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ciência

Definition:
Wissenschaft

A ciência não é o caminho primordial pelo qual descortinamos o mundo. Antes da ciência, o "solo se descobre [...] no cultivo dos campos, o mar na navegação" (GA27, 162). A ciência pressupõe uma compreensão pré-científica e pré-ontológica do ser. Uma ciência não é primordialmente um conjunto de proposições, nem a descoberta de novos fatos. Fatos e proposições pressupõem um desencobrimento anterior de entes. O que acontece na ciência é uma mudança nas "questões propostas e no modo de ver — os fatos mudam em consequência disto." Explicações psicológicas e sociológicas da ciência são de pouco uso: "Uma sociologia deste tipo mantém a mesma relação com a ciência efetiva e com a sua compreensão filosófica que manteria o assaltante com o arquiteto ou [...] com o artesão honesto" (GA29, 379). A ciência não é meramente teórica; ela realiza experimentos práticos e constrói instrumentos. "Dasein contemplativo não é ciência" (GA27, 178)."Ciência significa: estar no desencobrimento de entes em função do desencobrimento" (GA27, 179, cf. FT, 48/6). Todo Dasein está "na verdade" e "deixa os entes serem [Seinlassen des Seienden]", mas a ciência valoriza a verdade em função de si mesma e deixa os entes serem de um modo especial. O conhecimento implícito sobre resistência, pressão e suas regularidades, que adquirimos lidando com utensílios, expande-se pela ciência para um conhecimento explícito das leis da pressão e resistência como tais, leis que ultrapassam a região de nossa atividade e envoGA56/57mento práticos e cotidianos. A ciência abstrai nossos afazeres práticos. Ela vê o arado como um ser-simplesmente-dado, não como um utensílio. Ela pressupõe uma "simples olhadela [nur Hinsehen]" para as coisas, um modo de deixá-las ser que não é fácil de atingir. Além do mais, a mera inatividade, o cessar de lidar com as coisas, não necessariamente as revela como são "em si mesmas"; pode revelá-las como reclamando por algum trabalho que nelas se possa fazer. A ciência, essencialmente, não descobre novos entes, apenas um modo novo de olhar para velhos entes, de enxergar o ser. Esta é a essência da física matemática de Galileu, não a indução e o experimento, que pressupõem um conceito da natureza como homogênea e portanto matemática (GA27, 179ss). Esta visão da natureza é uma "projeção [Entwurf] da coisidade das coisas como saltos por sobre as coisas", uma "intervenção antecipadora [Vorausgriff] na essência das coisas", um "projeto fundamental [Grundriss]" (GA41, 71/29ls). Assim sendo, "não se pode dizer que a teoria de Galileu da queda livre dos corpos é verdadeira e a teoria de Aristóteles de que corpos leves tendem a subir é falsa; pois a concepção grega da essência do corpo, do lugar e da relação entre ambos baseia-se em uma interpretação diferente dos entes, engendrando, assim, um modo diferente de enxergar e examinar processos naturais". Afirmar o contrário equivaleria a dizer que a poesia de Shakespeare é melhor do que a de Ésquilo (DZW, 71/117). [DH]


Como a arte, a ciência tampouco é, apenas, um desempenho cultural do homem. É um modo decisivo de se apresentar tudo que é e está sendo.

Por isso devemos dizer: o que se chama de ciência ocidental europeia determina também, em seus traços fundamentais e em proporção crescente, a realidade na qual o homem de hoje se move e tenta sustentar-se.

Meditando o sentido deste processo, percebe-se que, no mundo do Ocidente e nas épocas de sua história, a ciência desenvolveu um poder que não se pode encontrar em nenhum outro lugar da terra e que está em vias de estender-se por todo o globo terrestre.

