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analogia

Definition:
analogia: proporção, analogia

gr. analogia = assunto conhecido por, hyle 1; um princípio na teoria estoica da intelecção, noesis 16; e na sua etimologização, onoma 1; ver agnostos, dike, thesis, onoma. [FEPeters]




vocábulo já forjado pelos Gregos, vem de analogon, que significa "segundo proporção". Por meio deste termo exprime-se principalmente a analogia do conhecimento, o qual apreende o ser de um ente pela sua relação com outro. O ser de um tinte é portanto inferido ou, pelo menos, aclarado mediante a comparação com outro, p. ex., o pensamento ocorreu-me como um relâmpago. Podemos descrever esta analogia como "conhecimento por comparação". Pressupõe ela que o ser, que serve de referência à comparação (pelo menos do ponto de vista desta) é mais conhecido que o outro, e que entre ambos existe, ao mesmo tempo, coincidência e diversidade. Sem coincidência, nãopossibilidade alguma de comparação; sem diversidade, a comparação subministra apenas mera repetição do mesmo sem novo esclarecimento. Pelo que, o conhecimento análogo radica na analogia do ser, mercê da qual dois ou mais existentes a um tempo coincidem e se diferenciam em seu ser. Esta analogia reflete-se em nossos conceitos e palavras.

Se falta a coincidência, o termo é (equívoco) pluri-significativo; longe de expressar um só conceito, reúne acidentalmente, sob a mesma designação, conteúdos conceituais inteiramente diversos (p. ex., "cisne" como animal ou como constelação). Se falta a diversidade, temos que distinguir os termos sinônimos (de sentido igual) e os unívocos (de sentido único), pois os primeiros coincidem plenamente quanto ao conteúdo (p. ex., animal racional e homem), e os segundos tiram a limpo, de dois conceitos totalmente diferentes, um setor, no qual se sobrepõem plenamente quanto ao conteúdo, no qual também concordam sem diversidade (p. ex., o gênero "vivente" em relação a anima! e planta). No conhecimento análogo entram somente em consideração os conceitos- que em si contém inseparavelmente (analogia metafísica) ou, ao menos, inseparadamente (analogia física) a coincidência e a diversidade; no primeiro caso, o conceito é análogo até em sua íntima estrutura metafísica, não sendo pois unívoco sob nenhum respeito, ao passo que, no segundo caso, o conceito é análogo apenas em sua realização concreta, permanecendo unívoco em sua estrutura metafísica. O segundo caso ocorre no gênero "vivente, ser vivo"; o primeiro caso, que exprime apenas o conceito próprio ou essencialmente análogo, ocorre no conceito do existente.

Para mais acurada caracterização do conceito análogo, devem tomar-se em conta os dois tipos fundamentais de analogia de atribuição e analogia de proporcionalidade. Importa, além disso, distinguir cuidadosamente entre o conteúdo conceituai ou o termo comum análogo (p. ex., o existente) e os sujeitos d» relação análoga ou analogados (p. ex., Deus e a criatura). Na analogia de atribuição (attribuere: adjudicar) o análogo comum é atribuído ao análogo secundário ou segundo em dependência do principal ou primeiro. Como, mercê desta dependência, ou só o nome análogo ou também o conteúdo conceitual por ele significado pode ser transferido ao analogado segundo, há uma analogia de atribuição externa ou extrínseca e uma analogia de atribuição intrínseca ou interna. Sirva de exemplo da primeira o predicado "são": o analogado primeiro é o corpo humano, que em si realiza o conteúdo de saúde; analogados segundos podem ser, p. ex., a cor do rosto ou o alimento, os quais, devido à sua relação com a saúde do corpo (como sinal ou causa da mesma) recebem o nome de "são", sem que todavia comportem em si o conteúdo conceituai da saúde. Como exemplo da segunda pode aduzir-se o conceito de existente: Deus é denominado "existente" como analogado primeiro; ao passo que a criatura o é como analogado segundo, porque realmente existe mas em absoluta dependência de Deus. Existe entre ambos coincidência no ser, a qual todavia é penetrada de diversidade, visto como Deus possui o ser com independência e perfeição, e a criatura, pelo contrário, o possui de modo dependente e imperfeito.

