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subjectum

Definition:
VIDE sujeito

Como é possível que o ente se interprete da forma assinalada como subjectum e, em consequência, o subjetivo passe a dominar? Porque até Descartes, e inclusive dentro de sua metafísica, o ente, à medida que é um ente, é um sub-jectum (hypo-keimenon; v. hypokeimenon) isso que jaz por si mesmo diante e que, como tal, ao mesmo tempo é o fundamento de suas propriedades constantes e de seus estados mutáveis. A preeminência de um sub-jectum destacado por ser incondicionado desde o ponto de vista essencial (subjazendo como fundamento), nasce da aspiração do homem a um fundamentum absolutum inconcussum veritatis (de um fundamento da verdade, no sentido da certeza, que repousa em si mesmo e é inquebrantável). Por quê e como chega esta exigência a adquirir sua decisiva validade? A aspiração nasce daquela libertação pela qual o homem se liberta a si mesmo do poder vinculador da verdade cristã revelada e da doutrina da igreja em favor de uma normatividade que se baseie em si mesma e se disponha para si mesma. A partir desta libertação se recoloca novamente a essência da liberdade, isto é, o fato de estar atado a uma obrigação vinculadora. Porém, como, de acordo com esta liberdade, o homem que se auto-liberta é o mesmo que dispõe a obrigação vinculadora, a partir de então esta pode determinar-se de distintas maneiras. O vinculador pode ser a razão humana e sua lei ou o ente disposto e ordenado de maneira objetiva a partir desta razão ou aquele caos ainda não ordenado que, como ainda tem que ser dominado pela objetivação, exige sê-lo de fato em uma época.

Pois bem, sem sabê-lo, esta libertação se liberta sempre das amarras que o ligam à verdade revelada, na qual se dá ao homem a certeza a e segurança da salvação de sua alma. A libertação que se livra da certeza da salvação outorgada pela revelação, teria necessariamente que ser, em si mesma, uma libertação em favor de uma certeza na qual o homem se assegure do verdadeiro como aquilo sabido por seu próprio saber. Isto somente era possível na condição de que o homem que se libertava se fizesse garante da certeza daquilo que pudesse ser sabido. Porém, tal coisa podia somente ocorrer à medida que o homem decidisse por si mesmo e para si mesmo o que devia significar para ele os termos “possível de ser sabido”, “saber” e “asseguramento daquilo sabido” ou, o que é o mesmo, “certeza”. A tarefa metafísica de Descartes passou a ser a seguinte: criar o fundamento metafísico para a libertação do homem em favor de uma liberdade como autodeterminação com certeza de si mesma. Todavia, este fundamento não somente devia ser ele mesmo certo, mas que, dado que qualquer norma procedente de outros âmbitos era rechaçada, devia ser também de tal gênero que, graças a ele, a essência da liberdade à qual se aspirava, coloca-se como auto-certeza. Temos então que, tudo aquilo que tem certeza a partir de si mesmo, tem que assegurar também, ao mesmo tempo, a certeza daquele ente por meio do qual deve obter-se a certeza de semelhante saber e deve assegurar-se tudo aquilo suscetível de ser sabido. O fundamentum, o fundamento desta liberdade, o que subjaz em sua base, o subjectum, tem que ser, portanto, algo certo que satisfaça as citadas exigências essenciais. Passa a ser necessário um subjectum que se destaque desde todas essas perspectivas. Qual é esse elemento certo que conforma e dá lugar ao fundamento? O ego cogito (ergo) sum. O certo é uma proposição que expressa que ao mesmo tempo (simultaneamente e com uma mesma duração) que o pensar do homem, o homem mesmo está também indubitavelmente presente, o que agora significa que se deu a si mesmo ao mesmo tempo que o pensar. Pensar é representar, uma relação representadora com o representado (Idea como perceptio).

[...]

