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Ereignis

Definition:
acontecimento-apropriação [MHeidegger]
evénément-appropriation [EssaisConf]
event [BT]
a-propriar
acontecimento apropriador [Casanova]
Enowning [Contributions to Philosophy]

«Ereignis» é desde 1936 a palavra que conduz meu pensamento [GA 9, 316].


Esse é um termo absolutamente decisivo no pensamento heideggeriano posterior à virada: o termo Ereignis. Em verdade, esse termo diz em alemão simplesmente "acontecimento", "evento", "ocorrência". No entanto, em função da presença do radical "eig-", Heidegger identifica aqui uma proximidade com a noção de "próprio". Assim, o que está em questão aqui não é um acontecimento qualquer, mas um acontecimento fundamental, no qual o homem conquista radicalmente o seu próprio. Na linguagem heideggeriana, o acontecimento apropriativo descreve a apropriação de si mesmo por parte do homem enquanto ser-aí. Essa apropriação em meio a esse acontecimento não se dá, contudo, a partir unicamente do singular, mas sim a partir de uma tensão entre ser-aí e ser que se resolve sempre historicamente por meio de uma dinâmica de essencialização do próprio ser. Dessa forma, o niilismo é aqui um acontecimento apropriativo porque descreve um modo possível de essa tensão se essencializar historicamente. [Casanova]


Em SZ Ereignis ainda é usada para um acontecimento que se passa comigo. Pode aplicar-se a "uma tempestade, à reforma de uma casa ou à chegada de um amigo, a coisas portanto, que são seres-simplesmente-dados, manuais ou co-presentes" (SZ, 250). [DH]


NT: événement (ord.) [EtreTemps]


NT: O filósofo procura delimitar aquele âmbito em que homem e ser acontecem e se apropriam reciprocamente (no caso da relação homem-técnica, chamado arrazoamento) pela palavra Ereignis. Traduzo-a por acontecimento-apropriação, como os franceses por evénément-appropriation. Na palavra alemã se escondem ambos os pólos expressos pelo termo composto, usado pelas duas línguas românticas em questão. Em seu livro Unterwegs zur Sprache Heidegger comenta seu uso da palavra Ereignis: "Hoje, quando aquilo que ainda quase não foi pensado ou pensado pela metade é logo entregue apressadamente a toda forma de publicidade, parecerá a muitos inacreditável o fato de o autor ter utilizado já, em seus manuscritos, há mais de vinte e cinco anos, a palavra acontecimento-apropriação para a coisa que aqui pensa. Esta coisa, ainda que simples em si mesma, permanece, em primeiro lugar, difícil de ser pensada porque o pensamento deve desacostumar-se a cair no engano de que aqui se pensa «o ser» como acontecimento-apropriação. O acontecimento-apropriação é essencialmente outra coisa, porque muito mais rico que qualquer possível determinação metafísica do ser. Pelo contrário, o ser pode ser pensado, no que respeita a sua origem essencial, a partir do acontecimento-apropriação" (p. 260). [MHeidegger - Identidade e Diferença 180]


NOTE DU TRADUCTEUR: 4. Le verbe ereignen et son dérivé Ereignis, qui abritent une multiplicité de sens, comptent parmi les termes du livre les plus difficiles à traduire. Ces sens se rattachent à trois acceptions principales
a) Produire ou atteindre ce qui est propre à l´être ou à un être (ereignen dérivé de eigen, « propre »), d´où s accéder à son être propre, conduire dans la clarté de l´être propre (p. 205), faire apparaître ou laisser apparaître, révéler, comme l´être propre, parfois (p. 272) approprier.
b) Montrer, manifester (sens ancien de ereignen dérivé de Ouga, « oeil »).
c) Au réfléchi (sich ereignen) : avoir lieu, se produire (sens moderne du précédent). D´où Ereignis, « événement ».
Il est rare qu´un de ces trois sens exclue les autres. Mais on a dû se borner à indiquer chaque fois le sens qui a semblé prépondérant.
L´Ereignis heideggérien est à la fois une naissance ou éclosion et une apparition, c´est une éclaircie, une clarté ou une fulguration, par laquelle l´être accède à ce qu´il a en propre. Que ce soit l´être propre qui s´y révèle distingue l´Ereignis, qui est « avènement » et histoire de l´être, des simples événements de l´ « histoire » ordinaire.
Sur ereignen et Ereignis, voir Identität and Differenz, pp. 28 32. [GA7, 348]


The phrase "comes to pass" renders the German verb sich ereignet (from sick ereignen, to happen or take place). The noun Ereignis usually means, correspondingly, event. Later in this essay (p. 45), Heidegger points to the fact that Ereignis, and with it necessarily sich ereignen, embodies the meanings of the two verbs eignen (to be one´s own, to suit, to belong to), and the archaic eraugnen (to bring before the eyes, to bring to sight). He says: Ereignis ist eignende Eräugnis ("Disclosing coming-to-pass is bringing-to-sight that brings into its own") (p. 45). Although the introduction of this fullness of meaning for sick ereignen and Ereignis has-been reserved in the translation for the point at which Heidegger´s definitive statement is made, that meaning clearly informs the argument of the essay throughout and should therefore be borne in mind. [QCTechno, 38]


NT: Event (Ereignis): of nature, 152; daily e. of death, 250, 253-254, 257; world, 273; passing and past world-historical, 284, 290, 378-379, 382, 389; in the later marginal remarks (=fn), e. of the truth of archaic being, 38fn, 235fn (Appropriation), 189fn (Expropriation). See also Occurrence [BT]


Ereignis (properizing event, appropriating event) - Clearly destined from the start to be the central "terminus technicus" of Heidegger´s entire Denkweg to identify the very source and "primal leap" (Ur-sprung) of experience, this etymologically rich term nevertheless goes into dormancy for almost a decade after its initial thematization in KNS 1919 and SS 1919, replaced during that period by the Christian and Greek kairological sense of time as the Moment. Er-eignis is first introduced in KNS as the central characterization of the most intense lived experience (Er-leben) of the historical I in close conjunction with the meaning-bestowing dynamics of the It which "worlds" (ZBP 69, 74f.). The I is fully there in the "It worlds" of the primal something such that "I myself properize (er-eigne) It to myself and It properizes (er-eignet) itself according to its essence" (75). This intimate involvement with the primal It of Being thus prompts the distinction between events which "happen" (passieren: ZBP 205) to me passionally and move me by situating me, and processes (Vor-gauge) which pass before me objectively. The KNS-Schema accordingly distinguishes the sheer indifference of the formal-objective "something in general" from the pretheoretical preworldly "primal something" which is the "index of the highest potentiality of life" in and for itself (ZBP 115).

