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ser-no-mundo

Definition:
In-der-Welt-Sein

SZ envolve duas visões divergentes do (ser-no-)mundo:

1. O mundo é introduzido por meio do Umwelt familiar, e o ser-no-mundo mantém um tom de familiaridade, de saber seu próprio caminho no mundo (SZ, 80). As coisas se entrelaçam, formando um mundo unificado pela significação: os instrumentos que usamos referem-se a outros instrumentos, que juntos formam um local de trabalho, por sua vez referido ao mundo mais amplo além do local de trabalho. O martelo do artesão refere-se aos seus pregos, à madeira e ao couro, e ao banco no qual ele trabalha; além do local de trabalho estão seus clientes, as vacas que fornecem o couro, a floresta que fornece a madeira, e desta forma expandem-se indefinidamente círculos de familiaridade cada vez mais remota.

2. Em certos humores, notavelmente a angústia, coisas cotidianas perdem sua significação: "A familiaridade cotidiana entra em colapso. Dasein foi individualizado, mas individualizado como ser-no-mundo. Ser-em entra no ‘modo’ existencial do ‘não-estar-em-casa’" (SZ, 189). Dasein já não está mais "em casa" no mundo, embora nunca tenha cessado de ser no mundo; ele não o poderia fazer sem cessar de ser Dasein.

Logo depois de SZ, Heidegger distancia-se do mundo no sentido 1; ele o faz, caracteristicamente, reclamando que foi mal interpretado: "A análise existencial da cotidianidade não tenciona descrever como lidamos com a faca e o garfo" (GA3, 235/160) ou "mostrar que a essência do homem consiste em manusear uma colher e um garfo e em viajar de trem" (GA29, 263). O Umwelt, tão central em SZ e tão negligenciado por filósofos anteriores, é agora considerado meramente um modo preliminar de introduzir o mundo como totalidade e a relação de Dasein com mundo (ER, 80n.55). O mundo familiar no sentido 1 não precisa elevar-se aos "entes como um todo". (SZ refere-se apenas uma vez a das Seiende IM Ganzen (248), em um sentido depreciativo.) A questão de saber se mundo inclui Alfa Centauro, ou de onde encontra-se sua fronteira, não é levantada. Quando a angústia priva as coisas do seu significado, o mundo torna-se descentrado, e inclui o remoto assim como o próximo — entes (enquanto tais) como um todo. Este é o mundo que interessa ao metafísico e, ao menos por um tempo, ao próprio Heidegger. Ele cita Periandro de Corinto: meleta to pari, "Cuida da totalidade" (GA6, 475/N3, 5; GA15, 263/162).

ER declara que a explicação de SZ de mundo exclui a natureza (ER, 82s). Em meados da década de 1930, Heidegger contorna isto ao contrastar o mundo com a terra que o fundamenta e se lhe contrapõe (UK, 35ss/171ss; NI, 170/N1, 145; GA65, 7). O mundo já não equivale aos entes como um todo, embora deva haver mundo para haver entes como um todo: poderia haver entes sem um mundo, mas não entes como um todo. Heidegger não simplesmente retorna ao mundo no sentido 1 de SZ. O mundo é agora mais explicitamente histórico do que em SZ: "Os mundos articulam-se [sich fügen] e decaem, as terras abrem-se e sofrem destruição" (GA65, 476). Mundos e terras (aproximadamente, civilizações e seus lugares naturais) vêm e vão. Ainda mais tarde, Welt retoma sua posição como um título para os entes como um todo, abarcando terra, céu, homens e deuses (COISA, 172/180).

O mundo e os entes como um todo não são um ente, nem simplesmente um somatório de entes. Heidegger considera até temerário dizer que mundo é, ou aplicar a mundo o verbo "ser". Diz, algumas vezes, que mundo "gira" (waltet, lit. "prevalece etc.") e/ou "mundaniza" (weltet) (ER, 102; GA29, 530). Cf. GA56/57, 73, onde es weltet, "mundaniza-se", é usado para transmitir nossa experiência do instrumento no Umwelt, em contraste com um mero "algo", Etwas). Como no caso de tempo, espaço e o nada, Heidegger apropria-se, ou cunha, um verbo feito sob medida para o substantivo, quando um fenômeno não pode ser adequadamente transmitido pelo seu uso padrão. [DH]


Porque se diz que o ser do homem consiste em "ser-no-mundo", acha-se que o homem foi degradado, reduzido a um ser meramente mundano (diesseitig), com o que a filosofia cai no positivismo. Pois, o que é "mais lógico" do que isto: quem afirma a mundaneidade do ser do homem, só dá valor ao mundano, nega o Além (das Jenseitige) e renuncia a toda "transcendência"? [CartaH]


