
(gr. sympatheia; in. Sympathy; fr. Sympatie; al. Sympathie; it. Simpatia). Ação recíproca entre as coisas ou sua capacidade de influência mútua. Esse conceito é antigo e desde a antiguidade foi aplicado tanto à realidade humana quanto à física, mas foi usado pelos filósofos antigos principalmente em relação ao mundo físico. Para os estoicos, a simpatia é o nexo que interliga as coisas, mantém-nas ou as faz convergir para a ordem do mundo (Arnim, Stoicorum fragmenta, II, p. 264). Para Plotino, a simpatia era o fundamento da magia: "De onde provêm os encantamentos? Da simpatia, graças à qual há uma concordância natural entre coisas semelhantes e discordância natural entre as coisas diferentes, e graças à qual também há grande número de potências variadas que colaboram para a unidade desse grande animal que é o universo." (Enn., IV, 4, 40). Plotino também dizia que "a simpatia é como uma corda esticada, que ao ser tocada numa das pontas transmite o movimento para a outra ponta.(...) E se a vibração passa de um instrumento para o outro por simpatia, também no universo há uma harmonia única, que às vezes é feita de contrários, mas outras vezes é feita também de partes semelhantes e congêneres" (Ibid., IV, 4, 41). A magia insere-se na simpatia universal e, recorrendo a meios oportunos, aproveita-a para suas próprias finalidades, realizando assim efeitos que parecem extraordinários e milagrosos. Esse conceito de simpatia, que pressupõe a animação de todas as coisas, é o fundamento da magia, sendo admitido igualmente por todos os mágicos da Renascença (cf. Campanella, De sensu rerum, IV, 1; 14; Agripa, De occulta philosophia, I, 1; I, 37; Cardan, De varietate rerum, 1,1-2; G. B. Elmont, Opuscula philosophica, I, 6, etc). Com o declínio da magia no mundo moderno, o significado de simpatia limitou-se a indicar a comunhão de emoções entre os indivíduos humanos. Hume foi o primeiro a insistir na importância da simpatia no que se refere à formação de todas as emoções humanas: "Nenhuma qualidade da natureza humana é mais importante em si mesma ou em suas consequências do que a propensão que temos a simpatizarmos uns com os outros, a recebermos a comunicação das inclinações e dos sentimentos dos outros, por mais diferentes que sejam dos nossos, ou mesmo contrários. (...) A esse princípio podemos atribuir a grande uniformidade observável nos humores e nos modos de pensar dos membros de uma mesma nação: é muito mais provável que essa semelhança surja da simpatia que da influência do solo e do clima, que, apesar de serem sempre os mesmos, não conseguem manter inalterado por um século inteiro o caráter de uma nação" (Treatise, 1738, II, 1,11). É de se notar que Hume atribuiu à simpatia o caráter que mais tarde seria ressaltado por Scheler e rejeitado por autores mais modernos: o fato de ela não implicar nenhuma identidade de emoções ou fusão emocional nas pessoas entre as quais ocorre. Adam Smith só fez adotar a ideia diretiva de Hume, ao considerar a simpatia como base da vida moral e ao entendê-la como "a faculdade de participar das emoções de outrem, sejam elas quais forem" (Theory of Moral Sentiments, 1759, I, 1, 3). Ocasionalmente, recorreu-se à simpatia no campo estético e biológico, chamando-a às vezes de empatia. Bergson devolveu à simpatia o caráter instintivo e viu nela a possibilidade de apreender diretamente a natureza da vida: "O instinto é simpatia. Se essa simpatia pudesse estender seu objeto e refletir sobre si mesma, dar-nos-ia a chave das operações vitais, da mesma maneira como a inteligência, desenvolvida e retificada, nos introduz na matéria" (Évol. créatr., 8a ed., 1911, P- 191)- Por outro lado, numa obra famosa sobre a simpatia, Scheler distinguiu-a dos fenômenos afins mas não idênticos, especialmente daquilo que ele chama de contágio emotivo ou fusão emotiva. A fusão emotiva consiste em ter a mesma emoção de outrem; p. ex., os pais que perderam um filho sentem a mesma dor. A simpatia, ao contrário, não supõe a identidade de emoções: participar da dor alheia por sentir piedade não significa sentir a mesma dor. Por isso, para Scheler a simpatia era o componente da compreensão, que é condicionada pelo reconhecimento da alteridade entre as pessoas: "A simpatia, a participação afetiva autêntica, é uma função e não comporta um estado afetivo na pessoa que o sente. O estado afetivo de B, implícito na piedade que sinto por ele, para mim continua sendo o estado afetivo de B: não passa para mim, quando o lastimo, e não produz em mim um estado semelhante ou idêntico" (Sympathie, 1923, 1; trad. fr., p., 69).