
PENSAMENTOS, título com que foram publicadas, em 1670, as fichas e notas reunidas por Pascal tendo em vista uma grande obra consagrada à Apologia da religião cristã. A doença e morte do autor interromperam o livro. Nele, Pascal dirige-se a um "libertino", em quem deseja despertar inquietude mostrando-lhe a miséria do homem sem Deus. Para isso, emprega os recursos da persuasão (espírito de finura) e da demonstração (espírito de geometria). Pascal descreve a situação do homem entre os dois infinitos (o infinitamente grande e o infinitamente pequeno), o obstáculo à verdadeira reflexão, constituído pelo "amor-próprio" e pelos preconceitos, e a fuga do homem, ante a miséria de sua condição, no "divertimento". Entretanto, malgrado sua miséria, o homem é grande por seu espírito; é um "caniço, mas um caniço pensante". Abismo de grandeza e pequenez, nem anjo nem besta, enigma vivo, o homem só encontrará a explicação de si próprio na religião. Para entrar na religião, é preciso apostar em Deus. A obra termina com a figura radiante do Filho de Deus, com uma mística do coração, que "tem suas razões que a própria razão desconhece". Esse, o último resultado de toda vida cristã. Esse admirável livro está entre aqueles que têm despertado os mais apaixonados comentários. [Larousse]