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transcendência

Definition:
Heidegger distingue, assim, quatro sentidos de "transcendência" (GA65, 216s):

1. A transcendência ôntica: um outro ente transcendeu os entes; no cristianismo, Deus, o criador, transcendeu os entes criados. Esta é uma noção confusa, especialmente quando se diz que Deus é a "transcendência" ou até mesmo um "ente".

2. A transcendência ontológica que se encontra no koinon ("comum" em grego) enquanto tal, o ser como conceito geral (genera — categorias — "acima" e ‘antes" dos entes, a priori). Esta é a abordagem de Aristóteles e seus seguidores medievais, que examinaram o ser como um transcendens, deixando obscura a diferença entre ser e entes.

3. A transcendência "fundamental-ontológica" (cf. SZ, 350-67, esp. 364-6): esta "retorna para o sentido original de "transcendência", superação (Übersteigung), sendo concebida como um aspecto distintivo de Dasein (ou melhor, Da-sein) e indicando que ele "sempre já se encontra no aberto dos entes". A transcendência de Dasein envolve a compreensão de ser (cf. GA26, 280; GA27, 217). Assim a transcendência ontológica (2 acima), com a sua compreensão de ser, combina com a transcendência fundamental-ontológica. Mas a compreensão é agora concebida, de modo não-medieval, como "projeto lançado". Transcendência significa portanto: "estar na verdade do ser", o que não implica um explícito conhecimento do ser. Essa transcendência assegura a liberdade do homem.

4. A transcendência "epistemológica" ou cartesiana: um sujeito supera a barreira ou fronteira entre si mesmo e o seu objeto, entre o seu espaço interno e o mundo externo. Uma tal transcendência não ocorre, insiste Heidegger. Em virtude da transcendência no sentido 3, Dasein está aberto para objetos intramundanos, não está separado deles por barreira ou fronteira alguma; ele transcende para o mundo, não para os objetos (cf. GA26, 211s).

Não obstante ter defendido 3, que é o modo como Heidegger usa o termo "transcendência" em SZ, Heidegger critica o uso do termo que ele mesmo faz anteriormente. Por duas principais razões: (1) Falar da transcendência de Dasein poderia parecer implicar que antes de transcender Dasein parte, como um "eu" ou sujeito sem-mundo, de uma esfera de entes sem-mundo, não-transcendidos. (GA65, 217s, 322). (2) Se a transcendência de Dasein é tornada mais explícita e conceituai, como uma transição filosófica ou metafísica dos entes em particular para os entes como um todo e de lá para o ser, isto é uma tentativa de atingir o ser por meio dos entes, de interpretar a sua natureza a partir da natureza dos entes. Mas isto não procede. O ser é único e incomparável, não deve ser atingido por meio de passos graduais a partir dos entes, mas apenas por meio de um salto direto para dentro dele. " Então não devemos superar os entes (transcendência), mas saltar por sobre esta distinção [entre ser e entes], e assim transcender, e questionar primordialmente a partir do ponto de vista do ser e da verdade" (GA65, 250s).

Heidegger rejeita a palavra "transcendência" mais do que o conceito. Ele ainda fala do homem desprendendo-se (Sichloswerfen, Loswurf) dos entes (GA65, 454) e da "rendição" (Entsetzung, que também inclui o significado de Entsetzen, "terror") pelo ser dos entes que nos cercam e nos assediam (GA65, 481s). Nada na explicação da transcendência de SZ sugere que ela seja um processo gradual ou inferencial que parte de um ainda não transcendente Dasein e de entes ainda não transcendidos; entes só são considerados como entes em virtude de serem transcendidos, e Dasein não seria Dasein (ou um sujeito) se não transcendesse (GA26, 211). Heidegger não considera consistentemente a filosofia como envolvendo um salto imediato para dentro do novo paradigma: ao explicar o tempo-espaço para os seus contemporâneos, ele concorda em começar do espaço e do tempo como concebidos tradicionalmente (GA65, 372). Mas ele sente que o ser seria contaminado se nos aproximássemos dele por meio dos entes. (Duns Scotus similarmente sentiu que argumentar, como são Tomás, a favor da existência de Deus a partir da existência e movimento das entidades finitas enfraquece nosso conceito de Deus.)

Heidegger rejeita a transcendência ôntica, embora mantenha constante interesse por ela. Ele se pergunta como a ideia de ser como o " todo-poderoso" surgiu da nossa transcendência fundamental-ontológica e da nossa compreensão de ser (GA26, 211n.3). Sugere que a afirmação de que o "povo" é o propósito da história é apenas aparentemente não-cristã; ela estabelece uma ideia ou valor transcendente do mesmo modo como o cristianismo postula um Deus transcendente. As várias " visões-de-mundo", concorrentes entre si, sejam cristãs ou anticristãs, possuem isto em comum: elas pressupõem que o homem seja um ente cuja natureza já é fixa e conhecida e serve de base para a sua transcendência. Em contraste com isso, a transcendência fundamental ontológica, e o "salto" envolvido na posterior filosofia de Heidegger, determina o que o homem deverá ser (GA65, 24s).