A analogia de proporcionalidade baseia-se no fato de cada um dos analogados incluir uma relação, na qual simultaneamente coincide e discorda. Trata-se da relação análoga de duas relações recíprocas, a qual, por seu turno, se denomina também "proporcionalidade". Esta é própria, quando a relação em ambos os analogados incide no conteúdo essencial comum; é imprópria, quando o analogado segundo não se refere ao conteúdo essencial comum, mas tão-sòmente a um efeito de algum modo semelhante ao irradiado por esse conteúdo. Deus e as criaturas mantêm relação com o ser em seu conteúdo essencial, mas de modo essencialmente diferente, a saber: Deus, de um modo necessário, a criatura, de um modo contingente; Falamos de um prado "risonho", não porque ele ria de lato, mas porque nos alegra da mesma maneira que um rosto risonho. A isto se dá vulgarmente o nome de linguagem metafórica.

A importância da analogia manifesta-se sobretudo no problema de Deus. Na medida em que designa coincidência, ultrapassa uma plena separação entre o mundo e Deus, possibilitando, de encontro a qualquer forma de agnosticismo, o conhecimento de Deus. Na medida porém em que significa simultaneamente diversidade, exclui a identificação panteísta de Deus e do mundo, mas por isso mesmo impede-nos de obter um conceito exaustivo do mesmo Deus. — Lotz. [Brugger]




(Do grego aná, para cima, e logos, pensamento = pensamento dirigido para outro superior).

a) Proporção, que consiste em uma identidade de relação entre cada dois termos de vários pares.

b) Também significa, em concreto, a realidade que encarna essa proporção.

c) Na Lógica, uma forma de argumento (raciocínio por analogia), que, partindo da identidade ou semelhança observada ou suposta, entre dois ou mais objetos, infere, da existência de um caráter observado em um dos termos, a existência do mesmo caráter, ainda não observado no outro termo. Ou, em outras palavras, que se aproximam ao uso matemático: A determinação de um termo pelo conhecimento de dois termos de vim dos pares, e de um termo do segundo par. A proporção matemática foi chamada de analogia por Euclides. Aristóteles aplicou-a às condições da Lógica, precisando-lhe o sentido, mas sem estabelecer um raciocínio em sentido próprio na base da analogia. Kant compara analogia com a indução, determinando essa última como a operação mental, que estende a todos os seres de uma mesma espécie as observações feitas em alguns deles, e o raciocínio por analogia como a conclusão que infere da semelhança bem assegurada, entre duas espécies, a semelhança ainda não observada.

d) Ao lado dessa «analogia proportionis» (analogia da proporção) Tomás de Aquino estabeleceu uma «analogia attributionis» (analogia de atribuição), que se aplica aos casos onde não se pode atribuir os predicados univocamente. «Árvore» atribui-se ao carvalho e à oliveira univocamente, mas «rindo» diz-se de um rosto e de uma paisagem só analogamente. A «analogia attributionis» tem um fundamento real e distingue-se, por isso, do mero equívoco.

e) Tudo o que afirmamos sobre a essência de Deus, é, neste sentido, análogo; as virtudes humanas são análogas às perfeições de Deus, e vice-versa. Segundo a acepção escolástica, o «ser» é um conceito análogo, que não se pode atribuir univocamente a diferentes categorias (aristotélicas) do ser. "Ser", portanto, não é um conceito genérico e, por isso, as próprias categorias são os gêneros supremos (analogia entis, analogia do ser).

Crítica: Um conceito é análogo, quando aplicado a coisas diversas, com acepções que não são nem propriamente idênticas, nem completamente diferentes. Ex.: uma razão forte e uma árvore forte, etc.

Os conceitos aplicados aos objetos, de onde são tirados por Abstração, e aplicados ao ser, enquanto ser, ou às realidades que são objeto da metafísica, são unívocos, equívocos ou análogos?

Não podem ser equívocos, pois não há nenhuma realidade que seja totalmente diferente do mundo de nossa experiência. Deus ultrapassa-nos totalmente, mas não é impermeável a nós, pois é a origem de tudo, em tudo há algo dele.

Não podem ser unívocos, pois as realidades metafísicas, às quais nós os aplicamos, diferem dos fatos da experiência de onde foram abstraídas.

São, portanto, análogos:

A univocidade leva-nos ao monismo, que admite uma única realidade; Deus (monismo panteísta) ou matéria (monismo materialista) ou pensamento (monismo idealista).

A equivocidade supõe o dualismo ou o pluralismo, ou seja, a existência de realidades totalmente diferentes e independentes. Só a analogia pode assegurar a pluralidade na unidade: distinção do Ser absoluto e dos seres relativos, mas unidades, porque os seres relativos obtêm do ser absoluto (criacionismo); distinção da alma e do corpo, mas unidade substancial (espiritualismo).