In BT, however, the occasional use of Ereignis at least in the two extant Divisions returns to its mundane sense of objectified and reified impersonal historical events past and gone (SZ 250, 253, 257, 284, 290, 378, 382, 389). It is only in GA26 that a tendency back to its originally intimate sense begins to assert itself: in a redescription of ecstatic and horizonal temporality, primal time and primal history are understood dynamically as a generative temporalizing which "worlds," as an "es gibt" which yields the "nihil originarium" of a world (GA26:270/209, 272/ 210). This is more ontically described as "the Ereignis of the world-entry of beings" (274/212), or the Urereignis which is essentially generative temporalizing. Some advance is made in articulating this primal event in the concurrent seminar of GA26 on Aristotle´s Physics, where, in order to express the incomplete "underway" character of movement, dynamis (capability, power) is translated more phronetically as Eignung (aptitude, suitability), and the question is then posed how this adaptation to ... , appropriateness for . . . , determines the Ereignung of generative movement, the primal event of human history. Much like the formal indication of ex-sistence in BT, accordingly, the focus on Aristotle´s energeia ateles (in 1928 still meant for the Third Division of the never-published Second Part of BT) reverses the dominant Greek sense of finished being, pointing instead to the generative event which possibilizes actuality in the absence of presence welling up from the concealment of unconcealment (so in the later Heidegger). [Kisiel]


NT: Here and subsequently in this essay, "coming-to-pass" translates the noun Ereignis. Elsewhere, in "The Turning," this word, in accordance with the deeper meaning that Heidegger there finds for it, will be translated with "disclosing that brings into its own." [QCTechno]


O termo mais geral para um acontecimento é Ereignis, de sich ereignen, " acontecer, ocorrer". As palavras vêm de Auge, " olho", e até o século XVIII eram grafadas Eräugnis, eräugnen, lit. "colocação/colocar diante do olho, vir-a-ser/ tornar-se visível" — o que Heidegger sabia (GA12, 260/129). Heidegger também usa Ereignung (Eräugnung), "acontecimento-apropriador", que é similar a Ereignis, porém mais verbal. As palavras ficaram associadas a (sich) eignen, "ser apropriado, pertencer", aneignen, "apropriar-se", e eigen, "(o seu) próprio", desde que alguns dialetos pronunciaram äu da mesma forma que ei. [DH]


NT: Ainda que Ereignis possa ser traduzido por acontecimento-apropriação, mantém-se doravante o termo alemão, pois de maneira alguma é possível transpor para o vernáculo toda a riqueza de conotações do termo original. Heidegger mesmo dá-me razão: "Ereignis como palavra-guia deixa-se tão pouco traduzir quanto a palavra-guia grega logos ou a chinesa Tao". Vide Que É Isto - a Filosofia? - Identidade e Diferença. [MHeidegger: TEMPO E SER]


No destinar do destino do ser, no alcançar do tempo, mostra-se um apropriar-se trans-propriar-se, do ser como presença e do tempo como âmbito do aberto, no interior daquilo que lhes é próprio. Aquilo que determina a ambos, tempo e ser, o lugar que lhes é próprio, denominamos: das Ereignis (o acontecimento-apropriação). O que nomeia esta palavra, somente podemos pensar agora a partir daquilo que se manifesta na vista prévia sobre ser e sobre tempo como destino e como alcançar, onde é o lugar de tempo e ser. A ambos, tanto ser como tempo, denominamos questões. O "e" entre ambos deixou sua relação recíproca no indeterminado. MHeidegger: TEMPO E SER


Agora finalmente mostra-se: O que vincula ambas as questões mutuamente, aquilo que conduz ambas as questões não apenas para o interior daquilo que lhes é próprio, mas que as conserva em sua comum-unidade e ali as sustenta, a relação de ambas as questões, o estado de coisas, é o Ereignis. O estado de coisas não se vem juntar posteriormente, como uma relação construída, a ser e tempo. O estado de coisas faz com que primeiramente ser e tempo aconteçam a partir de sua relação e no íntimo do que lhes é próprio; e isto através do acontecer apropriados que se oculta no destino e no alcançar iluminados. De acordo com isto, manifesta-se o "Se" que dá, no "dá-Se ser", "dá-Se tempo", como o Ereignis. A afirmação é certa, e, contudo, inverídica, isto é, nos esconde o estado de coisas; pois, inadvertidamente, representamo-lo como algo que se presença, enquanto precisamente procuramos pensar a presença como tal. Mas talvez fiquemos de uma só vez libertos de todas as dificuldades, de todas as análises importunas e aparentemente estéreis, se levantarmos a simples questão, já por demais madura, e a respondermos: Que é o Ereignis? MHeidegger: TEMPO E SER


Permitam-me aqui uma questão intermediária. Que significa "responder" e "resposta"? Responder, quer dizer, o dizer, que corresponde ao estado de coisas, que aqui deve ser pensado, isto é, ao Ereignis. Se, no entanto, o estado de coisas proíbe falar-se dele, ao modo de uma enunciação, seremos levados a renunciar à proposição por cuja enunciação se espera, ao levantar a questão. Isto todavia significa confessar a impotência de pensar, de maneira adequada, aquilo que aqui deve sê-lo. Ou será, por acaso, de melhor conselho, não apenas renunciar à resposta, mas já à própria pergunta? Pois qual é a situação da questão, claramente justificável e posta livremente: Que é o Ereignis? Com isto perguntamos pela essência, pelo modo como o Ereignis é, isto é, se presenta. MHeidegger: TEMPO E SER


Com a questão aparentemente inofensiva: Que é o Ereignis?, exigimos uma informação sobre o ser do Ereignis. Mas se agora o ser mesmo se apresenta como algo que pertence ao Ereignis, e somente a partir dele recebe a determinação de presença, então regredimos, com a questão levantada, até aquilo que, em primeiro lugar, exige sua determinação: o ser a partir do tempo. Esta determinação mostrou-se, a partir da vista prévia sobre o "Se", que dá, pelo exame dos modos de dar mutuamente imbricados, o destinar e o alcançar. Destinar do ser repousa no alcançar iluminados do múltiplo presentar, no âmbito aberto do espaço-de-tempo. O alcançar, porém, repousa, junto ao destinar, no acontecimento-apropriação, no acontecer-apropriar. Este, isto é, o elemento característico do Ereignis, determina também o sentido daquilo que aqui é denominado: o repousar. MHeidegger: TEMPO E SER


O que acabamos de dizer permite, obriga até, de certo modo, a dizer como o Ereignis não deve ser pensado. Não podemos representar o que vem designado com o nome de Ereignis, guiados pela semântica ordinária; pois esta compreende Ereignis no sentido de acontecimento e fato - e não a partir do apropriar como o alcançar e destinar iluminados e protetor. MHeidegger: TEMPO E SER


Assim, ouviu-se, por exemplo, proclamar recentemente que a pretendida unificação da Comunidade Econômica Europeia é um acontecimento europeu de significação histórica universal. Se, porém, a palavra Ereignis é usada no contexto de uma análise do ser, se se ouve esta palavra apenas em sua significação ordinária, então, literalmente se impõe falar do Ereignis do ser. Pois sem o ser ente algum como tal é capaz de ser. Desta forma, pode o ser ser apresentado como o mais alto e mais significativo acontecimento. MHeidegger: TEMPO E SER


Mas a única intenção desta conferência visa a chegar ao exame do próprio ser enquanto o Ereignis. Mas aquilo que é nomeado com a palavra o "Ereignis" diz algo bem diferente. Nesta mesma direção deve também ser pensado o insignificante e por isso sempre capcioso, porque plurivoco, "enquanto" (als). Admitindo-se que abandonemos, para a discussão de ser e tempo, a significação ordinária da palavra Ereignis, e que sigamos, em vez disso, o sentido que se anuncia no destinar da presença e no alcançar iluminados do espaço-de-tempo; então, mesmo assim, ainda permanece indeterminado falar do "ser enquanto Ereignis". MHeidegger: TEMPO E SER


"Ser enquanto o Ereignis" - outrora pensou a Filosofia o ser enquanto idea, enquanto energeia, enquanto actualitas, enquanto vontade, sempre a partir do ente, e agora-poder-seria dizer-pensa o ser enquanto Ereignis. Assim compreendido, Ereignis significa uma explicação derivada do ser, a qual, caso apresente foros de legitimidade, representa a continuação da metafísica. O "enquanto" significa neste caso: Ereignis como uma espécie de ser, subordinado ao ser, que constitui o conceito central ainda retido. Pensemos, contudo, como foi tentado, ser no sentido de presentar e presentificar, que se dão no destino, o qual, por sua vez, repousa no iluminados-velador alcançar do tempo autêntico, então o ser faz parte do acontecer apropriados. É dele que o dar e o seu dom recebem sua determinação. Nesse caso o ser seria uma espécie de Ereignis e não o Ereignis uma espécie de ser. MHeidegger: TEMPO E SER