Mais tarde, Heidegger cunha o termo "rescendência" (Reszendenz) para o inverso da transcendência que ocorre na tecnologia antropocêntrica (ZF, 56). [DH]


Suspendendo-se dentro do nada o ser-aí [Dasein] já sempre está além do ente [Seiende] em sua totalidade [Ganze]. Este estar além do ente designamos a transcendência [Transzendenz]. Se o ser-aí, nas raízes de sua essência [Wesen], não exercesse o ato de transcender, e isto expressamos agora dizendo: se o ser-aí não estivesse suspenso previamente dentro do nada [Nichts], ele jamais poderia entrar em relação com o ente e, portanto, também não consigo mesmo. [MHeidegger O QUE É METAFÍSICA?]


Como ideia é o conceito de mundo a representação de uma totalidade incondicionada. Contudo, não representa ele simples e "propriamente" o incondicionado, na medida em que a totalidade nele pensada, o objeto possível do conhecimento finito, permanece referida a fenômenos. Mundo como ideia é, na verdade, transcendente, ultrapassa os fenômenos, mas de tal maneira que como totalidade deles é a eles retro-referido. Transcendência, no sentido kantiano do ultrapassar da experiência é, porém, ambígua. De um lado, pode significar: ultrapassar, em meio à experiência, aquilo que nela é dado como tal, a multiplicidade dos fenômenos. Isto vale da representação "mundo". De outro lado, porém, transcendência significa: sair da experiência como conhecimento finito em geral e representar a possível totalidade de todas as coisas como "objeto" do intuitus originarias. Nesta transcendência emerge o ideal transcendental, em face do qual mundo representa uma restrição e torna-se expressão do conhecimento finito humano em sua totalidade. O conceito de mundo está como que entre a "possibilidade da experiência" e o "ideal transcendental" e significa assim, em seu núcleo, a totalidade da finitude do ser humano. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]


Uma observação terminológica preliminar regulará o uso da palavra "transcendência" e preparará a determinação do fenômeno com ela visado. Transcendência significa ultrapassagem. Transcendente (transcendendo) é aquilo que realiza a ultrapassagem, que se demora no ultrapassar. Este é, como acontecer, peculiar a um ente. Formalmente a ultrapassagem pode ser compreendida como uma "relação" que se estende "de" algo "para" algo. Da ultrapassagem faz, então, parte algo tal como o horizonte em direção do qual se realiza a ultrapassagem; isto é designado, o mais das vezes, inexatamente de "transcendente". E, finalmente, em cada ultrapassagem algo é transcendido. Estes momentos são tomados de um acontecer "espacial"; é a este que a expressão primeiramente visa.

A transcendência, na significação terminológica que deverá ser clarificada e demonstrada, refere-se àquilo que é próprio do ser-aí humano e isto não, por certo, como um modo de comportamento entre outros possíveis de vez em quando posto em exercício, mas como constituição fundamental deste ente, que acontece antes de qualquer comportamento. Não há dúvida, o ser-aí humano, enquanto existe "espacialmente, possui, entre outras possibilidades, também a de um "ultrapassar" um espaço, uma barreira física ou um precipício. A transcendência, contudo, é a ultrapassagem que possibilita algo tal como existência em geral e, por conseguinte, também um movimentar-"se"-no-espaço.

Se se escolhe, para o ente que sempre nós mesmos somos e que compreendemos como "ser-aí", a expressão "sujeito", então a transcendência designa a essência do sujeito, é a estrutura básica da subjetividade. O sujeito nunca existe antes como "sujeito", para então, caso subsistam objetos, também transcender; mas ser-sujeito quer dizer: ser ente na e como transcendência. O problema da transcendência nunca se pode expor de tal modo que se procure uma decisão se a transcendência pode convir ou não ao sujeito; muito antes da compreensão da transcendência já é a decisão sobre o fato se realmente temos em mente algo assim como a "subjetividade" ou se apenas tomamos em consideração como que um esqueleto de sujeito.

Muito pouco se ganha, num primeiro momento, pela caracterização da transcendência como estrutura fundamental da "subjetividade", para a penetração nesta constituição do ser-aí. Pelo contrário, como agora, de maneira geral, está propriamente desvalorizado o pressuposto expresso ou, o mais das vezes, não expresso de um conceito de sujeito, não se deixa também a transcendência determinar mais como "relação sujeito-objeto". Mas então o ser-aí transcendente (expressão já tautológica) não ultrapassa nem uma "barreira" posta diante do sujeito, obrigando-o primeiro a permanecer dentro de si (imanência) nem um "precipício" que separa o sujeito do objeto. Os objetos - os entes objetivados - também não são, porém, aquilo em direção do que (horizonte) se dá a ultrapassagem. O que é ultrapassado é justamente unicamente o ente mesmo, e, na verdade, cada ente que pode tornar-se ou já está desvelado para o ser-aí, por conseguinte, também e justamente o ente que é "ele mesmo" enquanto existe. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]


Já a clarificação da transcendência realizada até agora deixa entender que ela, se é verdade que somente nela o ente enquanto ente pode vir à luz, constitui um âmbito privilegiado para a elaboração de todas as questões que se referem ao ente como tal, isto é, em seu ser. Antes de explicitarmos o problema principal do fundamento no âmbito da transcendência e com isto radicalizarmos o problema da transcendência sob um determinado ponto de vista, vamos familiarizar-nos ainda mais com a transcendência do ser-aí através da uma nova lembrança histórica. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]

Submitted on 16.03.2012 17:48
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