Esta síntese que acabamos de fazer desses ante-predicamentos (assim são eles chamados na Lógica, por serem preâmbulos e pré-requisitos para a ordenação dos predicamentos ou categorias), não exclui a problemática que surge sobre a univocidade e a analogia, que é de magna importância para os estudos ontológicos.

Logicamente considerado, vim termo é unívoco quando significa (aponta, como sinal) uma razão simplesmente uma, convenientem multis distributive (unum in multis), isto é, uma conveniente, distributivamente, a muitos (um em muitos), como o definem os escolásticos. A sabedoria de Salomão e a sabedoria de um homem experiente, enquanto sabedoria, em sua quididade, isto é, em sua formalidade, é unívoca, pois sabedoria é sabedoria, e nada mais. A univocidade, aqui, é puramente formal, porque a sabedoria deste, e neste homem, consta de um saber quantitativa e qualitativamente diferente de outro, pela soma maior ou menor de conhecimento que uma tenha em relação a outro.

Quando dizemos que um termo é análogo, reconhecemos que, nele, há algo que se assemelha ao analogado e algo que se diferencia.

Analogia é, portanto, síntese do semelhante e do diferente. Todos os entes são análogos. Mas há graus de analogia.

Distingamos: analogia de atribuição extrínseca — quantitativa; analogia de atribuição intrínseca — qualitativa; analogia de proporcionalidade — relação e função.

Há analogia de atribuição intrínseca, quando o análogo (termo, conceito, conjunto simbólico) convém propriamente a todos os objetos que designa, embora adequadamente em certos casos, inadequadamente em outros.

Ex.: o ato existencial é misto de ato e potência, é híbrido ato e potência são aplicados a Deus e às criaturas, analogicamente, por atribuição intrínseca.

Há analogia de atribuição intrínseca entre dois medicamentos, que servem para o mesmo fim. (Também pode confundir-se, em certos casos, com a função, mas só quando tomado dinamicamente).

Há analogia de atribuição intrínseca quantitativa entre dois objetos de qualidade e espécies diferentes, quantitativamente iguais, como, por ex., o mesmo peso. Assim 1 quilo de papel e 1 quilo de açúcar.

Há analogia de atribuição extrínseca, quando usada em sentido nem unívoco, nem equívoco, mas apenas por transposição em consideração metafórica (substituição de um sentido exterior por outro, que apresente semelhanças meramente exteriores). Um homem risonho, alegre, e um jardim risonho, alegre. Um clima não saudável, e um homem não saudável. As metáforas são verdadeiras analogias, quando não disparatadas. A metáfora pertence mais à estética do que propriamente à Metafísica.

A analogia de proporcionalidade ou de proporção é a que consiste entre coisas totalmente diferentes, mas que apresentam, cada uma, certa similitude de relação (analogia de relação), ou de função (analogia de função).

A ala direita e a ala esquerda de um exército; o pé esquerdo e o pé direito de um edifício, a entre um chefe e a tropa e a entre a cabeça e o corpo, são outros exemplos de analogia.

homologia, quando há proporcionalidade entre a função de um todo com a função de um outro todo, como, por ex., a existente entre as asas dos pássaros e os membros anteriores dos mamíferos, entre as penas dos pássaros e as folhas da árvore.

ANALOGIA DE EXPERIÊNCIA — Segundo Kant, certos princípios a priori do entendimento puro, cuja fórmula geral é a seguinte: a experiência só é possível pela representação de um laço necessário entre as percepções. Estas analogias são três:

1) A permanência da substância;

2) a existência de leis fixas de sucessão na natureza (causalidade);

3) o princípio da reação recíproca universal entre todas as substâncias a cada momento do tempo. [MFSDIC]




