerando-a como um "esquema unitário" que cresce e diminui como um todo (cf. R. B. Cattell, Personality, Nova York, 1950, p. 195). A etologia comparada distingue no instinto aquilo que Konrad Lorenz chamou de mecanismo desencadeante, conjunto de condições que servem de estímulo para a conduta instintiva, e o ato consumador, constituído por um esquema ou plano de movimentos, hierarquicamente organizado, que é o comportamento instintivo propriamente dito. Essa organização hierárquica do comportamento instintivo torna-se menos flexível à medida que nos aproximamos da conduta em ato. Para Tinbergen, essa flexibilidade depende das mudanças no mundo externo (The Study of lnstinct, 1951, p. 110). Para Lorenz, o desencadeamento da conduta instintiva também pode ser provocado por um acúmulo de energia endógena (de natureza predominantemente físico-química) que, tanto no animal quanto no homem, constitui um instinto de agressão; este instinto, se entregue a si mesmo, leva os homens à destruição recíproca, mas pode ser disciplinado e canalizado para alvos que não ponham em risco a convivência humana. A descarga da agressão sobre objetos constituídos seria o privilégio do homem, que pode mudar a direção de seu impulso instintivo (Das sogenannte Böse, 1963, cap. XII).

Essa doutrina continua atribuindo ao instinto o papel principal na determinação do comportamento humano e animal, mas, por outro lado, chegou-se a duvidar que, para explicar esse comportamento, fosse possível utilizar o conceito de instinto (cf. o simpósio sobre esse assunto no British Journal of Educacional Psychol, nov. 1941). Também se propõe uma concepção "estatística" do L, segundo a qual ele é apenas "o fator de um grupo inato e conativo" (burt, "The Case for Human Instincts" na Rev., cit., 3a parte; cf. J. Flugel, Studies in Feeling and Desire, Londres, 1955). Essa negação do instinto diz respeito sobretudo ao homem. Katz dissera: "No homem, os instinto determinam apenas a força de um impulso à ação e seu esquema geral. Esse esquema é indefinido e varia segundo a ocasião e o indivíduo. P. ex., em todas as crianças o instinto lúdico desenvolve-se e floresce em certo período e depois morre. Mas o modo como as crianças realmente brincam varia muito. Além isso, é na infância que o homem está mais sujeito à influência dos instintos. Mais tarde, a conduta de vida é tão controlada pelas forças externas que é difícil distinguir sua base instintiva. Ao contrário dos animais, ele não passa a vida dentro da segurança dos instintos, mas tem a capacidade de formá-los" (Animals and Men, cit., p. 173). Em sociologia, às vezes se fala em instinto como fator dominante da cultura ou dos seus aspectos fundamentais. Ao instinto Pareto atribuía as ações "não lógicas" (Sociologia generale, 1923, § 157). Thorstein Veblen, em suas explicações sociológicas, frequentemente recorria ao instinto: instinto de eficiência, ao instinto animista, etc. (cf. The Instinct of Workmanship and the State of Business Enterprise, 1904). Hoje em dia esse ponto de vista é frequentemente contestado. "A cultura não é instintiva sob nenhum aspecto: ela é exclusivamente aprendida. A partir da publicação de Instinto, de Bernard, em 1924, foi impossível aceitar qualquer teoria do instinto como a explicação do esquema cultural universal ou como a solução de certos problemas culturais" (G. P. Murdock, em R. Linton, The Science of Man in the World Crisis, Nova York, 7a ed., 1952, pp. 126-27). [Abbagnano]


O impulso para agir de certa maneira. — Essa ação possui (sobretudo no animal) as três seguintes maneiras de ser: 1.° inata (as vespas solitárias, denominadas "vespas pedreiras", fazem seu ninho de maneira sempre idêntica, ainda que os pais morram antes do desenvolvimento da vespa-filhote; este não teria então podido "aprender" a fazer um ninho. O mesmo acontece com os pássaros migradores, que conhecem de maneira inata o caminho de sua migração — de 6.000 a 12.000 km — mesmo se estão em seu primeiro ano e os "pais" não estão lá para guiá-los); 2.° uniforme (o instinto não se aperfeiçoa; a técnica da construção de barragens pelos castores, por ex., nunca progrediu no decurso do tempo); 3.° específica (cada espécie tem instintos particulares). Os instintos são, assim, reflexos complexos, que são dados juntamente com a natureza de um indivíduo. Contudo, esses reflexos podem ser completados pela aquisição de "reflexos condicionados", que dão uma certa flexibilidade e um certo poder de adaptação no instinto. No homem, os instintos são, em geral, dominados pelas regras sociais, mascarados pela intervenção da inteligência (raciocínios, motivações racionais e retrospectivas de condutas instintivas), e só reaparecem quando a inteligência acha-se inibida (sonho, emoção, paixões, doenças mentais). (V. tendência.) [Larousse]