Toda relação com algo: o querer, o tomar posição, o sentir, já é, de saída, representadora, é cogitans, o que se costuma traduzir por “pensante”. É por isso que Descartes pode adjudicar-lhes a todos os modos da voluntas e do affectus e a todas as actiones e passiones, o nome de cogitatio, por chocante que resulte em um primeiro momento. No ego cogito sum o cogitare se entende neste sentido novo e essencial. O subjectum, a certeza fundamental, é a representação simultânea —assegurada em todo momento — do homem representador com o ente representado, sendo ou não humano, isto é, com o objetivo. A certeza fundamental é o me cogitare = me esse indubitavelmente representável e representado em todo momento. Eis a equação fundamental de todo calcular que se assegura de si mesmo. Na certeza fundamental, o homem está seguro de que, como aquele que re-presenta toda re-presentação e, portanto, como âmbito de toda representabilidade e, desse modo, de toda certeza e verdade, está assegurado, o que significa agora que é. É única e exclusivamente pelo fato de que o homem se vê necessariamente co-representado desta maneira na certeza fundamental (no fundamentum absolutum inconcussum do me cogitare = me esse) e porque o homem que se auto-liberta em favor de si mesmo forma necessariamente parte do subjectum desta liberdade, pelo que este homem pode e tem que converter-se nesse ente destacado, nesse subjectum, que em relação com o primeiro e verdadeiro ente(o ente certo) goza da primazia sobre todos os demais subjecta. O fato de que na equação fundamental da certeza e, depois, no autêntico subjectum se mencione o ego, não quer dizer que o homem esteja agora determinado segundo seu Eu, de modo egoísta. Isto unicamente quer dizer que ser sujeito se converte agora na característica distintiva do homem como ser pensante e representador. O eu do homem se põe a serviço deste subjectum. Certamente, a certeza que subjaz no fundo deste, é, como tal, subjetiva, isto é, reina na essência do subjectum, porém não é egoísta. A certeza tem caráter vinculador para todo eu como tal, isto é, como subjectum. Deste modo, tudo aquilo que deseja ver-se fixado como algo que é, como algo assegurado, por meio da objetivação representadora, tem também caráter vinculador. Porém, nada pode escapar ao controle desta objetivação, que também decide que coisas devem valer como objetos. A incondicionada eliminação dos limites do âmbito de uma possível objetivação e do direito de decidir sobre ela, forma parte da essência da subjetividade do subjectum e do homem como sujeito.

Agora também se esclareceu em que sentido o homem quer e deve ser, enquanto sujeito, medida e centro do ente, o que significa agora, dos objetos. O homem já não é metron no sentido da medida que constrange a apreensão ao correspondente círculo de desocultamento do presente, círculo no qual também todo homem vem à presença. Como subjectum, o homem é a co-agitatio do ego. O homem se fundamenta a si mesmo como medida para todas as escalas que se utilizam para medir de alguma maneira (para calcular) o que pode passar por certo, isto é, por verdadeiro, por algo que é. A liberdade é nova enquanto liberdade do subjectum. Nas “Meditationes de Prima Philosophia”, se reconduz a libertação do homem em favor de uma nova liberdade, ao seu fundamento, ao subjectum. Porém, nem a libertação do homem moderno começa com o cogito ergo sum, nem a metafísica de Descartes é uma metafísica construída a posteriori e desde fora por essa liberdade, ao modo de uma ideologia. Na cogitatio o representar reúne todo o objetivo na união da representabilidade. O ego do cogitare encontra agora sua essência nessa reunião auto-asseguradora da representabilidade, na con-scietia. A conscientia é a reunião representadora do objetivo com o homem representador dentro do círculo da representabilidade garantida por este. Todo o presente recebe dela o sentido e gênero de sua presença, que são concretamente os da presença na raepresentatio. A coscientia do ego enquanto subjectum da coagitatio determina o ser do ente enquanto subjetividade do subjectum desse modo destacado. [DZW]


As “Meditationes de Prima Philosophia” oferecem o esboço para uma ontologia do subjectum desde a perspectiva da subjetividade determinada como consciência. O homem se converteu no subjectum. Por isso, e conforme se compreenda a si mesmo e deseje ser, pode determinar e satisfazer a essência da subjetividade. O homem, entendido no Iluminismo como ser com razão, não é menos sujeito que o homem que se compreende como nação, que se quer como povo, crê na raça e finalmente outorga a si mesmo poderes para converter-se em dono e senhor do planeta. Temos então que, em todas estas posições fundamentais da subjetividade, e visto que o homem permanece determinado como eu e como tu, como nós e vós, é possível um tipo distinto de Eu e de egoísmo. O egoísmo subjetivo, para o qual, em geral sem que ele o saiba, o Eu é determinado previamente como sujeito, pode vir abaixo por causa da inclusão de tudo o que é relativo ao Eu dentro do nós. Com isto, a subjetividade não faz senão adquirir mais poder. No imperialismo planetário do homem tecnicamente organizado, o subjetivismo do homem alcança o seu topo mais alto, desde o qual descerá para instalar-se no plano da uniformidade organizada. Esta uniformidade passa a ser o instrumento mais seguro para o total domínio técnico da Terra. A liberdade moderna da subjetividade submerge por completo na objetividade adequada a ela. O homem não pode abandonar, por suas próprias forças, este destino de sua essência moderna nem tampouco pode quebrá-lo por meio de um ato de autoridade. O homem, porém, pode meditar previamente e concluir que o ser sujeito da humanidade nunca foi nem jamais será a única possibilidade que se abre a ele para a essência recém iniciada do homem histórico. Uma nuvem passageira sobre uma terra obscurecida: assim é o obscurecimento que a verdade preparada pela certeza da salvação do cristianismo, estende como certeza da subjetividade sobre um acontecimento que não está permitido a ele conhecer. [DZW]

Submitted on 22.07.2019 23:24
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