futuro

Category: Heidegger - Ser e Tempo etc.
Submitter: mccastro

futuro

Zukunft, Künktiges Toda investigação, e não apenas a investigação que se move no âmbito da questão central do ser, é sempre uma possibilidade ôntica da presença [Dasein]. O ser da presença [Dasein] tem o seu sentido na temporalidade. Esta, por sua vez, é também a condição de possibilidade da historicidade enquanto um modo de ser temporal da própria presença [Dasein], mesmo abstraindo da questão do se e como a presença [Dasein] é um ente “no tempo”. A determinação de historicidade se oferece antes daquilo a que se chama de história (acontecimento pertencente à história universal). Historicidade indica a constituição de ser do “acontecer”, próprio da presença [Dasein] como tal. É com base na historicidade que a “história universal”, e tudo que pertence historicamente à história do mundo, torna-se possível. Em seu ser fático, a presença [Dasein] é sempre como e “o que” ela já foi. Explicitamente ou não, a presença [Dasein] é sempre o seu passado e não apenas no sentido do passado que sempre arrasta “atrás” de si e, desse modo, possui, como propriedades simplesmente dadas, as experiências passadas que, às vezes, agem e influem sobre a presença [Dasein]. Não. A presença [Dasein] “é” o seu passado no modo de seu ser, o que significa, a grosso modo, que ela sempre “acontece” a partir de seu FUTURO. Em cada um de seus modos de ser e, por conseguinte, também em sua compreensão de ser, a presença [Dasein] sempre já nasceu e cresceu dentro de uma interpretação de si mesma, herdada da tradição. De certo modo e em certa medida, a presença [Dasein] se compreende a si mesma de imediato a partir da tradição. Essa compreensão lhe abre e regula as possibilidades de seu ser. Seu próprio passado, e isso diz sempre o passado de sua “geração”, não segue, mas precede a presença [Dasein], antecipando-lhe os passos. STMSC: §6 O ter medo ele mesmo libera a ameaça que assim caracterizada se deixa e faz tocar a si mesma. Não se constata primeiro um mal FUTURO (malum futurum) para então se ter medo. O ter medo também não constata primeiro o que se aproxima, mas, em seu ser amedrontador, já o descobriu previamente. É tendo medo que o medo pode ter claro para si o de que tem medo, “esclarecendo-o”. A circunvisão vê o amedrontador por já estar na disposição do medo. Como possibilidade adormecida do ser-no-mundo disposto, o ter medo é “medrosidade” e, como tal, já abriu o mundo para que o amedrontador dele possa aproximar-se. A própria possibilidade de aproximação é liberada pela espacialidade essencialmente existencial de ser-no-mundo. STMSC: §30 Haurido da constituição ontológica da decisão antecipadora, o conteúdo fenomenal desse sentido preenche o significado do termo temporalidade. O uso terminológico dessa expressão deve, de início, manter distantes todos os significados impostos pelo conceito vulgar de tempo como “FUTURO”, “passado” e “presente”. O mesmo vale para os conceitos de um “tempo” “subjetivo” e “objetivo”, respectivamente, “imanente” e “transcendente”. Na medida em que, numa primeira aproximação e na maior parte das vezes, a presença [Dasein] compreende impropriamente, pode-se presumir que o compreender vulgar de “tempo” apresente um fenômeno, sem dúvida, autêntico, mas derivado. Ele surge da temporalidade imprópria que, por sua vez, possui sua própria origem. Os conceitos de “FUTURO”, “passado” e “presente” nascem, imediatamente, da compreensão imprópria de tempo. A delimitação terminológica dos fenômenos originários e próprios correspondentes lutam com a mesma dificuldade inerente a toda terminologia ontológica. Nesse campo de investigação, as violências não são arbitrariedade mas uma necessidade fundada nas coisas de que trata. Para que se possa demonstrar, sem lacunas, a origem da temporalidade imprópria a partir da temporalidade originária e própria, é imprescindível uma elaboração concreta do fenômeno originário que até agora só foi caracterizado grosseiramente. STMSC: §65 A cura é ser-para-a-morte. A decisão antecipadora foi determinada como ser próprio para a possibilidade característica da absoluta impossibilidade da presença [Dasein]. Nesse ser-para-o-fim, a presença [Dasein] existe, total e propriamente, como o ente que pode ser “lançado na morte”. Ela não possui um fim em que ela simplesmente cessaria. Ela existe finitamente. Em sentido próprio, o