Mas o refúgio numa tal inversão seria pouco séria. Esta falseia o verdadeiro estado de coisas. Ereignis não é conceito supremo abarcador, sob o qual seria possível inserir ser e tempo. Relações lógicas de ordem não dizem nada aqui. Pois, ao meditarmos sobre o próprio ser e perseguirmos o que lhe é próprio, mostra-se ele como o dom do destino de presença garantido pelo alcançar do tempo. O dom do presentar é propriedade do acontecer-apropriando. Ser desaparece no Ereignis. Na expressão: "Ser enquanto o Ereignis", o "enquanto" quer agora dizer: Ser, presentificar destinado no acontecer que apropria, tempo alcançado no acontecer que apropria. Tempo e ser acontecem apropriados no Ereignis. E quanto a este mesmo? Pode-se dizer mais do Ereignis? MHeidegger: TEMPO E SER


Durante a exposição já foi pensado mais, mas não foi propriamente dito, a saber, o seguinte: que ao dar como destinar pertence a suspensão, isto é, no alcançar do passado e do porvir acontece o jogo da recusa do presente e da retenção de presente. O agora nomeado: suspensão, recusa, retenção, mostra algo como subtrair-se, em resumo: a retração. Mas na medida em que os modos de dar por ele determinados, o destinar e o alcançar, residem no acontecer apropriados, deve a retração fazer parte do que é específico do Ereignis. Analisá-lo não é mais tarefa desta conferência. MHeidegger: TEMPO E SER


Na medida em que agora destino do ser reside no alcançar do tempo e este com aquele residem no Ereignis, manifesta-se, no acontecimento-apropriador, o elemento específico: ele subtrai o que lhe é mais próprio ao desvelamento sem limites. Pensando a partir do acontecer apropriados, isto quer dizer: Ele se des-apropria, no sentido mencionado de si mesmo. Do Ereignis enquanto tal faz parte a Enteignis, o não-acontecer desapropriados. Através deste último o Ereignis não se abandona, mas guarda sua propriedade. MHeidegger: TEMPO E SER


O outro elemento específico no Ereignis, vislumbramo-lo tão logo meditemos, com suficiente clareza, algo já dito. No ser como presentar manifesta-se a abordagem, que aborda a nós humanos, de tal modo que no perceber e assumir desta abordagem alcançamos aquilo que é específico do ser homem. Este assumir a abordagem da presença reside, porém, no in-sistir no âmbito do alcançar, alcançar que é o modo como nos alcançou o tempo autêntico quadridimensional. MHeidegger: TEMPO E SER


Na medida em que ser e tempo só se dão no acontecer apropriados, deste faz parte o elemento característico que consiste em levar o homem, como aquele que percebe ser, in-sistindo no tempo autêntico, ao interior do que lhe é próprio. Assim apropriado, o homem pertence ao Ereignis. MHeidegger: TEMPO E SER


Este pertencer a reside na reapropriação que caracteriza o Ereignis. Por esta o homem está entregue ao âmbito do Ereignis. A isto se deve o fato de nunca sermos capazes de colocar o Ereignis diante de nós, nem como algo que se opõe a nós, nem como algo que a tudo abarca. É por esta razão que o pensamento que representa e fundamenta corresponde tão pouco ao Ereignis quanto o dizer simplesmente enunciados. MHeidegger: TEMPO E SER


Na medida em que tempo, tanto quanto ser, enquanto dons do acontecer apropriados, somente podem ser pensados a partir deste, deve também ser pensada, de maneira correspondente, a relação do espaço com o Ereignis. Isto naturalmente só pode ter sucesso se antes tivermos visto claramente a origem do espaço, a partir do que é específico do lugar suficientemente pensado (cf. "Construir, Morar, Pensar", 1951, em Ensaios e Conferências, 1954, p. 145 ss.). MHeidegger: TEMPO E SER


Sem dúvida, tornou-se agora visível que o que quer dizer Ereignis, passado pela análise do próprio ser e do próprio tempo, pela penetração do destino do ser e no alcançar do espaço-de-tempo. Mas chegamos nós, por esta via, algo mais que a puros pensamentos fantasiosos? No fundo desta suspeita fala a opinião de que o Ereignis, contudo, deveria "ser" algo entitativo. Entretanto o Ereignis nem é, nem se dd. Dizer um como o outro significa uma distorção do estado de coisas, como se quiséssemos fazer a fonte derivar do rio. MHeidegger: TEMPO E SER


Que resta dizer? Apenas isto: O Ereignis acontece-apropria. Com isto dizemos, a partir do mesmo, para o mesmo, o mesmo. Aparentemente, isto não diz nada. Realmente não diz nada enquanto ouvirmos o que foi dito como uma simples enunciação, proposição, e o entregarmos ao interrogatório da lógica. Que sucederia, porém, se assumíssemos incansavelmente o que foi, como fulcro para a reflexão, e com isto refletíssemos sobre o fato de que este mesmo nem chega a ser algo de novo, mas é o mais antigo da Antiguidade do pensamento ocidental. O originariamente antigo que se oculta no nome de Aletheia? (A-letheia). Através daquilo que é predito por este mais originário de todos os leitmotive do pensamento, fala um laço - laço que liga todo pensamento, admitindo-se que este se submeta ao apelo do que deve ser pensado. MHeidegger: TEMPO E SER


Tratou-se de pensar o ser, passando pela análise do tempo autêntico, naquilo que lhe é mais próprio - a partir de Ereignis -, sem levar em consideração a relação do ser com o ente. MHeidegger: TEMPO E SER


Se alguma superação permanece necessária, então interessa aquele pensamento que propriamente se insere no Ereignis, para dizê-lo a partir dele e em direção a ele. MHeidegger: TEMPO E SER


Um empecilho de tal natureza permanece também o dizer algo do Ereignis ao modo de uma conferência. Esta apenas falou por proposições enunciativas. MHeidegger: TEMPO E SER