É, em termos gerais, a correlação entre os termos de dois ou mais sistemas ou ordens, isto é, a existência de uma relação entre cada um dos termos de um sistema e cada um dos termos do outro. A analogia equivale então à proporção. Falou-se também de analogia como semelhança de uma coisa com outra, da similitude de uns caracteres ou funções com outros. Neste último caso, a analogia consiste na expressão de uma correspondência, semelhança ou correlação. Precisamente em virtude das dificuldades que este último tipo de analogia oferece, houve frequentemente a tendência para sublinhar a exclusiva referência da analogia às relações entre termos, isto é, à expressão de uma similaridade de relações. Platão apresentou a ideia de analogia em A República; também no Timeu, ao comparar o Bem com o Sol, e ao indicar que o primeiro desempenha no mundo inteligível o mesmo papel que o último desempenha no mundo sensível. Esta analogia é reforçada com a relação estabelecida por Platão entre o Bem e o Sol, que é, a seu ver, comparável à que existe entre um pai e o filho, pois o Bem gerou o Sol à sua semelhança. Alguns pensadores posteriores adotaram e desenvolveram estas concepções de Platão, entre outros Plotino. Aristóteles aplicou a doutrina de “a igualdade de razão” aos problemas ontológicos por meio daquilo a que se chamou “a analogia do ente” (v. à frente). O ser, afirmou Aristóteles, “diz-se de muitas maneiras”, embora se diga primeiramente de uma maneira: como substância. Os Escolásticos aceitaram e elaboraram a doutrina aristotélica. Muitos deles, ao referirem-se aos nomes ou termos, distinguiram entre um modo de falar unívoco, um modo de falar equívoco e um modo de falar análogo. O termo ou nome comum, que se predica de vários seres ditos inferiores, é unívoco, quando se aplica a todos eles num sentido totalmente semelhante ou perfeitamente idêntico. É equívoco, quando se aplica a todos e a cada um dos termos em sentido completamente distinto (por exemplo, touro, como animal ou constelação). É análogo, quando se aplica aos termos comuns em sentido não inteiro e perfeitamente idêntico ou, melhor ainda, em sentido distinto, mas semelhante de um ponto de vista determinado de uma determinada e certa proposição (como “esperto” aplicado a um ser que não dorme e a um ser que tem uma inteligência viva). O termo análogo é o que significa uma forma ou propriedade que está intrinsecamente num dos termos (o analogado principal), estando, em contrapartida, nos outros termos analogados secundários), por certa ordenação à forma principal. Partindo desta base, pode dizer-se também que a analogia é extrínseca (como o mostra o exemplo “são”) ou intrínseca (como o mostra o exemplo de “ser”, que convém a todos os incriados ou criados, substanciais ou acidentais). Neste último caso, a analogia também se diz Metafísica. Embora quase sempre se tenha concordado em que o ente análogo constitui o objeto mais próprio da Filosofia Primeira, compreendendo também os entes de razão e ainda qualquer privação do ente enquanto inteligível, formaram-se principalmente três escolas . Enquanto a escola de Suárez indicava que o ente é formalmente transcendente e que deve entender-se a analogia no sentido de analogia metafísica de atribuição, a escola de Escoto propendia para defender a univocidade do ente, o qual se limita às noções inferiores mediante diferenças intrínsecas. E a escola Tomista, que advogava uma analogia de proporcionalidade. Com efeito, dos três modos de analogia a que, segundo a escola Tomista, podem reduzir-se todos os termos análogos - analogia de igualdade, analogia de atribuição e analogia de proporcionalidade, mencionados por Aristóteles, embora com terminologia diferente -, só o último constitui, a seu ver, a analogia. Em geral, pode dizer-se que, para o Tomismo, compete a todos os seres existir numa relação semelhante de um modo intrinsecamente diverso, pois, sem dúvida, o ser nunca é um gênero que se determine por diferenças extrínsecas, mas ao mesmo tempo sustenta uma analogia de atribuição entre o Criador e os seres criados, e entre a substância e os acidentes, pois o ser dos últimos depende do dos primeiros. Em todo o caso, a noção analógica do ser pretende resolver o problema capital da Teologia escolástica: o da relação entre Deus e as criaturas, portanto, embora na ordem do ser Deus exceda tudo o que é criado, como causa suficiente dos entes criados, e de todo o ser, contém atualmente todas as suas perfeições.

A tendência geral da filosofia moderna consistiu quase sempre em se referir à analogia ou então no sentido de uma similaridade de relações nos termos abstratos ou então no sentido de uma semelhança nas coisas, dando portanto neste último caso à analogia um sentido claramente metafórico A referência propriamente metafísica ficou deste modo eliminada. Especialmente nas correntes fenomenistas e funcionalistas que abandonaram formalmente a noção de substância. [Ferrater]


(gr. analogia; lat. analogia; in. Analogy; fr. Analogie; al. Analogie; it. Analogia).

Esse termo tem dois significados fundamentais: l) o sentido próprio e restrito, extraído do uso matemático (equivalente a proporção) de igualdade de relações; 2) o sentido de extensão provável do conhecimento mediante o uso de semelhanças genéricas que se podem aduzir entre situações diversas. No primeiro significado, o termo foi empregado por Platão e por Aristóteles e é até hoje empregado pela lógica e pela ciência. No segundo significado, o termo foi e é empregado na filosofia moderna e contemporânea. O uso medieval do termo é intermediário, entre um e outro significado.