porvir que temporaliza primariamente a temporalidade, que constitui o sentido da decisão antecipadora, desvela-se, portanto, como sendo em si mesmo finito. Mas “o tempo não continua” apesar de eu não mais estar presente? E muitas coisas não podem restar, ilimitadamente, no “FUTURO” e dele advir? STMSC: §65 A tentação de se passar por cima da finitude do porvir originário e próprio e, com isso, da temporalidade, considerando-a “a priori” impossível, nasce da constante imposição da compreensão vulgar de tempo. Se esta, com razão, só conhece um tempo infinito, isto ainda não prova que ela já compreenda este tempo e a sua “infinitude”. O que significa o tempo “prossegue e passa”? O que significa “no tempo” em geral e, de maneira específica, “no” e “do FUTURO”? Em que sentido “o tempo” é infinito? Estas perguntas devem ser esclarecidas para que as objeções vulgares contra a finitude do tempo originário não permaneçam infundadas. Este esclarecimento, porém, só pode realizar-se caso se alcance um questionamento adequado de finitude e in-finitude. Este, por sua vez, surge de uma visão compreensiva do fenômeno originário do tempo. O problema não pode ser, portanto: como é que o tempo infinito e “derivado”, “no qual” nasce e perece o ser simplesmente dado, torna-se temporalidade finita e originária, mas sim como o tempo im-próprio provém da temporalidade finita e própria, e como ela, sendo imprópria, temporaliza um tempo in-finito a partir do tempo finito. Somente porque o tempo originário é finito é que o tempo “derivado” pode temporalizar-se como m-finito. Na ordem da apreensão compreensiva, a finitude do tempo só se torna plenamente visível quando se explicita o “tempo sem fim” para contrapô-lo à finitude. STMSC: §65 Mas será que, talvez, a tese da temporalidade dos humores não valha apenas no caso dos fenômenos escolhidos para a análise? Como se pode encontrar um sentido temporal na morna ausência de humores que domina o “cotidiano cinzento”? E o que dizer da temporalidade dos humores e afetos como esperança, alegria, encantamento e jovialidade? Que não apenas o medo e a angústia mas também outros fenômenos estão existencialmente fundados num vigor de ter sido, isso se mostra, claramente, quando nomeamos fenômenos tais que tédio, tristeza, melancolia e desespero. Sem dúvida, sua interpretação deve fazer-se com base numa analítica mais ampla da presença [Dasein], elaborada existencialmente. Mas também um fenômeno como a esperança, que parece totalmente fundada no porvir, deve ser analisado de forma correspondente à análise do medo. Em oposição ao medo, que se relaciona a um malum futurum, costuma-se caracterizar a esperança como espera de um bonum futurum. Para a estrutura do fenômeno, porém, o decisivo não é tanto o caráter “FUTURO” daquilo a que a esperança está relacionada mas, sobretudo, o sentido existencial do próprio ter esperança. Também aqui o caráter de humor reside, primariamente, em ter esperança enquanto ter esperança-para-si. Aquele que tem esperança carrega, por assim dizer, a si mesmo para dentro da esperança, contrapondo-se ao que é esperado. Isso pressupõe, no entanto, um ter-se-conquistado. Que a esperança, em oposição ao medo que abate, alivia diz apenas que também essa disposição permanece referida ao peso de uma carga, no modo de ser o ter sido. Do ponto de vista ontológico, o humor exaltado, ou melhor, exaltante só é possível numa remissão ekstático-temporal da presença [Dasein] ao fundamento-lançado de si mesma. STMSC: §68 História não significa apenas o “passado” no sentido do que passou, mas também a sua proveniência. O que “tem história” encontra-se inserido num devir. O seu “desenvolvimento” pode ser ora ascensão, ora queda. O que, desse modo, “tem uma história” pode, ao mesmo tempo, “fazer” história. “Fazendo época”, determina-se numa “atualização”, o “FUTURO”. História significa, aqui, um “conjunto de acontecimentos e influências” que atravessa “passado”, “presente” e “FUTURO”. Aqui, o passado não tem primazia. STMSC: §73 Esse encobrimento nivelador do tempo do mundo, realizado pela compreensão vulgar do tempo, não é acidental. Mas justamente porque a interpretação cotidiana do tempo se mantém unicamente na direção da visão da compreensibilidade das ocupações, compreendendo somente o que se “mostra” em seu horizonte, é que se lhe devem escapar tais estruturas. O contado na medição temporal das