Será a ciência, apenas, um conjunto de poderes humanos, alçado a uma dominação planetária, onde seria ainda admissível pensar que a vontade humana ou a decisão de alguma comissão pudesse um dia desmontá-lo? Ou será que nela impera um destino superior? Será que algo mais do que um simples querer conhecer da parte do homem rege a ciência? É o que realmente acontece. Impera uma outra coisa. Mas esta outra coisa se esconde de nós, enquanto ficarmos presos às representações habituais da ciência.

Esta outra coisa consiste numa conjuntura que atravessa e rege todas as ciências, embora lhes permaneça encoberta. Somente uma clareza suficiente, sobre o que é a ciência, será capaz de nos fazer ver esta conjuntura. Mas como poderemos alcançá-la? A forma mais segura parece ser uma descrição da atividade científica atual. Uma tal exposição poderia mostrar como, de há muito, as ciências se encaixam, de maneira sempre mais decidida e ao mesmo tempo cada vez menos perceptível, em todas as formas da vida moderna: na indústria, na economia, no ensino, na política, na guerra, na comunicação e publicidade de todo tipo. É importante conhecer este enquadramento. Todavia, para se poder apresentá-lo, devemos já saber em que repousa a essência da ciência. Pode-se dizê-lo numa frase concisa: a ciência é a teoria do real. [GA7 - Ciência e Pensamento do Sentido, 39]


E, no entanto, como teoria, no sentido de tratar, a ciência é uma elaboração do real terrivelmente intervencionista. Precisamente com este tipo de elaboração, a ciência corresponde a um traço básico do próprio real. 0 real é o vigente que se ex-põe e des-taca em sua vigência. Este destaque se mostra, entretanto, na Idade Moderna, de tal maneira que estabelece e consolida a sua vigência, transformando-a em objetidade. A ciência corresponde a esta regência objetivada do real à medida que, por sua atividade de teoria, ex-plora e dis-põe do real na objetidade. A ciência põe o real. E o dis-põe a pro-por-se num conjunto de operações e processamentos, isto é, numa sequência de causas aduzidas que se podem prever. Desta maneira, o real pode ser previsível e tornar-se perseguido em suas consequências. É como se assegura do real em sua objetidade. Desta decorrem domínios de objetos que o tratamento científico pode, então, processar à vontade. A representação processadora, que assegura e garante todo e qualquer real em sua objetidade processável, constitui o traço fundamental da representação com que a ciência moderna corresponde ao real. 0 trabalho, que tudo decide e que a representação realiza em cada ciência, constitui a elaboração que processa o real e o ex-põe numa objetidade. Com isto, todo real se transforma, já de antemão, numa variedade de objetos para o asseguramento processador das pesquisas científicas. [GA7 48]


Muito se diz que a técnica moderna é uma técnica incomparavelmente diversa de toda técnica anterior, por apoiar-se e assentar-se na moderna ciência exata da natureza. Entrementes, percebeu-se, com mais nitidez, que o inverso também vale: como ciência experimental, a física moderna depende de aparelhagens técnicas e do progresso da construção de aparelhos. É correta a constatação desta recíproca influência entre técnica e física. Mas fica sendo apenas uma mera constatação histórica de fatos e não diz nada a respeito do fundo e fundamento em que se baseia esta dependência recíproca. A questão decisiva permanece sendo: de que essência é a técnica moderna para poder chegar a utilizar as ciências exatas da natureza? [GA7, p. 18]


Permanece verdade: o homem da idade da técnica vê-se desafiado, de forma especialmente incisiva, a comprometer-se com o desencobrimento. Em primeiro lugar, ele lida com a natureza, enquanto o principal reservatório das reservas de energia. Em consequência, o comportamento dis-positivo do homem mostra-se, inicialmente, no aparecimento das ciências modernas da natureza. O seu modo de representação encara a natureza, como um sistema operativo e calculável de forças. A física moderna não é experimental por usar, nas investigações da natureza, aparelhos e ferramentas. Ao contrário: porque, já na condição de pura teoria, a física leva a natureza a ex-por-se, como um sistema de forças, que se pode operar previamente, é que se dis-põe do experimento para testar, se a natureza confirma tal condição e o modo em que o faz.

