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realidade

Definition:
Realität
Wirklichkeit

Nossa palavra "realidade" só traduz adequadamente a palavra fundamental de Aristóteles para a vigência do vigente (entelekeia) se pensarmos "real" e "realizar" de modo grego, no sentido de trazer para (her) o desencoberto, de levar para (vor) a vigência. "Wesen", "viger" é a mesma palavra que "währen", "durar", "permanecer", "ficar". Pensamos a vigência, como uma duração daquilo que, tendo chegado a desencobrir-se, assim perdura e permanece. Desde o tempo posterior a Aristóteles, este significado de energeia, ficar e permanecer em obra foi entulhado por outros significados. Os romanos traduzem, isto é, pensam ergon a partir da operatio, entendida, como actio, e dizem para energeia actus, uma palavra inteiramente outra e com um campo semântico totalmente diverso. O vigente numa vigência aparece, então, como o resultado de uma operatio. O resultado é o que sucede a uma actio, é o sucesso. O real é, agora, o sucedido, tanto no sentido do que aconteceu, como no sentido do que tem êxito. Todo sucesso é produzido por algo que o antecede, a causa. É, então, que o real aparece à luz da causalidade da causa efficiens. Até Deus é representado na teologia, não na fé, como causa prima, causa primeira. Por fim, na busca da relação causa-efeito, a sucessividade vai se deslocando para o primeiro plano e com ela a sucessão temporal. Nos últimos trabalhos de W. Heinsenberg, o problema causal se reduz ao problema de uma pura medição matemática do tempo. Todavia, uma outra coisa, não menos essencial, acompanha a realidade do real. Sendo um resultado, o efeito é sempre feito de um fazer, isto é, de um fazer entendido, agora, como esforço e trabalho. O resultado do feito de um fazer é o fato. A expressão "de fato" indica, hoje em dia, uma certeza e significa "certo", "seguro". Assim, em vez de "é certamente assim", podemos dizer "é de fato assim" "é realmente assim". Ora, com o início da Idade Moderna, a palavra "real" assume, a partir do século XVII, o sentido de "certo". Não se trata de mero acaso e nem de um capricho inocente na evolução semântica de simples palavras.

No sentido de fato e fatual, o "real" se opõe ao que não consegue consolidar-se numa posição de certeza e não passa de mera aparência ou se reduz a algo apenas mental. Mas, mesmo nestas mudanças de significado, o real sempre conserva o traço mais originário de vigente, daquilo que se apresenta por si mesmo, embora se ofereça agora com menos ou com outra intensidade.

É que, agora, o real se propõe em efeitos e resultados. O efeito faz com que o vigente tenha alcançado uma estabilidade e assim venha ao encontro e de encontro. O real se mostra, então, como ob-jeto (Gegen-stand). [GA7]



Se expresso em função da Realität ou de algum outro modo, o problema da realidade do mundo externo envolve quatro questões distintas:

1. Há de fato alguma entidade "que transcenda a consciência" ?

2. Pode esta realidade do "mundo externo" ser provada de modo suficiente?

3. O quão profundamente podem estes entes, se eles são reais, ser conhecidos em seu ser-em-si-mesmo (An-sich-sein)l

4. O que diz de modo geral o sentido (Sinn) destes entes, cf. realidade?

As respostas de Heidegger são:

1. Sim, há entidades "que transcendem a consciência", mas esta é uma maneira equivocada de colocar a questão. Eu não sou um "sujeito sem mundo" ou consciência. Eu sou Dasein, e Dasein é essencialmente no mundo. Ser-no-mundo é anterior às minhas relações com os entes; não é do agregado dos entes que eu estou consciente. Nem é a consciência a minha relação primária com os entes. Eu manejo o martelo sem nenhuma consciência especial dele. Itens de que eu posso precisar mais tarde já estão lá, só que encobertos. A "consciência" sugere uma atenção focalizada que é inapropriada à maioria das minhas lidas com as coisas.

2. Não, a realidade do mundo externo não pode e nem precisa ser provada. Já que Dasein é no mundo, e qualquer um que tente provar a sua realidade é Dasein, estamos tentando provar o que já é óbvio para nós. Se tentarmos prová-lo, precisaremos achar premissas que não incorram em petição de princípio e não assumam que nós já somos no mundo. Isto leva à distorção acima mencionada de se reduzir, gradualmente, Dasein a uma consciência sem mundo. A conclusão supostamente estabelecida por tais provas via de regra representa enganosamente o mundo externo como uma coleção de coisas físicas simplesmente-dadas, prostradas ao lado de nossos estados de consciência simplesmente-dados. O que precisamos fazer com o cogito ergo sum de Descartes é não usá-lo para provar a realidade do mundo, mas invertê-lo, explorar o sum, meu ser, antes: ele se mostra como ser-no-mundo (SZ, 211; GA20, 210).

3. Deve-se interpretar a noção do "em si mesmo" antes de usá-la para caracterizar a realidade do mundo. Se o que as coisas são "em si mesmas" é contrastado com o que elas são para a consciência ou para o sujeito, nós já encontramos o " em si mesmo", já que a "consciência" e o "sujeito" foram substituídos pelo ser-no-mundo e Dasein. Quando uma pessoa está absorta no trabalho com um instrumento, o instrumento mostra-se "encoberto" e, assim, inconspícuo em um si mesmo. Quando nele nos concentramos e o consideramos como ser-simplesmente-dado, ele já não é "em si mesmo" e sim retirado de si mesmo por nossa intervenção. Não há razão alguma para se pensar que o ser-no-mundo tenha especial conexão com o ser-simplesmente-dado (SZ, 75s Cf. GA20, 299s).

4. Assim como o ser em geral, incluindo o ser-em-si-mesmo, a realidade depende da nossa compreensão do ser: "apenas enquanto Dasein é, i.e. enquanto a possibilidade ôntica da compreensão do ser é, ‘há’ [‘es gibt’] ser" (SZ, 212). Entes e entidades reais são independentes de Dasein, mas o ser e a realidade não são. A realidade é subordinada a Dasein como cura (cuidado); seu sentido foi dado acima. [DH]

Submitted on 25.08.2015 22:34
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