ocupações, o agora, é compreendido conjuntamente na ocupação do que está à mão e do que é simplesmente dado. Como essa ocupação do tempo se volta para o tempo aí compreendido e o “observa”, ela vê os agora que, de algum modo, estão “pre [das Da]-sentes por aí”, no horizonte da compreensão de ser que, constantemente, orienta essa ocupação. Os agora também são e estão, portanto, de certo modo, simplesmente dados em conjunto: ou seja, tanto o ente como o agora vêm ao encontro. Embora não se diga explicitamente que os agora são, como as coisas, simplesmente dados, do ponto de vista ontológico, eles são “vistos” no horizonte da ideia de ser simplesmente dado. Os agora passam e os agora que passaram constituem o passado. Os agora advêm e os agora que advirão delimitam o FUTURO. Enquanto tempo-agora, a interpretação vulgar do tempo do mundo não dispõe de horizonte para, assim, poder tornar acessíveis para si mundo, significância e possibilidade de datação. Essas estruturas permanecem, necessariamente, encobertas, e tanto mais quanto a interpretação vulgar do tempo consolida ainda mais esse encobrimento através da maneira em que constrói, conceitualmente, a sua caracterização do tempo. STMSC: §81 A principal tese da interpretação vulgar do tempo – de que ele é “infinito” – revela, ainda mais profundamente, o nivelamento e o encobrimento do tempo do mundo, inseridos nessa interpretação, e, com isso, da temporalidade em geral. Numa primeira aproximação, o tempo se oferece como a sequência ininterrupta de agora. Cada agora também já é um há pouco e um logo mais. Se a caracterização do tempo se atém, primária e exclusivamente, a essa sequência, então, nela, como tal, não se pode encontrar, fundamentalmente, nem um começo e nem um fim. Enquanto agora, todo último agora já é sempre um logo não mais. É, portanto, tempo no sentido de agora-não-mais, de passado; todo primeiro agora é sempre um há pouco, ainda-não e, com isso, tempo no sentido de agora-ainda-não, de FUTURO. “Para ambos os lados”, o tempo é o sem fim. Essa tese temporal apenas é possível, orientando-se por uma sequência de agora, simplesmente dada em si mesma e solta no ar, na qual todo o fenômeno do agora se encobriu, no tocante à possibilidade de datação, mundanidade, dimensão de lapso e teor público, inerente à presença [Dasein], desaparecendo numa fragmentação irreconhecível. Numa visão do que é simplesmente dado e do que não é simplesmente dado, “pensando-se até o fim” a sequência dos agora nunca se chega a um fim. Como esse pensar o tempo até o fim ainda deve sempre pensar o tempo, costuma-se concluir que o tempo é infinito. STMSC: §81 A temporalidade ekstática e horizontal temporaliza-se, primordialmente, a partir do porvir. A compreensão vulgar do tempo, ao contrário, vê o fenômeno fundamental do tempo no agora e no puro agora que, moldado em toda sua estrutura, se costuma chamar de “presente”. Daí se pode depreender que, em princípio, deve ficar fora de qualquer possibilidade esclarecer e, sobretudo, derivar desse agora o fenômeno ekstático e horizontal do instante que pertence à temporalidade própria. De modo correspondente, não se confundem o porvir ekstático, o “então” datável da significância e o conceito vulgar de FUTURO, no sentido de simples agora que ainda não advieram e que estão em advento. Tampouco coincidem o vigor de ter sido, ekstaticamente compreendido, o “outrora” datável da significância e o conceito de passado, no sentido dos puros agora passados. O agora já não fica grávido do agora-ainda-não. Ao contrário, a atualidade surge do porvir na unidade ekstática e originária de temporalização da temporalidade. STMSC: §81 As seguintes sentenças comprovam que Hegel interpreta o tempo orientando-se, primariamente, pelo nivelamento do agora: “O agora tem um direito extraordinário – ele nada mais ‘é’ do que o agora singular mas que, excluindo-se em seu estilhaçamento, se dissolve e, ao se pronunciar, se liquefaz e se pulveriza”. “Ademais na natureza, onde o tempo é agora, ele não chega a uma diferenciação ‘subsistente’ daquelas dimensões (passado e FUTURO)”. “No sentido positivo do tempo, pode-se, portanto, dizer: somente o presente é, o antes e o depois não são; mas o presente concreto é o resultado do passado e a ânsia de FUTURO. O verdadeiro presente é, portanto, a eternidade”. STMSC: §82


