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liberdade

Definition:
Freiheit

O homem é essencialmente livre: "A liberdade não é uma propriedade [Eigenschaft, ‘qualidade’] do homem; o homem é a propriedade [Eigentum, ‘possessão’] da liberdade" (SZEHF, 11/9). Heidegger distingue sete variedades de liberdade: 1. a habilidade de transformar a si mesmo; 2. libertação, libertar-se de...; 3. ligar-se a, liberdade para...; 4. dominação da sensualidade (liberdade inautêntica); 5. determinação de si a partir da lei de sua própria essência (liberdade autêntica); 6. a capacidade para o bem e para o mal; 7. liberdade da indiferença (SZEHF, 106/88, 117/97, 123/102). Apenas 2, 3 e 5 são de muita importância para ele. A liberdade é negativa — libertar-se de ... (compulsão etc.), e positiva — liberdade para ... Se eu sou livre para adorar a Deus, preciso estar livre de Deus, livre para me desviar de Deus, não determinado ou compelido por Deus para adorá-lo (GA31, 6s). Por outro lado, a liberdade negativa é sem sentido, a não ser que eu também esteja livre para várias coisas. Não coisas aleatórias: a liberdade envolve o "obrigatório" (das Verbindliche) ou "o que liga" (Bindung) (GA26, 247). O obrigatório não me é imposto externamente. Não há valores ou leis independentemente de nós mesmos: a liberdade prática é a legislação de si (GA31, 294, 296). Mas deve haver coisas que preciso fazer, se estiver motivado a fazer o que quer que seja — mesmo que, em última instância, seja por minha própria escolha que devo fazê-las.

Na década de 1920, a liberdade desempenha um papel central na formação do mundo. Em meados da década de 1930, ela perde este papel, já que é o próprio ser (ou ainda o "ser"), não o homem ou Dasein, que inicia um mundo (SZEHF, 232/192). Mas o ser ainda precisa do homem para manter os entes na sua verdade ou desvelamento. Portanto: "A essência da verdade é a liberdade", uma liberdade que consiste em "deixar os entes serem" (EV, 185ss/124ss). Se deixo os entes serem, eles me deixam ser, permitindo-me a liberdade de movimento. É uma força interna, o pensamento, que nos conduz, não nosso milieu; nós escolhemos nosso meio ambiente e a sua interpretação: "O milieu sozinho não explica nada; não há milieu em si mesmo" (GA6, 273/N2, 23).

"Liberdade" é uma daquelas "palavras básicas" (Grundworte) cujo significado varia ao longo da história (N1, 168s/N1, 143s). Mas apenas dentro de certos limites. A conexão de liberdade com liberdade de movimento, obrigatoriedade e responsabilidade (GA31, 262) permanece constante. Mas o conteúdo da liberdade, o que é exigido de alguém se ele deve ser livre, varia. O que era exigido na época medieval era a livre aceitação da fé cristã em função da salvação eterna. Descartes e sua geração nos liberaram desta obrigação, localizando a liberdade no "livre desdobramento de si de todas as capacidades criativas do homem" (GA6I, 133/N4, 89). Mas, "toda liberação genuína não é apenas uma fuga dos grilhões e uma irradiação de vínculos. Ela é, sobretudo, uma nova concepção de liberdade" (GA6I, 143/N4, 97). Liberação da velha liberdade é liberação para uma nova liberdade, estabelecendo novas necessidades e obrigações. Mas agora a obrigação é explicitamente concebida como estabelecida pelo próprio homem: na terminologia de Kant, "o homem legisla a si mesmo, escolhe o obrigatório e a ele se ata" (N2, 143/N4, 97s). Heidegger não considera, como Hegel, esta mudança como um alargamento da liberdade. Ela é simplesmente a substituição de um tipo de liberdade por outro.

Será que estas mudanças continuarão para sempre? Heidegger considera a possibilidade de que a tecnologia, enraizada na visão moderna antropocêntrica da liberdade e incapaz de deixar os entes serem, subverterá a liberdade pela redução do homem ao "animal tecnificado [technisierte]" (GA65, 98, 275), que não mais transcende ao mundo, e não é mais livre do que os outros animais. Mas também é possível que a tecnologia possa acomodar-se em uma nova e radical "fundamentação do Da-sein" e, portanto, da liberdade (GA65, 275). [DH]


A essência da liberdade não pertence originariamente à vontade e nem tampouco se reduz à causalidade do querer humano.