Por outro lado, não há dúvida de que as ciências matemáticas da natureza surgiram quase dois séculos antes da técnica moderna. Como, então, já poderiam estar a seu serviço? Os fatos depõem no sentido contrário do que se pretende. A técnica moderna só se pôs realmente em marcha quando conseguiu apoiar-se nas ciências exatas da natureza. Considerada na perspectiva dos cálculos da historiografia, esta constatação é correta. Considerada, porém, à luz do pensamento da História tal constatação não alcança a verdade. [GA7, p. 24]


Para a cronologia historiográfica, o início das ciências modernas da natureza se localiza no século XVII, enquanto que a técnica das máquinas só se desenvolveu na segunda metade do século XVIII. Posterior na constatação historiográfica, a técnica moderna é, porém, historicamente anterior no tocante à essência que a rege. [GA7, p. 25]


Já ouvimos que, para a determinação da essência da coisa - com a excepção do começo, no tempo dos Gregos -, foi decisivo o surgimento da moderna ciência da natureza. A transformação do estar-aí, subjacente a este acontecimento, modificou o carácter do pensamento moderno e, também, o da metafísica e preparou a necessidade de uma critica da razão pura. Deste modo, é necessário, por variadas razões, que elaboremos uma representação mais precisa do carácter da moderna ciência da natureza. Apesar disto, devemos logo renunciar a outras questões particulares. Aqui, nem sequer podemos percorrer os momentos essenciais da história desta ciência. Muitos e dos mais importantes factos desta história são conhecidos e, no entanto, o nosso saber acerca das conexões impulsionadoras mais interiores deste movimento é ainda muito escasso e obscuro. É apenas totalmente claro o facto de que a transformação da ciência se realizou tendo por base um confronto secular e duradoiro com os conceitos fundamentais e os princípios do pensar, quer dizer, com a posição-de-fundo acerca das coisas e do ente em geral. Um tal confronto somente poderia ser levado a cabo através de um domínio completo da tradição da teoria medieval da natureza, tal como da dos antigos; exigiria uma amplitude e uma segurança pouco comuns do pensamento conceptual e, finalmente, um domínio das novas experiências e modos-de-proceder. Tudo isto teria como pressuposto uma singular paixão de exigir um saber capaz de fornecer normas, que só tem paralelo nos Gregos; um saber que, antes de mais e permanentemente, põe em questão os próprios pressupostos e, desta forma, procura fundamentar. [...]
A transformação da ciência realizar-se-á sempre através da própria ciência. Mas, nessa transformação, a ciência apoia-se num duplo fundamento: 1) na experiência-do-trabalho, quer dizer, na direção e no modo de domínio e de utilização do ente; 2) na metafísica, quer dizer, no projeto do saber fundamental sobre o Ser, sob o qual o ente se estrutura, na ordem do saber. Experiência-de-trabalho e projeto-de-ser estão, assim, numa relação de reciprocidade e reúnem-se sempre num traço fundamental da atitude e do estar-aí. [GA41 72]


Com as três referidas caracterizações da ciência moderna - ciência de fatos, ser experimental e ciência que mede – não encontramos o traço fundamental da nova posição do saber. O traço fundamental deve residir naquilo que, fornecendo-lhe a medida, determina completamente, de um modo igualmente originário, o movimento-de-fundo da ciência enquanto tal: trata-se da relação-de-trabalho com as coisas e do projeto metafísico da coisalidade da coisa. [GA41 75]


Nossa existência - na comunidade [Gemeinschaft] de pesquisadores, professores e estudantes - é determinada pela ciência. O que acontece (geschehen) de essencial nas raízes da nossa existência (Dasein) na medida em que a ciência se tornou nossa paixão (Leidenschaft)? [MHeidegger QUE É METAFÍSICA?]

Submitted on 12.03.2012 14:10
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