A conferência intitulada Tempo e Ser pergunta primeiro pelo que é próprio do ser, e, em seguida, pelo que é próprio do tempo. Nisto mostra-se que nem ser nem tempo são. Desta maneira, atinge-se a passagem para o "dá-se e" (v. es gibt). O "da-Se" é, o primeiro, clarificado em relação ao dar e depois com relação ao Se que dá. O Se é interpretado como o Ereignis. Resumindo mais: A conferência parte de Ser e Tempo, passa pelo que é próprio de Tempo e Ser para o Se que dá, e deste para o Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Com a precaução que aqui se recomenda, poder-se-ia dizer que a conferência repete o movimento e a transformação do pensamento heideggeriano de Ser e Tempo até o posterior dizer do Ereignis. Que acontece neste movimento? Qual a forma do questionar e do responder que ocorreu no pensamento de Heidegger? MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Permite-se desse modo levantar a questão de se e como este retorno, que constitui a espécie de mobilidade deste pensamento, está ligado ao fato de que o Ereignis não é apenas enquanto destinar mas como tal sobretudo a subtração. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O pensamento que inicia com Ser e Tempo é, portanto, de um lado, um despertar do esquecimento do ser - e aqui despertar deve ser compreendido como um recordar-se de algo que jamais foi pensado -, mas enquanto é um despertar não é, de outro lado, um extinguir o esquecimento do ser, mas um postar-se nele e nele permanecer. Assim o despertar do esquecimento do ser é o acordar para dentro do Ereignis. Apenas no pensar o próprio ser, o Ereignis, torna-se experimentável o esquecimento do ser como tal. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Na proporção e que se chegou a uma clarificação - apesar da inadequação destas expressões -, poder-se-ia dizer: O fato do lugar do "para onde" está fixado, mas ainda permanece oculto para o conhecimento como é este lugar, e não pode ser decidido se o "como", o modo de ser do lugar, já está fixado (não sendo, porém, ainda cognoscível), ou se ele mesmo apenas resulta da realização do passo que se efetua no despertar para dentro do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A partir do modo de pensar metafísico, todo o caminho da conferência, e isto quer dizer, a determinação do ser a partir do Ereignis, pode ser interpretado como o retorno ao fundamento, à origem. A relação entre Ereignis e ser seria então a relação do a priori com o a posteriori, não devendo-se, no entanto, compreender por a priori apenas o a priori do conhecimento e para o conhecimento, que passou a imperar na Filosofia Moderna. Trata-se, portanto, de um complexo de fundação, que, visto a partir de Hegel, poderia ser determinado, de modo mais preciso, como o reassumir (re-assumir) e o sobressumir do ser no interior do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O arrazoamento como o fenômeno precursor do Ereignis é, de resto, aquilo que torna possível esta tentativa. Não é portanto - como à primeira vista se poderia deduzir do texto -, a necessidade de compreender o fenômeno atual a motivação propriamente dita do ensaio. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Como o fato de o pensamento, penetrando no Ereignis, receber apenas primeiramente dele sua determinação - o que já se anunciava na análise do passo de volta - está em íntima conexão um outro caráter do pensamento também decisivo para a realização da questão do ser. Este caráter é a "provisoriedade". Ela possui, além da primeira significação de que este pensamento é sempre apenas preparatório, o sentido mais profundo de que este pensamento, em cada caso - e, em realidade, ao modo do passo de volta -, se antecipa como precursor. A tônica posta sobre a provisoriedade não brota, portanto, de uma falsa modéstia, mas possui um rigoroso sentido objetivo, em conexão com a finitude do pensamento e com aquilo que deve ser pensado. Quanto mais de acordo com a questão propriamente dita é realizado o passo de volta, tanto mais se torna "correspondente" o dizer que se antecipa como precursor. c) Os diversos caminhos para o interior do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Do Ereignis já se fala em textos anteriores: 1. Na Carta sobre o Humanismo, onde a referência ao Ereignis contém uma consciente ambiguidade. 2. De maneira mais clara, fala-se do Ereignis nas quatro conferências que foram pronunciadas em 1949, sob o título geral Lance de Olhos no Interior do que É. Os títulos destas conferências, das quais somente a primeira e a última foram publicadas, são: A Coisa, O Arrazoamento, O Risco, A Viravolta (vide Ensaios e Conferências, 1954. pp 153 ss. A Coisa). 3. Após, ainda é analisado o Ereignis na conferência sobre a técnica, que não constitui apenas uma outra versão da conferência supramencionada O Arrazoamento (vide, op. cit., pp. 13 ss. A Questão da Técnica; e ainda: Opuscula I, A Técnica e a Viravolta, 1962). 4. De maneira mais explícita, o tema é analisado na conferência sobre a identidade, Identidade e Diferença, 1957, pp. 11 ss. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A recordação destas passagens visava a servir de estímulo para meditar-se sobre a diversidade e comum-unidade dos caminhos, até então apontados para o interior do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A que se refere a diferença que se torna visível no "porém, agora"? É uma diferença no presentificar, e isto quer dizer, particularmente no ficar (de facere E.S.). Os dois membros da distinção são: 1. Presentificar: presentificar: aquilo que se presenta. 2. Presentificar: presentificar: isto quer dizer, pensado tendo em mira o Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O duplo sentido determinante reside, portanto, no ficar e, acordo com ele, então também no presentar. A relação de ambas as partes destacadas e opostas pelo "porém, agora", que não são sem relação entre si, não está isenta de dificuldade. Dito formalmente, subsiste entre ambos os membros da oposição uma relação de determinação: Apenas na medida em que se dá o ficar (fazer E.S.) de presentar, é possível o presentificar daquilo que se presenta. Como, porém, deve ser pensada esta relação com propriedade, como a mencionada diferença deve ser determinada a partir do Ereignis, foram questões apenas afloradas. A dificuldade principal reside nisto, que se torna necessário, desde o Ereignis, promulgar para o pensamento a diferença ontológica. Desde o ponto de vista do Ereignis, entretanto, esta relação mostra-se como a relação entre mundo e coisa, relação que, de início, ainda poderia ser concebida, de certa maneira, como a relação de ser e ente; mas nisto se perderia aquilo que lhe é próprio. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O que designa este "es ist" somente se pode pensar a partir do Ereignis. Isto ficou em aberto, como também a relação existente entre o "es ist" poético e o "es gibt" do pensamento. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Algumas análises gramaticais sobre o Se no "dá-Se", sobre o tipo destas frases denominadas, na gramática, frases impessoais ou sem sujeito, bem como breves considerações sobre os fundamentos metafísicos gregos da interpretação da frase, como uma relação de sujeito e predicado, aceita como óbvia, sugeriram a possibilidade de não se compreender o dizer de "Dá-se Ser" e de "Dá-Se tempo" como enunciados. Em acréscimo, foram discutidas duas questões levantadas acerca da conferência. Referiam-se, de um lado, ao possível fim da história do ser, e, de outro lado, ao modo de dizer adequado ao Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Com referência ao primeiro item: Se o Ereignis não é uma nova caracterização ontológico-histórica do ser, mas, inversamente, o ser faz parte do Ereignis e no seu interior é recebido (seja de que modo for), nesse caso, para o pensamento do Ereignis, quer dizer, para o pensamento que penetra no Ereignis-enquanto por causa disto o ser, que reside no destino, não é mais propriamente aquilo que deve ser pensado -, então a história do ser chegou a seu fim. O pensamento estará no interior e diante daquilo que endereçou, como destino, a diversas figuras do ser epocal. Mas isto que destina enquanto Ereignis é em si mesmo não-histórico, ou melhor, livre de destino. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A metafísica é a história das características (formas) do ser, quer dizer, visto desde o ponto de vista do Ereignis, a história do subtrair-se do que destina em favor das destinações de toda presentificação do que se presenta, dada no destinar. A metafísica é o esquecimento do ser e, isto quer dizer, a história do ocultamente e da subtração daquilo que dá ser. A penetração do pensamento no Ereignis significa, deste modo, o mesmo que o fim desta história da subtração. O esquecimento do ser se "sobressume" com o despertar no interior do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O velamento, porém, que faz parte da metafísica como limite, deve ser propriedade do próprio Ereignis. Isto significa que a subtração, que na figura do esquecimento do ser caracterizou a metafísica, mostra-se agora como a dimensão do próprio velamento. Só que agora este velamento não se oculta, porque o acompanha a atenção do pensamento. