tédio

Category: Heidegger - Ser e Tempo etc.
Submitter: mccastro

tédio

Langeweile. VIDE Angst Como vimos, nós tratamos do tédio, não de uma tonalidade afetiva qualquer. Se tomamos agora todo este estudo como uma orientação fundamental sobre a essência do homem, então precisamos dizer inicialmente que, em meio à discussão do tédio, aproximamos efetivamente de nós uma tonalidade afetiva, talvez mesmo uma tonalidade afetiva fundamental do homem. No entanto, só aproximamos de nós uma vivência anímica possível, e, além disso, fugidia, a partir da qual não temos o direito de tirar conclusões sobre todo o homem. A questão é que, a partir de nossas considerações introdutórias, já sabemos – e clarificamos este saber através da interpretação concreta do tédio – que as tonalidades afetivas enquanto tais não são meros matizes, nem fenômenos paralelos da vida, mas sim modos fundamentais do [363] próprio ser-aí; modos nos quais as coisas se dão para alguém de uma maneira ou de outra, modos do ser-aí, nos quais ele é aberto para si de uma maneira ou de outra. Por isso, não podíamos mesmo tratar do tédio como um objeto da psicologia. Exatamente por isso, também não podemos tirar absolutamente conclusões a partir deste objeto da psicologia sobre o todo do homem. O estabelecimento desta conclusão é tanto menos necessário, quanto mais se tem em vista o fato de a tonalidade afetiva nos trazer de modo muito mais fundamental e essencial até nós mesmos. Em meio à tonalidade afetiva as coisas se dão de uma maneira ou de outra para alguém. O tédio profundo mostra-nos o significado desta afirmação. O ser-aí em nós revela-se. E isto não diz uma vez mais: nós recebemos informações sobre algo, sobre um processo que, de outra forma, permanecería inconsciente para nós. Ao contrário, o ser-aí nos coloca diante do ente na totalidade. Em meio à tonalidade afetiva, as coisas se dão de uma maneira ou de outra para alguém – o que implica que a tonalidade afetiva torna manifesto justamente o ente na totalidade e a nós mesmos como nos encontrando em meio ao ente na totalidade. O ser-afinado e a tonalidade afetiva não descrevem de forma alguma a tomada de conhecimento de estados anímicos, mas sim o ser-transposto para o interior da abertura a cada vez específica do ente na totalidade; e isto diz: para o interior da abertura do ser-aí enquanto tal, assim como ele se encontra disposto a cada vez em meio a esta totalidade. A guisa de repetição, lembro dos momentos essenciais do tédio profundo: a serenidade vazia e o ser-retido na forma concreta, específica de nosso tédio, o ser-banido e o ser-atraido para o instante. Tudo isto indicou-nos o modo como, nesta tonalidade afetiva, todo o abismo do ser-aí se descerra em meio ao ser-aí. [GA29-30MAC:362-362]


2) A rapidez – de todo tipo; a elevação mecânica das “velocidades” técnicas, e essas velocidades em geral apenas uma consequência dessa rapidez; essa rapidez, o não suportar a tranquilidade do crescimento velado e da expectativa; a busca pelo es-pantoso em sua enorme rapidez, que nos arrebata e “choca” sempre uma vez mais de maneira imediata e diversa; o caráter fugidio como lei fundamental da “constância”. Necessariamente o rápido esquecimento e o perder-se no próximo. A partir daí, então, a representação equivocada do alto e do “mais alto” em meio à imagem desfigurada dos desempenhos extremos; elevação puramente quantitativa, a cegueira em relação ao verdadeiramente instantâneo, que não é fugidio, mas que abre a eternidade. Para a rapidez, porém, o eterno é a mera duração do mesmo, o e-assim-por-diante vazio; permanece velada a autêntica in-quietude da luta, em seu lugar entra a agitação do funcionamento constantemente inventivo, que é caçado em si mesmo pela angústia em relação ao TÉDIO. GA65MAC: 58 23) A “ciência” empreende, assim, o asseguramento do estado de uma completa ausência de necessidade no saber e permanece, por isso, na era da completa ausência de questões, constantemente “o que há de mais moderno”. Todas as finalidades e utilidades se encontram fixadas, todos os meios estão à mão, todos os benefícios são realizáveis: só falta ainda superar diferenças de grau de refinamento e criar para os resultados a maior amplitude possível da mais simples utilização. A meta velada, à qual cabe tudo isso e todo o resto, sem pressentir e poder pressentir minimamente isso, é o estado do TÉDIO completo na esfera das conquistas mais próprias, que um dia não poderão mais esconder o caráter do TÉDIO, caso tenha permanecido, então, ainda um resto de força de saber, a fim de se espantar ao menos nesse estado e de desentranhar esse estado mesmo e o abandono do ser do ente que boceja aí. GA65MAC: 76

Submitted on:  Sun, 29-Aug-2021, 15:41