(do latim instinctus = apetite natural) designa, em acepção muito geral, a disposição natural dos seres vivos para operar ideologicamente. Encarado do ponto de vista da ciência natural, o instinto é uma disposição natural hereditária, um conjunto de disposições ordenadas e relacionadas com o todo, que impelem o ser vivo a atender de maneira especial a certos objetos do mundo ambiente, a entrar em contato com estes e a operar de maneira especificamente típica e adequada à conservação da espécie. Experiências e processos de aprendizagem não desempenham nenhum papel fundamental, embora aliados a reflexos e automatismos acompanhem frequentemente a ação instintiva e "se atrelem" a ela. Esta é desencadeada por determinados objetos do mundo animal circundante (presa, inimigo, etc.) ou principalmente por sinais dos mesmos, o conhecimento dos quais é inteiramente inato ao animal e completamente independente da experiência (esquema inato). Os sinais podem ser de natureza química, acústica ou ótica. Há casos em que um esquema (p. ex., o de "companheiro sexual") está, em certo modo, "vazio", e só num determinado período da vida (geralmente na adolescência) é moldado pela experiência.

Também no homem se dão ações instintivas. Cronologicamente, o primeiro instinto é o da sucção, ao qual se seguem os de voltar-se, expressar-se, imitar e jogar. Contudo, o comportamento instintivo não é a propriedade característica do homem. Neste se encontra, antes, uma ampla "redução do instinto" (Gehlen), de sorte que não existe nenhuma gradação entre o conhecimento instintivo e o intelectivo-racional, nem se pode considerar o instinto como primeiro estádio ontogenético ou filogenético das operações mentais superiores. Além disso, no homem o instinto não está tão univocamente determinado como no animal, aparecendo subjetivamente, as mais das vezes, como um estado emocional difuso e pobre de conteúdo representativo que, sem reflexão teleológica se traduz diretamente numa atuação'

A explicação filosófica do instinto tem seguido diversos caminhos, de acordo com as pressuposições sistemáticas. Progresso essencial, mostra-o a moderna investigação do comportamento (Lorenz, Seitz, Tinbergen e outros), a qual elevou os estudos sobre o instinto à categoria de ciência experimental de conceitos rigorosos: trabalhos dirigidos a estabelecer uma separação nítida entre os reflexos, e a experiência, por um lado, e os verdadeiros componentes do instinto, relativamente rígidos e especificamente típicos, por outro; análise minuciosa dos esquemas desencadeados (prova de surpresa); trabalhos tendentes a mostrar a ação conjugada variável de reflexo, automatismo, experiência e ação instintiva.

A doutrina escolástica do instinto é, na esfera da filosofia da natureza, uma parte da problemática relativa aos graus essenciais da vida; na esfera da psicologia, constitui uma parte da doutrina sobre os sentidos internos. Situado assim no lugar que lhe compete, o instinto, como faculdade cognoscitiva e apetitiva pertencente à sensibilidade interna, diferencia-se de todo processo condicionado por puros reflexos. Além disso, a habilidade instintiva distingue-se claramente da memória sensitiva. Ao formular esta distinção, a escolástica está concorde com os resultados da moderna investigação do comportamento, ressalvada porém a separação, amiúde demasiado rigorosa, que esta estabelece entre os distintos componentes da ação, ensinando a conceber o instinto como vis aestimativa (faculdade de julgar [juízo] de natureza sensitiva) dentro do conjunto do conhecimento sensorial, vis (¡estimativa que, de modo objetivo e teleológico, aplica ao caso concreto os sinais recebidos por meio dos sentidos externos (e recolhidos pelo sentido comum). Todavia, dado que muitas vezes os animais buscam o objeto apetecido sem que este jamais lhes tenha sido dado na experiência, e atendendo a que na ação "em estado vazio" (Lorenz) a atuação instintiva se perfaz sem objeto teleológico exterior, ó necessário que à "estimativa" se antecipe algo configurado pela fantasia anteriormente a toda experiência ("coordenação hereditária"). Com a "prova de surpresa", as modernas pesquisas sobre o instinto demonstraram claramente existirem em muitos animais estas "imagens da fantasia" previamente cunhadas e condicionadas pela hereditariedade (esquema da presa, esquema do inimigo, etc). Muitos destes esquemas se moldam, quando o estado excitante interno, que comunica impulso às ações instintivas, alcança determinada intensidade. — Como o animal, nas ações instintivas, tende ao fim de maneira objetivo-racional (sem intelecção subjetiva da teleologia), o instinto é um caso peculiar da finalidade e apresenta os mesmos problemas que ela. — Haas. [Brugger]