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Com a penetração do pensamento no Ereignis advém, portanto, pela primeira vez, o modo de desvelamento próprio do Ereignis. O Ereignis é, nele mesmo Enteignis, palavra em que se procurou assumir, de maneira historial e a-propriadora, a lethe dos antigos gregos, com o sentimento de velamento. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A falta de destino do Ereignis não significa, portanto, que lhe falte toda "mobilidade". Significa, antes, que se mostra ao pensamento como digno de ser pensado, e pela primeira vez, a espécie de mobilidade mais própria do Ereignis, a doação na subtração. Com isto, porém, é dito que para o pensamento que se introduz no Ereignis a história do ser chegou ao fim, enquanto aquilo que deve ser pensado, o que não significa que a metafísica não continue subsistindo; mas sobre isto nada pode ser decidido. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Com referência ao segundo item: Com o que há pouco foi dito mantém estreitos laços a segunda questão, a saber qual a tarefa que fica reservada para o pensamento que penetrou no Ereignis e qual será o modo de dizer correspondente e adequado. Não se pergunta apenas pela forma do dizer - o fato de que um falar em proposições enunciativas permanece inadequado para o que deve ser dito -, mas, dito de maneira um tanto simplista, pergunta-se pelo conteúdo. Na conferência diz-se: "Que resta a dizer? Apenas isto: o Ereignis acontece-apropria". Com isto diz-se, primeiro apenas de maneira defensiva, como o Ereignis não deve ser pensado. Expressando positivamente põe-se, porém, a questão: O que acontece-apropria o Ereignis? O que é acontecido e apropriado pelo Ereignis? E: E o pensamento que pensa o Ereignis, a meditação daquilo que é acontecido e apropriado pelo Ereignis? MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Assim diz-se na conferência sobre a identidade, caso for pensada partindo de seu final, o que o Ereignis acontece e apropria, isto é, o que conduz para o interior do que é próprio e mantém no Ereignis: a saber, o comum-pertencer de ser e homem. Neste comum-pertencer não são mais então ser e homem os que pertencem a uma comum-unidade, mas - enquanto acontecidos e apropriados - os mortais na quaternidade do mundo. Do acontecido e apropriado, da quaternidade, falam, cada uma a seu modo, a conferência Terra e Céu de Hölderlin (Anuário de Höderlin, 1960, pp. 17 ss.) e a conferência A Coisa. Também tudo que foi dito sobre a linguagem como dizer, como "saga", refere-se a isto (A Caminho da Linguagem, 1959). MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Assim também já foi dito muito, no pensamento de Heidegger, sobre aquilo e com respeito àquilo que o Ereignis acontece-apropria, ainda que de maneira provisória e como simples aceno. Pois a este pensamento importa apenas a preparação da entrada para o interior do Ereignis. O fato de do Ereignis só restar dizer: O Ereignis acontece-apropria, não exclui, portanto, mas inclui que se pense toda uma riqueza do que deve ser pensado no próprio Ereignis. E isto tanto mais que sempre fica para ser pensado no que se refere ao homem, à coisa, aos deuses, terra e céu, com referência a tudo que foi acontecido-apropriado, que faz fundamentalmente parte do Ereignis (acontecimento-apropriação) a Ereignis (a desapropriação). Isto, porém, encerra a questão: desapropriação para onde? Direção e sentido desta questão não foram mais examinados. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Na Carta sobre o Humanismo, vem dito: "Pois o Se que aqui dá, o ser mesmo". Esta clara afirmação - assim se argumentou - não concorda com a conferência Tempo e Ser, na qual a intenção de pensar o ser como Ereignis leva a um domínio do Ereignis e a um desaparecimento do ser. O desaparecimento do ser não apenas está em harmonia com a passagem da Carta sobre o Humanismo, mas também com a passagem da conferência, onde se diz que sua única intenção era "chegar ao exame do próprio ser enquanto Ereignis". MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A esse respeito se disse que primeiro a expressão "o ser mesmo", na passagem questionada na Carta sobre o Humanismo, como em quase todas as passagens, já nomeia o Ereignis. (As referências a contextos que constituem a estrutura básica do Ereignis foram elaboradas entre 1936 e 1938) E que depois justamente se trata de ver que, no momento em que se passa a examinar o ser como o Ereignis, o ser desaparece enquanto ser. Entre ambas as afirmações não subsiste, portanto, a contradição. Ambos designam, por maneiras diferentes de expressão, o mesmo estado de coisas. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Muito antes, o Ereignis deve ser pensado de tal maneira que não pode ser retido, nem como ser nem como tempo. É, por assim dizer, um "neutrale tantum", o neutrale "e", no titulo Tempo e Ser. Isto, contudo, não exclui que no Ereignis seja também pensado propriamente o destinar e o alcançar, de tal maneira que também ser e tempo continuam, de certo modo, subsistindo. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Recordaram-se as passagens de Ser e Tempo nas quais já foi usado o "dá-se", em ser pensado diretamente em função do Ereignis. Estas passagens mostram-se hoje como meias-tentativas - tentativas de elaboração da questão do ser, tentativas de lhe mostrar a direção adequada, que ainda permaneceram na incompletude. Importa por isso, hoje, ver nessas tentativas a temática e os motivos que apontam para a questão do ser e por ela estão determinados. Pois, de outra maneira, somos tomados com demasiada facilidade pela ideia de que as investigações de Ser e Tempo são tratados autônomos, que deveriam ser rejeitados como incompletos. Assim, por exemplo, a ideia da morte é somente objeto de análise nos limites e a partir dos motivos que resultam do projeto da elaboração da temporalidade do ser-aí. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A quarta sessão foi dominada pela análise de uma questão relativa à passagem importante, antes já citada: "Ser pelo qual..." até "... quer dizer, dá ser". A questão teve em mira a relação de ser e tempo com o Ereignis perguntando-se se entre os conceitos ali citados - presentar, presentificar, desvelar (desocultar), dar e acontecer-apropriar - subsiste uma gradação, no sentido de uma sempre maior radicalidade. Perguntou-se também se o movimento, que no período problemático conduz do presentar passando pelo presentificar etc., até o acontecer-apropriar, é a recondução até aquele fundamento radical. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Caso não se tratar cada vez de algo radical, coloca-se a questão: quais são, nesse caso, a diferença e a relação entre os conceitos nomeados? Estes não representam nenhuma gradação, mas estações num caminho de retorno que, passando pelo provisório (precursor), está aberto para o interior do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A diferença no ponto de partida da determinação do ser foi resumida nos dois pontos seguintes: 1. Aquilo a partir de onde se determina para Hegel o ser em sua verdade está fora de qualquer cogitação para esta filosofia e, na verdade, porque para Hegel a identidade de ser e pensar é realmente uma equiparação. Portanto, em Hegel não se chega a levantar a questão do ser, e nunca se poderá chegar a isso. 2. Partindo da conferência em que se mostra que o ser é acontecido e apropriado no Ereignis, poder-se-ia ser tentado a comparar o Ereignis, enquanto o último e o mais alto, como o absoluto de Hegel. Mas atrás desta aparência de identidade dever-se-ia, então, levantar a seguinte questão: Como se relaciona em Hegel o homem com o absoluto? E: Qual a relação do homem com o Ereignis? Nisto se mostraria, então, uma diferença intransponível. Na medida em que, para Hegel, o homem é o lugar do vir-a-si-mesmo do absoluto, isto conduz à supressão da finitude do homem. Em Heidegger, pelo contrário, a finitude é justamente tornada visível - e, na verdade, não apenas a do homem, mas a do próprio Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O debate sobre Hegel tornou-se ocasião para colocar-se novamente a pergunta: se a entrada no Ereignis significa o fim da história do ser. Nisto parece subsistir uma semelhança com Hegel, que, contudo, deve ser vista sobre o pano de fundo da fundamental diferença. Se há razões para subsistir, de pleno direito, a tese de que somente se poderia falar ali de um fim da história onde - como se dá no caso de Hegel - impera uma real identificação de ser e pensar, ficou em aberto. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