1) Platão usou esse termo para indicar a igualdade das relações entre as quatro formas — duas a duas — de conhecimento, que distinguiu na República (VII, 14, 534 a 6), ou seja, entre a ciência e a dianoia, que pertencem à esfera da inteligência (que tem por objeto o ser), e entre a crença e a conjectura, que pertencem à esfera da opinião (que tem por objeto o vir-a-ser). "O ser está para o vir-a-ser", diz Platão, "assim como a inteligência para a opinião; e a inteligência está para a opinião assim como a ciência está para a crença e a dianoia para a conjectura". Aristóteles usa essa palavra no mesmo sentido de igualdade de relações. Assim, ele diz que as coisas em ato não são todas iguais entre si, mas são iguais por analogia, no sentido que todas têm a mesma relação com os termos que servem, respectivamente, de potências. "Não é necessário", diz Aristóteles, "pedir a definição de tudo, mas observar também a analogia, isto é, ver que o construir está para a habilidade de construir na mesma relação em que o estado de vigília está para o dormir, o ver para o ficar de olhos fechados, a elaboração do material para o próprio material e a coisa formada para a informe" (Met., 9, 6, 1.047 b 35 ss.). Do mesmo modo, Aristóteles afirma que os elementos e os princípios das coisas não são os mesmos, mas só análogos, no sentido de que são as mesmas as relações que têm entre si. P. ex., "no caso da cor, a forma será o branco; a privação, o negro; a matéria, a superfície; no caso da noite e do dia, a forma será a luz, a privação será a escuridão e a matéria será o ar" (ibid., 12, 4,1.070 b 18). Obviamente, o branco, o negro e a superfície não são, respectivamente, o mesmo que luz, escuridão e ar, mas é idêntica a relação entre essas duas tríades de coisas (como entre muitíssimas outras tríades): relação que é expressa com os princípios de forma, privação e matéria. Nesse sentido, isto é, como igualdade de relações em todos os casos em que se acham realizados, tais princípios são chamados de analógicos. Fora da metafísica, a mais célebre aplicação do conceito de analogia é a que, em ética, Aristóteles faz em relação à justiça distributiva. Esta consiste em dar a cada um segundo os seus méritos e, por isso, é constituída por uma proporção na qual as recompensas estão entre si assim como os méritos respectivos das pessoas a quem são atribuídos. Trata-se, nota Aristóteles, de uma proporção geométrica não contínua, já que nunca ocorre que a pessoa a quem se atribui alguma coisa e a coisa que se lhe atribui constituam um termo numericamente uno (Et. Nic, V, 5, 1.131 a 31). Aristóteles depois fez uso frequente do conceito de analogia nos seus livros de história natural, dizendo que são análogos os órgãos "que têm a mesma função" (Depart. an., I, 5 645 b 6). Esse conceito deveria revelar-se de fundamental importância na biologia do séc. XIX, quando, com Cuvier, serviu de fundamento e de ponto de partida para a anatomia comparada.

Nesse significado, sem alusão à noção de probabilidade, mas à de proporção, esse termo é hoje empregado em lógica. As "analogia formais" são condicionadas pelo caráter transitivo das relações cuja igualdade estabelecem. P. ex., diz-se que, se "x é antepassado de y e y é antepassado de z, x é antepassado de z"; ou então: se "x é parte de y e y é parte de z, x é parte de z". A conclusão é exata, mas não o seria se, em lugar das relações "antepassado de" ou "parte de", fossem usadas, p. ex., "pai de", "ama" ou "odeia", etc. Não se pode dizer, com efeito, "x é pai de y e y é pai de z, logo x é pai de z". A analogia vale só para as chamadas "relações transitivas", cujo princípio pode ser assim expresso: as asserções de que x está em relação transitiva com y e que y está em relação transitiva com z implicam a asserção de que x está em relação transitiva com z (cf. Russell, Intr. to Math. Philosophy, 1918, cap. VI; Strawson, Intr. to LogicalTheory, II, 2, 11).