O que nos leva a nomear juntos tempo e ser? Ser significa, desde a aurora do pensamento ocidental-europeu até hoje, o mesmo que presentar. De dentro do presentar e da presença fala o presente. Este constitui, segundo a representação corrente, a característica do tempo junto com o passado e o FUTURO. Ser enquanto presença é determinado pelo tempo. Já o fato de esta ser a situação bastaria para levar uma contínua inquietação ao interior do pensamento. A inquietação cresce tão logo nos pomos a caminho para meditar em que medida se dá esta determinação do ser através do tempo. MHeidegger: TEMPO E SER Presente — mal acabamos de nomeá-lo isoladamente, já pensamos em passado e FUTURO, o antes e o depois à diferença do agora. Mas o presente que se pensa a partir do agora não é, de maneira alguma, o mesmo que o presente no sentido da presença dos convivas... Pois também não dizemos nunca, nem podemos dizê-lo: "No agora de numerosos convivas celebrou-se a festa". MHeidegger: TEMPO E SER Mas se necessitamos caracterizar o tempo a partir do presente compreendemos o presente como o agora à diferença do não-mais-agora do passado e do ainda-não-agora do FUTURO. Presente, significa, porém, ao mesmo tempo, pre-s-ença. Não estamos, contudo, acostumados a determinar o que é próprio do tempo, tomando como ponto de referência o presente no sentido de pre-s-ença. Representamos, muito antes, o tempo — a unidade de presente, passado, FUTURO — a partir do agora. Já Aristóteles diz que aquilo que do tempo é, isto é, se pre-s-enta, é cada agora. Passado e FUTURO são um mè òn ti: algo não ente, certamente não simplesmente nada, mas, antes, o que se presenta e a que algo falta, carência que é designada através do "não-mais" — e do "ainda-não" — agora. Visto desta maneira, o tempo aparece como a sucessão de "agoras", cada um dos quais, apenas nomeado, já flui para o "há pouco" e já é perseguido pelo "logo a seguir". Kant diz do tempo, assim representado: "Ele tem apenas uma dimensão" (Crítica da Razão Pura, A 31, B 47). Entende-se o tempo conhecido como a sucessão na seqüência de agoras, quando se mede e calcula o tempo. Temos o tempo calculado — ao menos assim parece — imediatamente à mão, diante de nós, quando tomamos na mão o relógio, o medidor do tempo e, olhando para a posição dos ponteiros, constatamos: "Agora são 20 horas e 50 minutos". MHeidegger: TEMPO E SER Mas o ausentar também se endereça a nós, no sentido do ainda-não-presente, ao modo do presentar, no sentido do vir-ao-nosso-encontro. É assim que se ouve dizer: O FUTURO já começou; o que não é o caso, porque o FUTURO jamais começa primeiro, na medida em que ausentar do ainda-não-presente já sempre, de algum modo, nos aborda, quer dizer, se presenta tão imediatamente como o que foi. No FUTURO, no vir-ao-nosso-encontro, é alcançado presentar. MHeidegger: TEMPO E SER Se atentamos com mais precauções ao que foi dito, então encontramos no ausentar, seja aquilo que foi, seja o FUTURO, uma maneira de presentar e de abordar (dirigir a) que, de modo algum, coincide com o presentar no sentido do presente imediato. De acordo com isto, trata-se de observar: nem todo presentar é necessariamente presente; coisa estranha. Não obstante, encontramos tal presentar, a saber, a abordagem que nos alcança, também no presente. Também nele é-nos alcançado presentar. MHeidegger: TEMPO E SER Como determinaremos este jogo de alcançar-nos o presentar, no presente, no passado e no FUTURO? Repousa este alcançar no fato de nos alcançar, ou nos alcança porque é em si um alcançar? Vale a segunda alternativa. Advir, enquanto ainda não presente, alcança e traz, ao mesmo tempo, presente. "Ao mesmo tempo", dizemos e atribuímos, com isto, ao recíproco-alcançar-se de FUTURO, passado e presente, isto é, à sua própria unidade, um caráter temporal. MHeidegger: TEMPO E SER Este procedimento não corresponde, sem dúvida, à realidade objetiva, admitindo-se que tenhamos que designar "tempo", a unidade do alcançar agora mostrada, e precisamente esta. Pois o tempo mesmo não é nada de temporal, assim como tampouco é algo entitativo. Por isso fica-nos vedado dizer: FUTURO, passado, presente, subsistem "simultaneamente". Não obstante, fazem parte de uma unidade em seu recíproco-alcançar-se. Sua unidade unificante só pode determinar-se a partir do que lhes é próprio, do fato de reciprocamente se alcançarem. Mas o que se alcançam uns aos outros? Nada mais que a si mesmos, e isto quer dizer: o pre-s-entar