De qualquer maneira, o fim da história do ser no sentido de Heidegger é algo bem diferente. O Ereignis oculta, na verdade, possibilidades de desvelamento que o pensamento não pode resolver, e neste sentido não se deve, sem dúvida, dizer que, com a entrada do pensamento no Ereignis, as destinações fiquem "paralisadas". Resta, entretanto, para meditar, se após a entrada ainda se pode falar do ser e, assim, de história do ser, se a história do ser é compreendida como a história das destinações, nas quais se oculta o Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


No fim da sessão foi lida uma carta de Heidegger a ser publicada no livro de Richardson, Heidegger - O Caminho através da Fenomenologia para Pensamento do Ser. Esta carta, que responde sobretudo a duas questões - a) qual foi o primeiro impulso que determinou seu pensamento e b) a questão da viravolta -, clarificou as conexões que estão na base do texto comentado, o qual percorre o caminho de Ser e Tempo para Tempo e Ser, e daí para o Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Desta significação de transformação, que é afirmada da metafísica, deve-se distinguir bem precisamente aquela que é visada, quando se fala que o ser se transforma - a saber, no Ereignis. Aqui não se trata de uma manifestação do ser que, como nova, pudesse ser comparada às figuras metafísicas do ser. Entende-se, muito antes que o ser - junto com todas as suas revelações epocais - está contido no destino, mas que, como destino, é reassumido dentro do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Entre as formas epocais do ser e as transformações do ser no Ereignis, situa-se o arrazoamento. Este é, por assim dizer, uma estação intermediária, oferece uma dupla perspectiva, é - assim se poderia dizer - uma cabeça de Jano. Pode significar ainda como que uma continuação da vontade de vontade e assim ser compreendida como a extrema característica do ser. Mas é, ao esmo tempo, uma forma prévia do próprio Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


No transcurso do seminário, falou-se repetidas vezes de experimentar. Assim, entre outras coisas, se disse: O despertar no interior do Ereignis deve ser experimentado, não pode ser demonstrado. Uma das últimas questões levantadas referiu-se ao sentido deste experimentar. Viu-se uma certa contradição no fato de o pensamento mesmo dever ser a experiência do estado de coisas, sendo, de outro lado, apenas a preparação da experiência. Portanto, assim se concluiu, o pensamento (também o pensamento que foi tentado no próprio seminário) não é ainda a experiência. Que é, então, esta experiência? Seria a renúncia ao pensamento? MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Mas a preparação já ocorre com o exercício do próprio pensamento, na medida em que o experimentar não é nada de místico, nenhum ato de iluminação, mas a entrada na residência do Ereignis. Assim, o despertar dentro do Ereignis permanece algo que deve ser experimentado, mas justamente enquanto tal, algo que primeiro está necessariamente ligado ao despertar do esquecimento do ser para o Ereignis. Permanece, portanto, primeiro, um acontecer que deve ser mostrado e deve sê-lo. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


O fato de o pensamento estar no estágio da preparação não significa que a experiência seja de outra natureza que o pensamento preparador como tal. O limite do pensamento preparador reside em outra parte. De um lado, no fato de que, possivelmente, a metafísica permaneça assim em seu estágio final, de que o outro pensamento não pode chegar à manifestação - e, contudo, é. Neste caso aconteceria com o pensamento que, como provisório (precursor), avança o olhar até o Ereignis, somente pode mostrar - quer dizer, dar indicações que terão como tarefa possibilidade a orientação para a entrada na morada do Ereignis - algo semelhante ao que aconteceu com a poesia de Hölderlin, que durante um século não esteve presente - e, contudo, era. De outro lado, o limite do pensamento preparador reside no fato de a preparação só poder ser produzida pelo pensamento numa perspectiva particular. A preparação é realizada, sempre de outra maneira, também na poesia, na arte etc., nas quais igualmente acontece um pensar e um falar. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


A recusa de mundo de que se fala em A Viravolta está em conexão com a recusa e a suspensão do presente em Tempo e Ser. Pois de recusa e suspensão pode-se falar também ainda no Ereignis, na medida em que estas duas palavras se referem aos modos como se dá tempo. Agora não resta dúvida de que a discussão do Ereignis é o lugar da despedida de ser e tempo; estes, porém, permanecem, de certa maneira, como o dom do Ereignis. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Da finitude do ser foi primeiro falado no livro sobre Kant. A finitude do Ereignis, a que se fez referência durante um seminário, a finitude do ser, da quaternidade, distingue-se, porém, daquela, na medida em que não é mais pensada a partir da relação com a infinitude, mas como finitude em si mesma: finitude, fim, limite, aquilo que é próprio - o estar protegido dentro do que é próprio. Nesta direção - quer dizer, a partir do próprio Ereignis, a partir do conceito de propriedade - é pensado o novo conceito de finitude. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"


Ereignis (das): «apropiación»; «acontecimiento», «evento». Sin duda, Ereignis es uno de los términos heideggerianos por antonomasia que atraviesa todo su pensamiento. En un sentido general, Ereignis indica la relación dinámica de copertenencia entre ser y Dasein. El término aflora por primera vez en el semestre de pos-guerra de 1919 y desempeña un papel importante en la re-interpretación hermenéutica de la fenomenología puesta en marcha en esos primeros anos de docencia. Poco después, es reemplazado por el sentido kairológico que los griegos y cristianos dan al tiempo entendido como instante (Kaipóç). Después, reaparece en Ser y Tiempo en la acepción común de «acontecimiento» o «evento». Y no será hasta su segunda gran obra, Contribuciones a la filosofía. Sobre el evento (1936-1938), donde adquiera su significado más técnico para indicar el fenómeno del «acontecimiento apropiador» del ser. Como se acaba de apuntar, el término aparece en diversos momentos, pero con sentidos distintos que cabe tener presentes para evitar posibles malentendidos de su obra. A este respecto, hay que recordar el diferente sentido que tiene la expresión en las primeras lecciones de Friburgo de 1919, La idea de la filosofía y el problema de la concepción del mundo, en Ser y Tiempo y en el Heidegger de la Kehre, respectivamente. 1) En el primer caso, Ereignis se utiliza en un sentido enfático para indicar todo aquello que es vivido y experimentado por la vida, por lo que no tiene nada que ver con el «acontecimiento apropiador» del que se habla en la Kehre. El término Ereignis indica aqui el modo como se realiza originariamente la vida y sus vivencias (Erlebnisse) y se diferencia de forma radical del modo de ver teorético-científico que Heidegger denomina Vorgang («proceso»). Una vivencia no es un Vorgang, un objeto que se coloca delante de mí, sino un Ereignis, algo que me pasa a mí (véase al respecto la entrada Vorgang [der]). El prefijo Er — de las expresiones Er-eignis («apropiación») y Er-lebnis («vivencia») indica (re)vivir en toda su intensidad y genuidad las experiencias de la vida, sumergirse en su corriente vital, tomarias directamente en su significatividad y no, como sucede en la actitud teorética y reflexiva, objetivarlas en conceptos estáticos. 2) En Ser y Tiempo, el uso ocasional de Ereignis remite al sentido habitual de acontecimiento que encontramos en expresiones tan coloquiales como «acontecimientos mundanos», «acontecimientos históricos», «acontecimientos pa-sados», etcétera. 3) Y en el caso de la llamada Kehre, especialmente después de Contribuciones a la filosofía, el término Ereignis se convierte en la palabra clave de su pensamiento, asumiendo una función y un significado realmente peculiar. A diferencia del sentido trascendental que el ser adquiere en la historia de la ontología, Heidegger intenta pensar la íntima copertenencia de ser y Dasein en términos del «acontecimiento apropiador» (Ereignis), un acontecimiento que se caracteriza por el doble movimiento de donación y retracción, manifestación y ocultamiento. Asimis-mo, el Ereignis expresa otro aspecto fundamental del ser, a saber, su carácter histórico-epocal. El ser se manifiesta histórica y epocalmente de diferentes maneras a lo largo de la historia de la filosofía: naturaleza, Dios, hombre, espíritu, voluntad, engranaje. A diferencia de la metafísica, que concibe el ser como algo esencialmente estático e inmutable, Heidegger apuesta por una comprensión dinámica del ser como un acaecer histórico. En el contexto de la obra temprana de Heidegger, véase también la entrada interrelacionada Vorgang (der). [GA56/57, p. 75; SZ,, pp. 250, 253, 257, 284, 290, 378, 382, 389, 440, 444.] [LHDF]