A liberdade rege o aberto, no sentido do aclarado, isto é, do des-encoberto. A liberdade tem seu parentesco mais próximo e mais íntimo com o dar-se do desencobrimento, ou seja, da verdade. Todo desencobrimento pertence a um abrigar e esconder. Ora, o que liberta é o mistério, um encoberto que sempre se encobre, mesmo quando se desencobre. Todo desencobrimento provém do que é livre, dirige-se ao que é livre e conduz ao que é livre. A liberdade do livre não está na licença do arbitrário nem na submissão a simples leis. A liberdade é o que aclarando encobre e cobre, em cuja clareira tremula o véu que vela o vigor de toda verdade e faz aparecer o véu como o véu que vela. A liberdade é o reino do destino que põe o desencobrimento em seu próprio caminho. [GA7, pag. 28]


A análise do "princípio da razão" remeteu o problema do fundamento para o âmbito da transcendência (I). Esta foi determinada, pela via de uma análise do conceito de mundo, como o ser-no-mundo do ser-aí. Trata-se agora de clarificar a essência do fundamento a partir da transcendência do ser-aí.

Em que medida reside na transcendência a possibilidade interna para algo tal como fundamento em geral? O mundo se dá ao ser-aí como a respectiva totalidade do em-vista-de-si-mesmo, isto é, do em-vista-de um ente que é co-originariamente: o ser-junto-do..., ente puramente subsistente, o ser-com com... ser-aí de outros e ser-para... si mesmo. O ser-aí só pode, desta maneira, ser para si como para si mesmo, se "se" ultrapassa no em-vista-de. A ultrapassagem com o caráter de em-vista-de somente acontece numa "vontade", que como tal se projeta sobre possibilidades de si mesmo. Esta vontade, que essencialmente sobre-(pro-)jeta e por isso projeta ao ser-aí o em-vista-de-si-mesmo, não pode, por conseguinte, ser um determinado querer, um "ato de vontade", à diferença de outros comportamentos (por exemplo, representar, julgar, alegrar-se). Todos os comportamentos radicam na transcendência. Aquela vontade, porém, deve "formar", como ultrapassagem nela, o próprio em-vista-de. Aquilo, entretanto, que, segundo sua essência, antecipa projetando algo tal como em-vista-de em geral e não o produz também como eventual resultado de um esforço, é o que chamamos liberdade. A ultrapassagem para o mundo é a própria liberdade. Por conseguinte, a transcendência não se depara com o em-vista-de como com um valor ou fim por si existente; mas liberdade - é, na verdade, como liberdade - mantém o em-vista-de em-face-de-si (entegegen). Neste manter-em-face-de-si do em-vista-de, pelo transcender, acontece o ser-aí no homem, de tal maneira que, na essência de sua existência, pode ser responsável por si, isto é, pode ser um (si) mesmo livre. Aqui, porém, se desvela a liberdade, ao mesmo tempo, como a possibilitação de compromisso e obrigação em geral. Somente a liberdade pode deixar imperar e acontecer um mundo como mundo (welten). Mundo jamais é, mas acontece como mundo (weltet).

Em última análise, reside, nesta interpretação de liberdade conquistada a partir da transcendência, uma originária caracterização de sua essência em face da determinação da mesma como espontaneidade, isto é, como uma espécie de causalidade. O começar-por-si-mesmo dá apenas a característica negativa da liberdade, isto é, de que mais para trás não reside uma causa determinante. Esta determinação, porém, passa por alto, antes de tudo, o fato de que fala de "começar" [Anfangen] e "acontecer" [Geschehen] sem fazer uma diferenciação ontológica, sem que o ser-causa seja caracterizado expressamente e a partir do modo específico de ser do ente que é assim, do ser-aí. Se, por conseguinte, a espontaneidade ("começar-por-si-mesmo") deve poder servir como caracterização essencial do "sujeito", então se requerem duas coisas: 1. A mesmidade [Selbstheit] deve estar ontologicamente esclarecida para uma possível e adequada formulação do "por-si" [von selbst]. 2. Desta mesma clarificação da mesmidade deve decorrer o esboço do caráter do acontecer de um mesmo, para poder determinar a modalidade de movimento do "começar". A mesmidade do mesmo que já está na base de toda a espontaneidade, reside, porém, na transcendência. Aquilo que, projetando e trans-(pro-)jetando, faz imperar o mundo é a liberdade. Só porque ela constitui a transcendência, pode ela manifestar-se, no ser-aí existente, como tipo privilegiado de causalidade. A explicitação da liberdade como "causalidade" se move, porém, já, antes de tudo, dentro de uma determinada compreensão de fundamento. A liberdade como transcendência não é, contudo, apenas uma "espécie" particular de fundamento, mas a origem do fundamento em geral. Liberdade é liberdade para o fundamento. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]