A indicação do "ser-no-mundo", como sendo o traço fundamental da humanitas do homo humanus não afirma que o homem é, meramente, um ser "mundano" no sentido cristão do termo, qual seja, apartado de Deus e desligado da "transcendência". Procura-se exprimir com a palavra "transcendência" o que, com maior clareza, deveria ser chamado de transcendente. Pois o transcendente é o ente supra-sensível, considerado o ente supremo no sentido da causa primeira de todo ente. Pensa-se Deus como essa causa primeira. Ora, "mundo", na expressão, "ser-no-mundo", não significa, de forma alguma, ente terreno em oposição ao celeste nem "mundano" em oposição ao "espiritual’. "Mundo" não significa nenhum ente ou domínio de entes mas a abertura do Ser. O homem é — e é homem — na medida em que é o ec-sistente. O homem está ex-posto à abertura do Ser, que é como abertura. Sendo o lance, (Wurf), o Ser lançou para si a Essência do homem na "cura". Lançado desse modo, o homem está "na" abertura do Ser. "Mundo" é a clareira do Ser, à qual o homem se ex-põe por sua Essência lançada. O "ser-no-mundo" evoca a Essência da ec-sistência no tocante (im Hinblick auf) à dimensão clareada, a partir da qual se essencializa o "ec-" da ec-sistência. Pensado a partir da ec-sistência, o "mundo" é, de certo modo, o além (das Jenseitige) dentro e para a ec-sistência. O homem nunca é homem, aquém do mundo, como um "sujeito", quer se entenda sujeito como "eu ou como "nós". Nem tampouco o homem é primeiro e somente sujeito enquanto se refere sempre a objetos, de sorte que sua Essência esteja na relação sujeito-objeto. Ao contrário, o homem é, em sua Essência, primeiro ec-sistente na abertura do Ser. E é o que se abre na abertura (das Offene), que clareia o meio" (das "Zwischen") no qual pode "ser" uma "relação" do sujeito para o objeto.

A frase: a Essência do homem repousa no ser-no-mundo, também não contém nenhuma decisão, se, tomando o termo em sentido teológico-metafísico, o homem é apenas um ser desse mundo (diesseitig) ou um ser do outro mundo (jenseitig). [CartaH]


A expressão "ser-no-mundo" que caracteriza a transcendência nomeia um "estado de coisas" e, na verdade, um que aparentemente se compreende com facilidade. Contudo, o que com isto é visado depende da condição de o conceito de mundo ser tomado num sentido pré-filosófico vulgar ou num sentido transcendental. A análise de uma dupla significação do discurso sobre o ser-no-mundo pode esclarecer isto.

Transcendência concebida como ser-no-mundo, quer atribuir-se ao ser-aí humano. Isto é, porém, afinal o mais trivial e o mais vazio que se deixa enunciar: o ser-aí também aparece entre os outros entes e é por isso também encontrável. Transcendência significa então: fazer parte do resto do ente que já subsiste puramente ou que respectivamente pode ser multiplicado continuamente até o ilimitado. Mundo é, então, a expressão que resume tudo o que é, a totalidade, como unidade que determina o "tudo" como uma reunião e nada mais além. Se se toma como base para o discurso sobre o ser-no-mundo este conceito de mundo, então, sem dúvida, a "transcendência" deve ser atribuída a cada ente como puramente subsistente. Puramente subsistente, isto é, o que ocorre entre outras coisas, "está no mundo". Se "transcendente" não diz nada mais que "fazendo parte dos restantes entes", então é evidentemente impossível predicar a transcendência como constituição essencial característica do ser-aí humano. A proposição: da essência do ser-aí humano faz parte o ser-no-mundo é então mesmo evidentemente falsa. Pois não é essencialmente necessário que entes como o ser-aí humano existam faticamente. É claro que pode não ser.

Se, no entanto, por outro lado o ser-no-mundo é predicado do ser-aí com razão e exclusividade, e em verdade como constituição fundamental, então esta expressão não pode ter a significação acima citada. Então mundo também significa algo diferente que a totalidade do ente subsistente, que por acaso subsiste.

Predicar do ser-aí o ser-no-mundo como constituição fundamental significa enunciar algo sobre sua essência (sua mais própria possibilidade interna enquanto ser-aí). Neste caso não se pode justamente considerar-se como instância orientadora se e qual ser-aí, agora justamente, existe faticamente ou não. O discurso que trata do ser-no-mundo não é uma verificação da ocorrência fática de ser-aí; é, aliás, de maneira alguma, uma enunciação ôntica. Ela se refere a um estado de coisas essencial (Wesensverhalt) que determina o ser-aí em geral e tem como consequência o caráter de uma tese ontológica. Por conseguinte, importa: o ser-aí não é um ser-no-mundo pelo fato de, e apenas pelo fato de, existir faticamente; mas, pelo contrário, somente pode ser como existente, isto é, como ser-aí, porque sua constituição essencial reside no ser-no-mundo.

A proposição: o ser-aí fático está num mundo (ocorre entre outros entes) se trai como uma tautologia que nada diz. A enunciação: faz parte da essência do ser-aí o fato de estar no mundo (de também ocorrer "ao lado" de outros entes) se mostra falsa. A tese: da essência do ser-aí como tal faz parte o ser-no-mundo contém o problema de transcendência.

A tese é originária e simples. Disto não segue a facilidade de sua revelação, ainda que o ser-no-mundo somente possa - sempre apenas num único projeto com diferentes graus de transparência - ser elevado ao nível de uma compreensão preparatória a ser novamente (em verdade sempre relativamente) complementada conceitualmente.

Com a caracterização de ser-no-mundo realizada até agora, a transcendência do ser-aí foi determinada apenas defensivamente. Da transcendência faz parte mundo, como o horizonte em direção do qual acontece a ultrapassagem. O problema positivo do que se deve entender por mundo, de como se deve determinar a "referência" do ser-aí ao mundo, isto é, de como deve ser compreendido o ser-no-mundo como constituição do ser-aí originariamente unida, tudo isto somente será analisado por nós naquela direção e nos limites que são exigidos pelo problema do fundamento que nos orienta. Com esta intenção tentaremos uma interpretação do fenômeno do mundo, que deverá ser de utilidade para a clarificação da transcendência como tal. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]

Submitted on 15.03.2012 14:36
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