Login
Username:

Password:

Remember me



Lost Password?

Register now!
Main Menu
Search
Who is Online
3 user(s) are online (3 user(s) are browsing Léxico Filosofia)

Members: 0
Guests: 3

more...
Home Léxico Filosofia T transcendente Léxico Filosofia
Browse by letter
All | A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | Other

transcendente

Definition:
Que ultrapassa. — Uma realidade transcendente é a que ultrapassa nosso poder de conhecer; um gênio transcendente ultrapassa a média dos seres humanos. Quando se fala da transcendência de Deus, evoca-se um Deus criador, distinto de sua criação; contrapõe-se à imanência de Deus, isto é, ao panteísmo segundo o qual Deus estaria presente no mundo e em nós mesmos, sendo por isso mesmo conhecível. A transcendência contrapõe-se à imanência. [Larousse]


Em geral, tem-se entendido que o transcendente é o que está “para lá de alguma coisa”; transcender é “sobressair.” Amiúde se tem admitido que algo que transcende é superior a algo imanente, até ao ponto de quando se quis destacar a superioridade infinita de Deus em relação ao criado se dizer que “Deus transcende o criado e inclusivamente que Deus é a transcendência”. Por isso também se tem dito que o ente é transcendente e se tem falado das propriedades transcendentais do ente. Este é o significado próprio dos vocábulos transcendental e transcendentais. A superioridade e importância do transcendente e transcendental adverte-se no uso habitual em que algo transcendental é algo realmente importante e capital. Há portanto um significado destes termos vinculado a problemas teológicos e metafísicos. No que se refere à transcendência de Deus, ou de um princípio supremo, tem-se proposto várias teses: 1. Deus é absolutamente transcendente ao mundo; entre Deus e o mundo abre-se um abismo que só Deus pode, se quiser, franquear. 2. a tese precedente põe em perigo a relação entre Deus e o mundo ou, em geral, entre um princípio supremo (o absoluto, o uno, etc) e as restantes realidades. Os partidários desta posição discordam porém sobre o modo de relação entre Deus (um princípio metafísico) e o mundo, ou, dizendo de outra maneira, sobre os diversos graus de transcendência. Os mais moderados sustentam que “um transcendente” é absolutamente transcendente, mas não há entre ele e o mundo um abismo, pois o mundo orienta-se para o transcendente ou participa dele numa série de graus de menor a maior perfeição. Outros, em compensação, afirmam que Deus (ou o princípio) não é transcendente ao mundo, mas q é, como dizia Espinosa “causa imanente de todas as coisas”, de modo que chega se uma identificação de Deus e do mundo tal como o postula o panteísmo..... Para além do significado metafísico, é digno de considerar o ponto de vista propriamente gnoseológico acerca do conceito de transcendência, no qual desempenha um papel importante o modo de conceber a relação sujeito-objeto.. Neste caso, o sujeito transcende par o objeto como objeto exterior cognoscível. Diz- se então que o objeto é transcendente ao sujeito e que este pode atingi-lo quando for para o objeto. Assim a transcendência gnoseológica do objeto pressupõe o transcender do sujeito para o objeto. Quando a transcendência do objeto é completa, sustenta- se uma concepção realista do conhecimento; em compensação, quando se nega que haja transcendência do objeto sustenta-se uma concepção idealista do conhecimento; finalmente, quando se pressupõe que o objeto não é absolutamente transcendente, sustenta-se uma concepção realista (moderada) do conhecimento.

A doutrinas dos transcendentais mais conhecida - embora não a única - é a de S. Tomás. Para ele, o que o intelecto apreende antes de tudo é o ente enquanto ente; portanto, nenhum ente em particular, mas o ente em geral, o conceito de ente. Não se pode adicionar ao ente algo que não seja ente para formar um novo conceito, pois tudo é ente. No entanto, pode tornar-se explícito o ente sem lhe adicionar nada diferente, dizendo, por exemplo, que o ente é por si mesmo em cujo caso “por si mesmo” não acrescenta nenhuma realidade ao ente, como acrescentaria a cor amarelo a uma coisa, fazendo dela uma coisa amarela. E também pode fazer-se explícito o ente exprimindo algo que corresponde a todo o ente como ente: as suas propriedades, por pertencerem só -ao ente enquanto ente se chamaram propriedades transcendentais ou, mais brevemente, transcendentais.

