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filosofia

Definition:
Toda questão essencial da filosofia acha-se necessariamente fora de seu tempo (unzeitgemäss). Por duas razões principais. Ou porque a filosofia se projeta para muito além da atualidade. Ou então, porque faz remontar a atualidade a seu passado-presente (Gewesenes) originário. Como quer que seja, o filosofar é e permanecerá sempre um saber, que não só não se deixa moldar pela medida do tempo (zeitgemäss), mas ainda submete o tempo (Zeit) à sua própria medida (Mass).

A filosofia se acha necessariamente fora de seu tempo, por pertencer àquelas poucas coisas, cujo destino consiste em nunca poder nem dever encontrar ressonância imediata na atualidade. Onde tal parece ocorrer, onde uma filosofia se transforma em moda, é porque ou não há verdadeira filosofia ou uma verdadeira filosofia foi desvirtuada e absurda segundo propósitos alheios, para satisfazer às necessidades do tempo.

Por isso também a filosofia não é um saber, que, à maneira de conhecimentos técnicos e mecânicos se possa aprender diretamente ou, como uma doutrina econômica e formação profissional, se possa aplicar imediatamente e avaliar de acordo com sua utilidade.

Todavia, o que é inútil, pode ser, e justamente o inútil, uma força. O que desconhece toda ressonância imediata na prática de todos os dias, pode estar em profunda consonância (Einklang) com o que propriamente acontece (Geschehen) na História (Geschichte) de um povo. Pode até mesmo ser a sua pré-sonância (Vorklang) e prenúncio. O que se acha fora do tempo, terá seu próprio tempo. É o que vale da filosofia. E é esta a razão de não se poder estatuir de per si e em geral a missão da filosofia e por conseguinte também, o que dela é de se esperar. Cada estádio e cada princípio (Anfang) de seu desenvolvimento traz consigo sua própria lei. Somente, o que a filosofia não pode ser nem prestar, pode-se dizer. [GA40]


O pensamento por vir já não é filosofia, porque ele pensará mais originariamente do que a metafísica, que é a mesma coisa (de filosofia). Mas também o pensamento vindouro já não poderá, como queria Hegel, depor o nome de "amor à sabedoria" e se tornar a própria sabedoria na forma do saber absoluto. O pensamento se encontra na descida para a pobreza de sua Essência prévia. O pensamento recolhe e concentra a linguagem no dizer simples. E assim a linguagem é a linguagem do Ser, como as nuvens são as nuvens do céu. Com seu dizer o pensamento abre sulcos invisíveis na linguagem. Eles são mais invisíveis do que os sulcos que rasga, no campo, o camponês de andar vagaroso. [CartaH]


O ser-aí [Dasein] humano somente pode entrar em relação com o ente [Seiende] se se suspende dentro do nada [Nichts]. O ultrapassar [Hinausgehen] o ente acontece na essência [Wesen] do ser-aí. Este ultrapassar, porém, é a própria metafísica. Nisto reside o fato de que a metafísica pertence à "natureza do homem". Ela não é uma disciplina da filosofia "acadêmica", nem um campo de ideias arbitrariamente excogitadas. A metafísica é o acontecimento essencial [Grundgeschehen] no âmbito de ser-aí. Ela é o próprio ser-aí. Pelo fato de a verdade [Wahrheit] da metafísica residir neste fundamento abissal possui ela, como vizinhança mais próxima, sempre à espreita, a possibilidade do erro mais profundo. É por isso que nenhum rigor de qualquer ciência alcança a seriedade da metafísica. A filosofia jamais pode ser medida pelo padrão da ideia da ciência.