neles alcançado. Com isto se ilumina o que denominamos espaço-de-tempo. Com a palavra "tempo", porém, já não significamos a sucessão da seqüência de agoras. De acordo com isto, espaço-de-tempo também não significa mais apenas a distância entre dois pontos de agoras do tempo calculado, distância que assinalamos quando, por exemplo, verificamos: No espaço de tempo de cinqüenta anos, aconteceram tais e tais coisas. Espaço-detempo designa agora o aberto, que se ilumina no recíproco-alcançar-se de FUTURO, passado e presente. Somente este aberto e apenas este delimita a possível expansão para o espaço que nos é vulgarmente conhecido. O iluminados alcançar-se-recíproco de FUTURO, passado e presente é, ele mesmo, pré-espacial; só por isso pode delimitar espaço, isto é, dar. MHeidegger: TEMPO E SER Contudo, antes de qualquer cálculo sobre o tempo e dele independente, é no iluminados alcançar-se-recíproco de FUTURO, passado e presente que repousa o elemento próprio do espaço-de-tempo do tempo autêntico. De acordo com isto, é próprio do tempo autêntico, e só dele, aquilo que, com risco constante de sermos mal compreendidos, denominamos dimensão, diâmetro. Esta repousa no alcançar iluminados caracterizado como aquilo em que o FUTURO traz o passado, o passado o FUTURO, e a relação mútua de ambos a clareira do aberto. MHeidegger: TEMPO E SER O que, porém, na enumeração, chamamos de quarta dimensão é, de acordo com a realidade, a primeira, isto é, o alcançar que a tudo determina. Este produz, no porvir, no passado, no presente, o presentar que é próprio a cada um, os mantém separados pelo iluminar, e os retém, de tal maneira, unidos um ao outro, na proximidade, a partir da qual permanecem reciprocamente próximas as três dimensões. E por isso que denominamos ao primeiro, originário, literalmente empreendedor alcançar, no qual repousa a unidade do tempo autêntico, a proximidade que aproxima, proximidade como Nahheit — palavra antiga, ainda usada por Kant. Esta, porém, aproxima FUTURO, passado e presente, um do outro, enquanto afasta. Pois mantém o que foi, aberto, enquanto recusa seu porvir como presente. Este aproximar-se da proximidade mantém aberto o advento desde o FUTURO, enquanto, na vinda, retém o presente. A proximidade que aproxima tem o caráter da recusa e da retenção. Mantém previamente ligados um ao outro na unidade, os modos do alcançar do passado, do FUTURO e do presente. MHeidegger: TEMPO E SER O tempo não é. Dá-Se o tempo. O dar que dá tempo determina-se a partir da proximidade que recusa e retém. Ela garante o aberto do espaço-de-tempo e preserva o que, no passado, permanece recusado, e, no FUTURO, retido. Denominamos o dar que dá o tempo autêntico, alcançar que ilumina e oculta. Na medida em que o próprio alcançar é um dar, oculta-se, no tempo autêntico, o dar de um dar. MHeidegger: TEMPO E SER Sem dúvida, a Filosofia, desde seu começo, sempre que meditou sobre o tempo, perguntou onde situá-lo. Tinha-se com isto principalmente em vista o tempo calculado como o fluir da sucessão da seqüência de "agoras". Explicava-se que este tempo numerado com que calculamos não podia dar-se sem a psyché, sem o animas, sem a alma, sem a consciência, sem o espírito. Tempo não se dá sem o homem. Mas o que significa este "Não-sem"? É o homem o doador do tempo ou seu destinatário? E, se for este último, como recebe o homem o tempo? É o homem primeiro homem para então, ocasionalmente, isto é, em qualquer tempo, acolher o tempo e assumir a relação com ele? O tempo autêntico é a proximidade unificante do tríplice alcançar iluminados de presença a partir do presente, do passado e do FUTURO. Esse tempo já alcançou o homem enquanto tal, de tal maneira que ele só pode ser homem enquanto está colocado no tríplice alcançar, e sustenta a proximidade que, recusando e retendo, determina este alcançar. O tempo não é obra do homem; o homem não é obra do tempo. Aqui não há um obrar. Somente há o dar, no sentido do supramencionado alcançar que ilumina o espaço-de-tempo. MHeidegger: TEMPO E SER No tempo autêntico e seu espaço-se-tempo, mostrou-se o alcançar do que foi, portanto, do não-mais-presente, a recusa deste. No alcançar do FUTURO, mostrou-se, portanto, do ainda-não-presente, a retenção deste. Recusa e retenção revelam o mesmo traço que a suspensão no destinar: a saber, o subtrair-se. MHeidegger: TEMPO E SER

Submitted on:  Fri, 27-Aug-2021, 05:41