As propriedades podem fazer-se explícitas, considerando o ente explicitamente; isto sucede quando digo do ente (afirmativamente) que é uma coisa, e quando digo (negativamente) que é uno, quer dizer, que não está dividido, pois se o estivesse teríamos dois entes. As propriedades também podem fazer-se explícitas, considerando o ente relativamente; isto sucede quando digo que um ente é diferente de qualquer outro ente, em cujo caso é algo; ou quando considero a relação do ente com o intelecto e então todo o é conforme o pensar e é verdadeiro; é a relação do ente com a vontade, e então todo o ente é apetecível e, portanto, bom. Deste modo temos a lista dos transcendentais: ente, coisa, uno, algo, verdadeiro e bom. Pode-se observar que ente, coisa e algo são termos sinônimos; por isso às vezes se diz que não são propriamente atributos transcendentais do ente, visto que não acrescentam nada ao ente. Em compensação, uno, verdadeiro e bom acrescentaram algo ao ente, embora de um modo especial; ser uno não é uma propriedade do ente no sentido de constituir uma realidade distinta do ente. A unidade e o ente são o mesmo; por isso são convertíveis, isto é, afirmar o ente é afirmar que é uno, e afirmar o uno é afirmar o ente. O mesmo sucede com as propriedades verdadeiro e bom. Daí a célebre fórmula escolástica: “o uno, o verdadeiro e o bom são convertíveis entre si. Para concluir com as doutrinas mais importantes sobre estes termos referir-nos-emos ao sentido do transcendental em Kant, porque nele se manifesta um uso novo e, além disso, uma transformação do uso tradicional. O transcendental está determinado pelo conceito de possibilidade do conhecimento; todo o exame de tal possibilidade é de caráter transcendental: “chamo transcendental a todo o conhecimento que se ocupa não tanto dos objetos como mo modo de os conhecer, na medida em que este modo é possível a priori. O sistema de tais conceitos pode ser chamado filosofia transcendental”. Kant distingue entre transcendental e transcendente; o primeiro refere-se ao que torna possível o conhecimento da experiência e não vai mais além da experiência; o segundo alude ao que se encontra mais além de toda a experiência. Portanto devem rejeitar-se a ideias transcendentes do mesmo modo que há que admitir os princípios transcendentais. [Ferrater]


(lat. Transcendens; in. Transcendent; fr. Transcendant; al. Transzendent; it. Trascendente).

Este termo tem dois significados fundamentais, correspondentes aos dois significados de transcendência: 1) o que está além de determinado limite, tomado como medida ou como ponto de referência; 2) operação de transposição.

1) No primeiro significado, essa palavra assume valores muito diferentes, segundo o que se considere limite ou medida. As propriedades transcendentais eram chamadas assim por serem transcendente em relação aos gêneros, dos quais eram consideradas independentes. Fala-se de "perfeição transcendente" como perfeição que supera todos os graus alcançáveis. Mais frequentemente, esse termo é usado em filosofia para indicar o que ultrapassa os limites de alguma faculdade humana ou de todas as faculdades e do próprio homem. Assim, Boécio afirmava que "A razão transcende a imaginação porque apreende a espécie universal que está ligada às coisas singulares" (Phil. cons., V, 4). Tomás de Aquino afirmava que a teologia "transcende todas as outras ciências tanto especulativas quanto práticas" porque é mais certa que elas e por tratar de coisas "que, pela elevação, transcendem a razão" (Suma Teológica, I, q. 1, a. 5). Ao tratar da identidade do mínimo absoluto e do máximo absoluto em Deus, Nicolau de Cusa diz que "isso transcende o nosso intelecto, que não pode combinar racionalmente as coisas que são contraditórias em seu princípio" (De docta ignor., 1,4).

Foi mais precisamente a partir de Kant que transcendente passou a designar a noção que excede os limites da experiência possível. Portanto, segundo Kant, são transcendentes as ideias da razão pura: "Chamaremos de imanentes os princípios cuja aplicação se mantém em tudo e por tudo nos limites da experiência possível, e de transcendentes os que devem ultrapassar esses limites" (Crítica da Razão Pura, Dialética, Intr., I; cf. Prol, § 40). É diferente dos princípios transcendentes o uso transcendental dos princípios imanentes, que se vale de princípios cognitivos legítimos, mas sem levar muito em conta os limites da experiência (Ibid., Dialética, Intr., I; cf. Prol., § 40).

2) Nos significados anteriores, a palavra transcendente designa o que está além de certo limite. Na filosofia contemporânea, é muitas vezes usada para designar uma atividade ou uma operação correspondente ao 2° significado de transcendência. Nesse sentido, segundo Husserl, é transcendente a percepção das coisas em oposição à percepção que a consciência tem de si mesma (que é percepção imanente) (Ideen, I, § 46). No mesmo sentido, Hartmann chama de ato transcendente o conhecimento (Systematische Philosophie, § II). Heidegger define como transcendente "o que atualiza a ultrapassagem, o que se mantém na ultrapassagem" (Vom Wesen des Grundes, II; trad. it., p. 29) (v. transcendência). [Abbagnano]

Submitted on 04.12.2009 17:39
This entry has been seen individually 21617 times.

Bookmark to Fark  Bookmark to Reddit  Bookmark to Blinklist  Bookmark to Technorati  Bookmark to Newsvine  Bookmark to Mister Wong  Bookmark to del.icio.us  Bookmark to Digg  Bookmark to Google  Share with friends at Facebook  Twitter  Bookmark to Linkarena  Bookmark to Oneview  Bookmark to Stumbleupon Bookmark to StudiVZ



Powered by XOOPS © 2001-2012 The XOOPS Project