O uso do termo no sentido de extensão provável do conhecimento foi iniciado pela Escolástica, embora tal significado tenha permanecido estranho à própria Escolástica. Com efeito, essa palavra teve uso metafísico-teológico para distinguir e, ao mesmo tempo, vincular o ser de Deus e o ser das criaturas, que tinham sido contrapostos pela escolástica árabe e sobretudo por Avicena, respectivamente como o ser necessário, que não pode não ser, e o ser possível, que pode ser e por isso precisa do ser necessário para existir. Assim, Guilherme de Alvérnia diz que o ser das coisas criadas e o ser de Deus não são idênticos nem diferentes, mas análogos: de algum modo se assemelham e se correspondem, sem ter o mesmo significado (De Trin., 7). Tomás de Aquino distingue, com mais precisão, o ser das criaturas, separável da sua essência e, portanto, criado, do ser de Deus, idêntico à essência e, portanto, necessário. Esses dois significados do ser não são unívocos, isto é, idênticos, nem equívocos, isto é, simplesmente diferentes; são análogos, ou seja, semelhantes, mas de proporções diversas. Só Deus tem o ser por essência; as criaturas o têm por particiação; elas, enquanto são, são semelhantes a Deus, que é o primeiro princípio universal do ser, mas Deus não é semelhante a elas: esta relação é a analogia (5. Th., I, q, 4, a. 3). A relação analógica estende-se a todos os predicados atribuídos, ao mesmo tempo, a Deus e às criaturas. P. ex., o termo "sábio", quando se refere ao homem, significa uma perfeição diferente da essência e da existência do homem, ao passo que, quando se refere a Deus, quer dizer uma perfeição idêntica à sua essência e ao seu ser; além disso, quando se refere ao homem, dá a entender o que quer significar, ao passo que, quando se refere a Deus, deixa fora de si a coisa significada, que transcende os limites do entendimento humano (Ibid., I, q. 13, a. 5). O significado diferente que um termo pode assumir segundo a sua atribuição a esta ou àquela realidade foi depois chamado, pelos escolásticos, analogia de atribuição. Esse tipo de analogia verifica-se não só a propósito da atribuição de um mesmo termo a Deus e às criaturas, mas em muitos outros casos, como p. ex., quando se diz que um medicamento saudável e que um animal é saudável, na medida em que o medicamento é a causa da sanidade que está no animal (ibid., I, q. 13, a. 5). A analogia de proporcionalidade refere-se, porém, só à analogicidade de significado entre o ser de Deus e o ser das criaturas, tornando-se tema de discussões polêmicas na Escolástica do séc. XIII e da primeira metade do séc. XIV. A analogia de proporcionalidade é frequentemente atribuída a Aristóteles pelos tomistas (assim como pelo próprio Tomás de Aquino), mas na verdade, ainda que Aristóteles tivesse começado a reconhecer vários sentidos do ser, fizera-o só para reconduzi-los a modos e especificações do único sentido de substância, isto é, do ser enquanto ser, do ser na sua necessidade, que é o objeto da metafísica. Aristóteles, por isso, não distinguia nem podia distinguir o ser de Deus do ser das outras coisas: p. ex., Deus e a mente são substâncias precisamente no mesmo sentido (Et. Nic, I, 6, 1.096 a 24). O maior crítico e opositor do tomismo neste ponto foi Duns Scot, que, reportando-se exatamente a Aristóteles, considerou que a noção de ser é comum a todas as coisas existentes, logo tanto às criaturas quanto a Deus. Considerou-a, por isso, unívoca pelo motivo fundamental de que, se assim não fora, seria impossível conhecer algo de Deus e determinar qualquer atributo Seu, remontando, por via causal, das criaturas (Op. Ox., I, d. 3, q. 3, n. 9). Desse modo, também restabeleceu a unidade da ciência do ser, isto é, da metafísica — que, para o tomismo, dividia-se em ciência do ser criado (metafísica) e em ciência do ser necessário (teologia) — e, portanto, reduziu a teologia a ciência pratica (isto é, não dirigida para o conhecimento do homem, mas para a sua orientação com vistas à salvação.