Assim, pois, também o princípio da razão continua perturbando a essência do fundamento e sufoca, na sua forma sancionada de princípio, uma problemática que primeiro sacudiria a ele mesmo. Mas esta "desordem" e perturbação não devem, porventura, ser imputadas à presumível "superficialidade" de filósofos isolados e não podem por isso também ser superados por um assim-dito "progresso" ("Weiterkommen") mais radical. O fundamento tem sua desordem (não-essência) porque brota da liberdade finita. Ela mesmo não se pode subtrair ao que dela assim brota. O fundamento, que transcendendo brota, remonta à própria liberdade, e esta, como origem, se transforma ela mesma em fundamento. A liberdade é a razão do fundamento (o fundamento do fundamento). Isto, sem dúvida, não no sentido de uma "interação" formal sem fim. O ser-fundamento da liberdade não possui - isto facilmente se está tentado a pensar - o caráter de um dos modos de fundar, mas se determina como a unidade fundante da distribuição transcendental do fundar. Enquanto este fundamento, porém, a liberdade é o abismo (sem-fundamento) do ser-aí. Não que o comportamento individual livre seja sem razão de ser (grundlos); mas a liberdade situa, em sua essência como transcendência, o ser-aí como poder-ser diante de possibilidades, que se escancaram diante de sua escolha finita, isto é, que se abrem em seu destino. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]


De onde recebe a enunciação apresentativa a ordem de se orientar para o objeto, de se pôr de acordo segundo a lei da conformidade? Por que é este acordo co-determinante da essência da verdade? Como pode unicamente efetuar-se a antecipação do dom [Vorgabe] de uma medida e como surge a injunção de se ter que pôr de acordo? É isto que somente se realizará se esta doação prévia [Vorgeben] nos tiver instaurado como livres, dentro do aberto, para algo que nele se manifesta e que vincula toda apresentação. Liberar-se para uma medida que vincula somente é possível se se está livre para aquilo que está manifesto no seio do aberto. Maneira semelhante de ser livre se refere à essência até agora incompreendida da liberdade. A abertura que mantém o comportamento, aquilo que torna intrinsecamente possível a conformidade, se funda na liberdade. A essência da verdade é a liberdade.

Não substitui, porém, esta afirmação sobre a essência da conformidade uma "evidência" [Selbstverständlichkeit] por outra? Uma ação obviamente não se pode realizar a não ser através da liberdade de quem age. O mesmo acontece com a ação de enunciar apresentando, e com a ação de consentir ou recusar uma "verdade".

Esta tese, entretanto, não significa que para levar a termo uma enunciação, para comunicá-la ou assimilá-la, se deva agir sem constrangimento. A afirmação diz: a liberdade é a própria essência da verdade. Entendamos aqui por "essência" o fundamento da possibilidade intrínseca daquilo que imediata e geralmente é admitido como conhecido. Todavia, no conceito de liberdade nós não pensamos a verdade e muito menos sua essência. A tese segundo a qual a essência da verdade (a conformidade da enunciação) é a liberdade deve, portanto, surpreender.

Situar a essência da verdade na liberdade não significa, por acaso, entregar a verdade ao arbítrio humano? Pode-se sabotar mais profundamente a verdade do que a abandonando ao arbítrio deste "caniço instável"? O que constantemente se impôs ao bom senso durante a discussão manifesta-se agora de modo mais claro: a verdade é aqui deslocada para a subjetividade do sujeito humano. Mesmo que este sujeito tenha acesso a uma objetividade, ela permanece, porém, do mesmo modo humana como esta subjetividade e posta à disposição do homem.

Põe-se, sem dúvida, na conta do homem, a falsidade e a hipocrisia, a mentira e o engano, o logro e a simulação, numa palavra, todos os modos da não-verdade. Mas já que a não-verdade é o contrário da verdade, tem-se o direito de afastá-la do âmbito de interrogação pela pura essência da verdade com relação à qual aquela é inessencial [Unwesen]. Esta origem humana da não-verdade apenas confirma, por oposição, que a essência da verdade "em si" reina "acima" do homem. Ela é tida pela metafísica como eterna e imperecível, e jamais poderá ser edificada sobre a instabilidade do frágil ser humano. Como pode, ainda assim, a essência da verdade encontrar seu apoio e fundamento na liberdade do homem?

A hostilidade contra a tese que diz que a essência da verdade é a liberdade apoia-se em preconceitos dos quais os mais obstinados são: a liberdade é uma propriedade do homem; a essência da liberdade não necessita nem tolera mais amplo exame; o que é o homem, cada qual sabe. [MHeidegger - SOBRE A ESSÊNCIA DA VERDADE]


A liberdade assim compreendida, como deixar-ser do ente, realiza e efetua a essência da verdade sob a forma do desvelamento do ente. A "verdade" não é uma característica de uma proposição conforme, enunciada por um "sujeito" relativamente a um "objeto" e que então "vale" não se sabe em que âmbito; a verdade é o desvelamento do ente graças ao qual se realiza uma abertura. Em seu âmbito se desenvolve, ex-pondo-se, todo o comportamento, toda tomada de posição do homem. É por isso que o homem é ao modo da ek-sistência. [MHeidegger - SOBRE A ESSÊNCIA DA VERDADE]

Submitted on 14.03.2012 22:26
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