Ni es el mérito de mi preguntar ni el edicto de mi pensar el que este pertenecer y aportar repose en el aconteciente a.propiar y se llame Ereignis (cf. Identidad y Diferencia, p. 30 ss.). Que aquello que, muy sin pensar, nombramos "verdad", para los griegos se llame a-letheia, y por cierto, tanto en la lengua poética y en la no-filosófica como en la filosófica, no es invención ni arbitrio de ellos. Es la más alta dote de su lengua, en la cual lo presenciante como tal alcanzó el desocultamiento y — el ocultamiento. Quien no tenga sentido para avistar el dar de un tal don, para el destinar de algo así destinado, no comprenderá jamás el discurso del destino del ser, tan escasamente como el ciego de nacimiento podrá jamás experimentar qué son luz y color. Heideggeriana: CartaPrologo

Lo que prevalece en el Decir, el advenimiento apropiador, sólo lo podemos nombrar diciendo: Él - el advenimiento apropiador - hace propio (Es - das Ereignis - eignet). Diciendo esto hablamos en nuestra propia lengua ya hablada. Escuchemos unos versos de Goethe que emplean el verbo eignen, sich eignen (hacer propio; ser apropiado), en la proximidad de sich zeigen (mostrarse), bezeichnen (designar, señalar), aunque no en la perspectiva de la esencia del habla. Goethe dice: Von Aberglauben früh und spät umgarnt: Es eignet sich, es zeigt sich an, es warnt. [Faust, Segunda parte de la tragedia, acto V: media noche.] (Rodeado de supersticiones mañana y tarde: se hace propio. se viene a mostrar, pone en guardia). Heideggeriana: CaminhoLinguagem

Al ser el Mostrar del Decir el «hacer-propio», el poder escuchar el Decir, el pertenecerle, también reside él mismo en el advenimiento apropiador. Para percibir en toda su amplitud la cuestión de la que aquí se trata, sería necesario pensar de manera suficientemente completa la esencia de los mortales en todos sus aspectos y, antes que nada, sin duda, el advenimiento apropiador como tal. Aquí deberá bastar una indicación. [Véase Vorträge und Aufsätze (1954): Das Ding (La cosa). Bauen Wohnen Denken pág. 145 ss. (Edificar Habitar Pensar), Die Frage nach der Technik pág. 13 ss. (La pregunta por la técnica) Hoy cuando lo apenas pensado o lo pensado a medias está propulsado de inmediato en una forma cualquiera de publicación, a muchos puede parecerles increíble el hecho de que el autor emplee en sus manuscritos desde hace veinticinco años la palabra Ereignis para la cuestión aquí pensada. Esta cuestión, aunque en sí misma sencilla, sigue, por ahora, como algo difícil de pensar porque el pensamiento debe comenzar por perder la costumbre de caer en la opinión de que aquí se piensa el «ser» como advenimiento apropiador. Pero el advenimiento apropiador es algo esencialmente distinto porque es más rico que toda determinación metafísica del ser. En cambio, el ser, en cuanto a la procedencia de su esencia. se deja pensar a partir del advenimiento apropiador.] Heideggeriana: CaminhoLinguagem

Dilucidar el habla quiere decir no tanto llevarla a ella, sino a nosotros mismos al lugar de su esencia, a saber: al recogimiento en el advenimiento apropiador (Ereignis). Heideggeriana: Linguagem1950

Debemos pensar en qué medida la verdad en tanto que desocultamiento de lo ente no dice otra cosa más que la presencia de lo ente como tal, es decir, del ser (vid. p. 62, y de este modo el discurso acerca del establecerse de la verdad - es decir, del ser-dentro de lo ente, tocará la parte cuestionable de la diferencia ontológica (vid. «Identität und Differenz», 1957, pp. 37 y ss.). Por eso, en «El origen de la obra de arte» (p. 52) se dice cautamente: «Cuando alude a ese establecerse de la apertura en el espacio abierto, el pensar toca una región que no podemos detenernos a explicar todavía». Todo el ensayo sobre «El origen de la obra de arte» se mueve, a sabiendas aunque tácitamente, por el camino de la pregunta por la esencia del ser. La reflexión sobre qué pueda ser el arte está determinada única y decisivamente a partir de la pregunta por el ser. El arte no se entiende ni como ámbito de realización de la cultura ni como una manifestación del espíritu: tiene su lugar en el Ereignis, lo primero a partir de lo cual se determina el «sentido del ser» (vid. «Ser y Tiempo»). Qué sea el arte es una de esas preguntas a las que no se da respuesta alguna en este ensayo. Lo que parece una respuesta es una mera serie de orientaciones para la pregunta. (Vid. las primeras frases del Epílogo.) Heideggeriana: OOA1935

Una de estas orientaciones la tenemos en dos importantes indicaciones que se hacen en las páginas 61 y 66. En ambos lugares se habla de una «ambigüedad». En la página 66 se habla de una «ambigüedad esencial» respecto a la determinación del arte como el «poner en obra de la verdad». Aquí, la verdad es tanto «sujeto» como «objeto» de la frase. Ambas caracterizaciones son «inadecuadas». Si la verdad es «sujeto», la definición que habla de un «poner a la obra de la verdad» quiere decir en realidad el «ponerse a la obra de la verdad» (vid. pp. 61 y 29). Por lo tanto el arte es pensado como Ereignis. Sin embargo, el ser es una llamada hecha a los hombres y no puede ser sin ellos. En consecuencia, el arte también ha sido determinado como un poner a la obra de la verdad, esto es, ahora la verdad es «objeto» y el arte consiste en la creación y el cuidado humanos. Heideggeriana: OOA1935

¿Qué acontece en la historia del ser? No podemos preguntar así, porque habría entonces un acontecer y algo que acontece. Pero el acontecer es el único acontecimiento [Geschehnis]. Sólo el ser es. ¿Qué acontece? No acontece nada, si vamos a la búsqueda de algo que acontezca en el acontecer. No acontece nada, el acaecimiento acaece apropiando [das Ereignis er-eignet]. El inicio - al dirimir el despejamiento - en sí mismo se despide. El inicio que acaece es lo digno en cuanto es la verdad misma que se eleva en su despedir. Lo digno es lo noble que acaece sin necesidad de obrar. Lo noble del digno acaecimiento del inicio es la única liberación en cuanto acaecimiento apropiante [Ereignis] de la libertad, la des-ocultación es la ocultación, y esto porque es la propiedad del fundamento abismal [Ab-grund]. Heideggeriana: RelembrarMetafisica

Nadie puede saber si, cuándo, dónde, ni cómo, se desarrolla este paso del pensar hasta convertirse en un auténtico camino, pasaje y construcción de sendas (entendiendo por auténtico, que es usado en el Ereignis). Podría ocurrir que se consolidara antes el dominio de la metafísica, bajo la forma de la técnica moderna y de sus desarrollos de incalculable rapidez. También podría ser que todo lo que aparece en el camino del paso atrás, sea simplemente usado y elaborado a su manera por la metafísica, que aún perdura, a modo de producto de un pensar representativo. Heideggeriana: OntoTeoLogia1957