2) O segundo significado desse termo, como extensão provável do conhecimento mediante a passagem de uma proposição que exprime certa situação para uma outra proposição que exprime uma situação genericamente semelhante, ou como extenso da validade de uma proposição de certa situação para uma situação genericamente semelhante, era conhecido pelos antigos com o nome de "procedimento por semelhança" (dia paraboles ou dia homoiotetos). Aristóteles diz: "A probabilidade também aparece no procedimento por semelhança quando se diz o contrário do contrário: p. ex., se é preciso fazer o bem aos amigos, pode-se dizer, por semelhança, que é preciso fazer o mal aos inimigos" (Top., I, 10, 104 a 28; cf. El. sof, 173 b 38; 176 a 33, etc.) Esse procedimento, obviamente, nada tem que ver com a analogia: a relação é diferente (assim como "fazer o mal" é diferente de "fazer o bem") e entre as duas situações, portanto, nãoigualdade de relações, mas só uma semelhança genérica. Aristóteles aconselha a usar esse procedimento para questões polêmicas (Top., VIII, 1, 156 b 25). Euclides de Mégara já havia contestado sua validade lógica. Ele "repudiava o procedimento por semelhança dizendo que ele vale de coisas semelhantes ou de coisas dessemelhantes. Se de coisas semelhantes, é melhor tratar das próprias coisas do que das que lhes são semelhantes; se de coisas dessemelhantes, é inútil a comparação" (Dióg. L., II, 107) Os epicuristas entendiam que a indução era um raciocínio por analogia e, portanto, defendiam a sua validade subordinadamente ao postulado da uniformidade da natureza. Diz Filodemo: "Quando nós julgamos: 'Já que os homens que estão ao nosso alcance são mortais, todos os homens são mortais', o método analógicoserá válido se supusermos que os homems que não estão em condições de se mostrarem a nós são, sob todos os aspectos, semelhantes aos que estão ao nosso alcance, de tal modo que se deve pressupor que eles também são mortais. Sem esse pressuposto, o método da analogia não é válido" (De signis, II, 25). Na filosofia moderna, a primeira defesa da analogia é provavelmente a de Locke, que, no IV livro de Ensaio, inclui a analogia entre os graus do assentimento; mais precisamente, considera-a como probabilidade concernente a coisas que transcendem a experiência. A analogia é a única ajuda de que dispomos, segundo Locke, para alcançar um conhecimento provável dos "seres materiais finitos fora de nós", dos seres que, de qualquer modo, não nos sejam perceptíveis, ou enfim da maior parte das operações da natureza que se escondem da experiência humana direta (Ensaio, IV, 16). Leibniz concordou com Locke, ao ver na analogia "a grande regra da probabilidade", na medida em que aquilo que não pode ser comprovado pela experiência pode parecer provável se está mais ou menos de acordo com a verdade estabelecida. Leibniz acrescenta alguns exemplos do uso que os cientistas fizeram da analogia e recorda que Huygens, fundando-se precisamente nela, julgou que o estado dos outros planetas é muito semelhante ao da Terra, salvo pela diferença produzida por suas diferentes distâncias do Sol (Nouv. ess,, IV, 16, 12). Na realidade, os cientistas dos sécs. XVII e XVIII utilizaram muito a analogia; e não foi sem razão que Kant utilizou esse termo para exprimir alguns princípios regulativos fundamentais da ciência do seu tempo. Entendeu, em geral, por analogia uma forma de prova teorética (v. Prova) e definiu-a como "a identidade da relação entre princípios e consequências (entre causas e efeitos) enquanto tem lugar, não obstante, a diferença específica das coisas ou das qualidades em si (quer dizer: consideradas fora daquela relação), que contêm o princípio de consequências semelhantes" (Crít. do Juízo, § 90). Enumerou quatro "analogia da experiência", enunciando-as do seguinte modo: à) princípio da permanência da substância, que assim se exprime: "Em toda mudança dos fenômenos a substância permanece e a sua quantidade na natureza não aumenta nem diminui"; ti) princípio da série temporal segundo a lei da causalidade, que assim se exprime: "Todas as mudanças ocorrem segundo a lei do nexo de causa e efeito"; c) princípio da simultaneidade segundo a lei da ação recíproca, que assim se exprime: "Todas as substâncias, enquanto podem ser percebidas no espaço como simultâneas, estão entre si em ação recíproca universal". Kant esclareceu do seguinte modo o sentido em que esses princípios são chamados de analogias. Em matemática, as analogia são fórmulas que exprimem a igualdade de duas relações quantitativas e são sempre constitutivas, isto é, quando são dados três membros da proporção, é dado também o quarto, que, portanto, pode ser construído. Em filosofia, porém, a analogia é a igualdade entre duas relações não quantitativas, mas qualitativas: o que quer dizer que, dados três termos da proporção, o quarto termo não é, por isso, dado,- mas só é dada certa relação com eles. Essa relação é uma regra para procurá-lo na experiência e um sinal para descobri-lo. De modo que o princípio da permanência da substância, o princípio de causalidade e o princípio de reciprocidade de ação não fazem parte verdadeiramente da constituição dos objetos de experiência, mas valem somente para descobri-los e para situá-los na ordem universal da natureza. Esses princípios são, é bem verdade, apriori, e portanto certos de forma indubitável, mas, ao mesmo tempo, são desprovidos de evidência intuitiva, ao passo que os "axiomas da intuição" (v. axioma) e as "antecipações da percepção" (v. antecipações) são princípios constitutivos porque ensinam "como os fenômenos, tanto com respeito à sua realidade percebida, quanto com respeito à sua intuição, podem ser produzidos segundo as regras de uma síntese matemática" (Crít. R. Pura, Anal. dos princ., III, 3). Como se vê, permanece neste uso kantiano o significado da analogia como igualdade entre relações, mas tais relações são ditas "qualitativas" no sentido de que, com elas, não são dados os objetos, mas só as relações que permitem descobri-los e organizá-los em unidades. E, com efeito, os princípios da permanência da substância, de causalidade e de reciprocidade não levam a conhecer nada, mas servem para descobrir os objetos cognoscíveis e organizá-los, segundo os seus nexos, na unidade da experiência. Nesse sentido, a analogia é um instrumento, aliás, um dos instrumentos fundamentais para estender o conhecimento dos fenômenos naturais, usando como guia as suas conexões determinantes. A lógica e a metodologia da ciência do séc. XX não confiaram na analogia, considerando-a, geralmente, como uma extensão da generalização indutiva além dos limites dentro dos quais ela oferece garantia de verdade. Stuart Mill considerou o raciocínio por analogia "uma inferência de que o que é verdade em certo caso também é verdade em um caso de algum modo semelhante, mas não exatamente paralelo, isto é, não semelhante em todas as circunstâncias materiais. Um objeto tem a propriedade b, outro não tem a propriedade b, mas é semelhante ao primeiro em uma propriedade a não ligada a b, a analogia levará à conclusão de que esse objeto também tem a propriedade b. P. ex., diz-se que os planetas são habitados porque a Terra é habitada". Esse modo de argumentar pode, segundo Stuart Mill, aumentar só em grau não determinável, mas em todo caso muito modesto, a probabilidade da conclusão; mas em compensação, pode dar lugar a muitas falácias (Logic, V, 5, 6).