O termo instinto significa aguilhão, acidente, estímulo. Daqui deriva o sentido de instinto como estímulo natural, como conjunto de ações e reações primárias primitivas e não conscientes.

O instinto foi definido pelo pragmatismo como “a faculdade de atuar de tal modo que se produzam certos fins sem previsão dos fins e sem prévia preparação”. Alguns psicólogos têm mantido que os instintos são sempre cegos e invariáveis, mas os pragmatistas negam-no. A cegueira e invariabilidade dos instintos são propriedades que podem aplicar-se a instintos já constituídos e que têm funcionado, ou continuam a funcionar, durante um tempo relativamente longo, mas não à maneira como foram formados os instintos.

Tem-se discutido com frequência a relação em que se encontram os instintos com os hábitos. Tem sido frequente admitir-se que os primeiros estão mais arreigados ou são mais fundamentais que os segundos, mas é difícil estabelecer-se sempre uma diferença cortante entre eles. Tem-se discutido também se os instintos se contrapõem sempre aos atos inteligentes ou se os instintos, ou pelo menos alguns deles, são atos inteligentes depois mecanizados. Também se tem examinado a relação que existe entre instinto e reflexo. Tem sido comum considerar este como puramente automático, ou como mais automático que o instinto. A relação entre instinto e impulso é sempre pouco clara, mas sugeriu-se que, diferentemente da maior parte dos instintos, os impulsos são ações ou reações profundas e geralmente violentas.

Bergson defendeu a concepção do instinto como um modo especial de ação e de conhecimento, e a contraposição entre instinto e inteligência. A definição da consciência como adequação entre o ato e a representação permite apreender também, segundo Bergson, a natureza do instinto: enquanto a inteligência se orienta na consciência, que é perplexidade e possibilidade de escolha, o instinto orienta-se na inconsciência, e por isso é plena segurança e firmeza. A forma especial de ação e conhecimento que o instinto representa é definida pelo fato de ser vivido diferentemente do mero ser pensado da inteligência. Daí que o instinto conheça imediatamente coisas, isto é, matérias do conhecimento, existências, ao passo que a inteligência se inclina sobre relações, quer dizer, formas do conhecimento, essências. O instinto é categórico e limitado; a inteligência é hipotética, mas ilimitada, e por isso pode, diferentemente do instinto, superar-se a si mesmo e chegar até uma intuição que irá ser a definitiva ruptura dos limites em que estão encerrados cada um por seu lado, o instinto e a inteligência. Por isso a diferença entre estes é coroada com a precisa fórmula bergsoniana de que “há coisas que só a inteligência é capaz de procurar, mas que, por si mesma, nunca encontrará. Só o instinto as encontraria, mas jamais as procurará”. [Ferrater]

Submitted on 26.08.2010 13:46
This entry has been seen individually 9982 times.

Bookmark to Fark  Bookmark to Reddit  Bookmark to Blinklist  Bookmark to Technorati  Bookmark to Newsvine  Bookmark to Mister Wong  Bookmark to del.icio.us  Bookmark to Digg  Bookmark to Google  Share with friends at Facebook  Twitter  Bookmark to Linkarena  Bookmark to Oneview  Bookmark to Stumbleupon Bookmark to StudiVZ



Powered by XOOPS © 2001-2012 The XOOPS Project