La mutua pertenencia de hombre y ser a modo de provocación alternante, nos muestra sorprendentemente cerca, que de la misma manera que el hombre es dado en propiedad a ser, el ser, por su parte, ha sido atribuido en propiedad al hombre. En la com-posición reina un extraño modo de dar o atribuir la propiedad. De lo que se trata es de experimentar sencillamente este juego de propiación en el que el hombre y el ser se transpropian recíprocamente, esto es, adentrarnos en aquello que nombramos Ereignis. La palabra Ereignis ha sido tomada de la lengua actual. Er-einen significa originariamente: asir con los ojos, esto es divisar, llamar con la mirada, a-propiar. La palabra Ereignis, pensada a partir del asunto indicado, debe hablar ahora como palabra conductora al servicio del pensar. Pensada como palabra conductora, se deja traducir tan poco como la palabra conductora griega logos, o la china Tao. La palabra Ereignis ya no significa aquí lo que en otros lugares denominamos como algún tipo de acontecimiento, algo que sucede. La palabra se utiliza ahora como singulare tantum. Lo que nombra acontece sólo en la unidad, esto es, ni siquiera en un número, sino de modo único. Lo que experimentamos en la com-posición como constelación de ser y hombre, a través del moderno mundo técnico, es sólo el preludio de lo que se llama acontecimiento de transpropiación. Pero la com-posición no se queda necesariamente detenida en su preludio, pues en el acontecimiento de transpropiación habla la posibilidad de sobreponerse al mero dominio de la com-posición para llegar a un acontecer más originario. Tal modo de sobreponerse a la com-posición a partir del acontecimiento de transpropiación para llegar a esto último, traería consigo el retroceso eventual, esto es imposible de llevar a cabo sólo por el hombre, del mundo técnico desde su papel dominante a la servidumbre, dentro del ámbito gracias al cual el hombre llega más propiamente al acontecimiento de transpropiación. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

¿A dónde ha conducido el camino? A un alto de nuestro pensar en esto simple que nosotros llamamos Ereignis en el sentido más estricto de la palabra. Parece como si ahora cayésemos en el peligro de dirigir nuestro pensar con demasiada despreocupación hacia algo general muy distante, mientras que lo qué sé nos dice con aquello que quiere nombrar la palabra Er-eignis, es sólo lo más próximo de aquella proximidad en la que ya estamos. Pues, ¿qué podría resultarnos más próximo que lo que nos aproxima hacia aquello a lo que pertenecernos, en donde tenemos nuestro lugar, esto es, el acontecimiento de transpropiación? Heideggeriana: PrincipioIdentidade

Pensar el Ereignis como acontecimiento de transpropiación, significa trabajar en la construcción de este ámbito oscilante en sí mismo. El pensar recibe del lenguaje la herramienta de trabajo para esta construcción en equilibrio. Pues el lenguaje es la oscilación más frágil y delicada que contiene a todo dentro de la construcción en equilibrio del Ereignis. En la medida en que nuestra esencia dependa del lenguaje, habitamos en el Ereignis. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

Hemos llegado a un punto del camino en el que se impone la pregunta algo burda pero inevitable: ¿qué tiene que ver el Ereignis con la identidad? La respuesta es: nada. Por el contrario, la identidad tiene que ver mucho, si no todo, con el Ereignis. ¿En qué medida? Contestaremos dando unos pasos atrás por el camino andado. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

El Ereignis une al hombre y al ser en su esencial dimensión mutua En la com-posición vemos un primer e insistente destello del Ereignis. Ella constituye la esencia del mundo técnico moderno. En la com-posición divisamos una mutua pertenencia de hombre y ser en la que el dejar pertenecer es lo primero que determina el modo de la dimensión mutua y de su unidad. La frase de Parménides, «lo mismo es en efecto el pensar que el ser», es la que nos conduce a la pregunta por una mutua pertenencia en la que la pertenencia tenga la preeminencia sobre lo mutuo. La pregunta por el sentido de este «lo mismo», es la pregunta por la esencia de la identidad. La doctrina de la metafísica representa la identidad como un rasgo fundamental del ser. Aquí se muestra que el ser tiene su lugar, junto con el pensar, en una identidad cuya esencia procede de ese dejar pertenecer mutuamente que llamamos Ereignis. La esencia de la identidad es una propiedad del acontecimiento de transpropiación. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

Tal principio se presenta en primer lugar bajo la forma de un principio fundamental que presupone la identidad como un rasgo del ser, esto es, del fundamento de lo ente. Este principio, entendido como enunciado, en camino se ha convertido en un principio a modo de un salto que se separa del ser como fundamento de lo ente y, así, salta al abismo. Pero este abismo no es ni la nada vacía ni una oscura confusión, sino el acontecimiento de transpropiación. En el acontecimiento de transpropiación oscila la esencia de lo que habla como lenguaje y que en una ocasión fue denominado la casa del ser. «Principio de identidad» quiere decir ahora un salto exigido por la esencia de la identidad, ya que lo necesita si es que la mutua pertenencia de hombre y ser debe alcanzar la luz esencial del Ereignis. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

Suponiendo que espere a nuestro encuentro la posibilidad de que la com-posición, esto es, la provocación alternante de hombre y ser en el cálculo de lo calculable, nos hable como el Ereignis que expropia al hombre y al ser para conducirlos a lo propio de ellos, habría entonces un camino libre en el que el hombre podría experimentar de modo originario lo ente, el todo del mundo técnico moderno, la naturaleza y la historia, y antes que todo su ser. Heideggeriana: PrincipioIdentidade

Debemos abdicar de la opinión de que la vecindad entre poesía y pensamiento se agota en la turbia y vociferante amalgama de ambos modos del decir, donde cada uno se apropia de aspectos inciertos del otro. Aquí y allá puede, a veces, parecerlo. Pero en verdad, y en virtud de su esencia, a la poesía y al pensamiento los mantiene separados una delicada aunque, luminosa diferencia, cada uno sostenido en su propia oscuridad: dos paralelas, en griego, ...., la una al lado de la otra; una frente a otra, trascendiendo, sobrepasándose cada uno a su modo. Poesía y pensamiento no están separados si por separación se entiende: relegado a no poder sostener relación alguna. Las paralelas se entrecruzan en el in-finito. Allí se entrecruzan en un cruce que no hacen ellas mismas. Por este cruce están primeramente cortadas, esto es, dibujadas al designio de su esencia vecinal. Este dibujo es el trazo (Riss). Traza abriendo de golpe la poesía y el pensamiento a su mutua proximidad. La vecindad entre poesía y pensamiento no es el resultado de un proceso por el que poesía y pensamiento vendrían - no se sabe de donde - primeramente a juntarse, originándose de este modo una proximidad; una vecindad. La proximidad que aproxima es el advenimiento apropiador (Ereignis) mismo, desde el cual poesía y pensamiento están remitidos a lo propio de su esencia. Heideggeriana: EssenciaLinguagem

Lo ya dicho permite, y en cierto modo exige incluso, decir cómo no hay que pensar el acaecimiento. Lo nombrado con el nombre alemán das Ereignis (el acaecimiento) no podemos representárnoslo ya tomando como hilo conductor el significado usual de la palabra; pues éste la entiende en el sentido de evento y suceso - no desde el apropiarse como el esclarecedor y salvaguardante extender y destinar-. Heideggeriana: TempoYSer

Sólo que el único objetivo de esta conferencia se encam

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