Se realmente acompanhamos, com nossa interrogação, a questão desenvolvida em torno do nada, então não nos teremos representado a metafísica apenas do exterior. Nem nos transportamos também simplesmente para dentro dela. Nem somos disso capazes porque - na medida em que existimos - já sempre estamos colocados dentro dela. Physei gár, o phile, énestí tis philosophia te tou andrós diánoia (Platão, Fedro 279a). Na medida em que o homem existe, acontece, de certa maneira, o filosofar. Filosofia - o que nós assim designamos - é apenas o pôr em marcha a metafísica, na qual a filosofia toma consciência de si e conquista seus temas expressos. A filosofia somente se põe em movimento por um peculiar salto [Einsprung] da própria existência nas possibilidades fundamentais do ser-aí, em sua totalidade. Para este salto são decisivos: primeiro, o dar espaço para o ente em sua totalidade [Seiende im Ganzen]; segundo, o abandonar-se para dentro do nada [Sichloslassen in das Nichts], quer dizer, o libertar-se dos ídolos que cada qual possui e para onde costuma refugiar-se sub-repticiamente; e, por último, permitir que se desenvolva este estar suspenso [Ausschwingenlassen
dieses Schwebens] para que constantemente retorne à questão fundamental da metafísica que domina o próprio nada: Por que existe afinal ente e não antes nada [Nichts]? [MHeidegger O QUE É METAFÍSICA?]


O senso comum apela à evidência do ente revelado e qualifica toda interrogação filosófica de atentado contra ele mesmo e sua infeliz suscetibilidade.

Entretanto, o que o bom senso, antecipadamente justificado em seu âmbito próprio, pensa da filosofia, não atinge a essência dela. Esta somente se deixa determinar a partir da relação com a verdade originária do ente enquanto tal e em sua totalidade. Mas pelo fato de a plena essência da filosofia incluir sua não-essência e imperar originariamente sob a forma da dissimulação, a filosofia, enquanto põe a questão desta verdade, é ambivalente em si mesma. Seu pensamento é a tranquilidade da mansidão que não se nega ao velamento do ente em sua totalidade. Mas seu pensamento é também, ao mesmo tempo, a decisão enérgica do rigor, que não rompe o velamento, mas que impele sua essência intacta para dentro da abertura da compreensão, e desta maneira, para dentro de sua própria verdade.

No manso rigor e na rigorosa mansidão do deixar-ser do ente como tal em sua totalidade, a filosofia se desenvolve e transforma numa interrogação que não se atém unicamente ao ente, mas também não tolera nenhuma injunção exterior. Esta íntima indigência do pensamento, Kant a pressentiu, pois disse da filosofia: "Vemos aqui a filosofia colocada numa situação critica: é preciso que ela encontre uma posição firme, sem saber entretanto, nem no céu nem na terra, de um ponto em que possa suspender ou apoiar. É preciso que a filosofia manifeste aqui sua pureza, fazendo-se guardiã de suas próprias leis, em vez de ser o apanágio daqueles que lhe sugerem um sentido inato ou não sei que natureza tutelar..." (Kant, Fundamento da Metafísica dos Costumes, Obras da Edição da Academia, volume IV, p. 425).

Interpretando, desta maneira, a essência da filosofia, Kant, cuja obra introduz o último período da metafísica ocidental, olha para um domínio que, de acordo com sua postura metafísica, fundada sobre a subjetividade, ele não podia compreender, a não ser a partir desta última. E por isso que a filosofia devia ser interpretada por Kant como guardiã de suas próprias leis. Esta concepção essencial da destinação da filosofia é, contudo, suficientemente ampla para rejeitar toda subordinação de seu pensamento. Subordinação, cuja forma mais flagrante se dissimula sob o pretexto de ainda admitir a filosofia como "expressão" da "cultura" (Spengler) ou como luxo de uma humanidade entregue ao seu trabalho.

Se, todavia, a filosofia realiza sua essência assim como lhe foi originariamente posta enquanto "guardiã de suas próprias leis" ou se, pelo contrário, é primeiramente sustentada e determinada em sua atitude de guardiã pela verdade daquilo de onde suas leis recebem o caráter de leis, isto se decide a partir da originalidade com a qual a essência primeira da filosofia se tornará fundamental para a interrogação filosófica. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]

Submitted on 25.10.2010 19:43
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