Mas a lógica e a metodologia atuais são muito menos céticas em relação à analogia talvez porque a remetam ao significado ls, isto é, à igualdade de relações. P. ex., um dos procedimentos analógicos consiste na criação de símbolos que tenham semelhança maior ou menor com as situações reais, e cujas relações reproduzam as relações inerentes aos elementos de tais situações. Tais símbolos são, às vezes, modelos mecânicos, quer dizer, desenhos, esquemas ou máquinas que reproduzem as relações existentes entre elementos reais; tais são, p. ex., os modelos do sistema solar, da estrutura do átomo, do sistema nervoso, etc. Outras vezes, tais modelos são obtidos através do chamado processo de extrapolação, que consiste em levar ao limite o comportamento de um conjunto de casos ordenados numa série na qual se suponham eliminadas, gradualmente, as influências perturbadoras. Fala-se, p. ex., em velocidade infinita ou em velocidade zero, ou massas reduzidas a um ponto geométrico, em alavancas perfeitas, em gases ideais, etc. Todo modelo é um exemplo de analogia, no sentido le, por ser próprio de um modelo reproduzir, entre os seus elementos, as mesmas relações dos elementos da situação real. Mas os físicos também falam hoje de analogia como de condição ou de elemento integrante das hipóteses e das teorias científicas. Segundo essa orientação, a analogia faz parte da constituição de uma hipótese na medida em que "as proposições de uma hipótese devem ser análogas a algumas leis conhecidas": nesse sentido, a analogia não é só um auxílio à formulação de uma teoria, mas é parte integrante dela. "Considerar a analogia como um auxílio à invenção das teorias é tão absurdo quanto considerar a melodia um auxílio para a composição de uma sonata. Se, para compor música, só fosse necessário obedecer às leis da harmonia e aos princípios formais de desenvolvimento, todos seríamos grandes compositores; mas é a ausência do sentido melódico que nos impede de atingir excelência musical simplesmente comprando um manual de música" (N. R. Campbell, Physics; The Elements, 1920, p. 130). A analogia corresponderia, portanto, em física ao que é o sentido musical em música: garantiria a adequação de uma hipótese científica às uniformidades expressas ou formuladas nas leis. [Abbagnano]

Submitted on 05.01.2010 18:27
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