
Corresponde à essência da imagem a coerência, o sistema. Com isto não nos referimos à simplificação e reunião artificial e externa do dado, mas à unidade da estrutura no re-presentado como tal, unidade que se desdobra a partir do projeto de objetividade do ente. Na Idade Média, o sistema é impossível, pois ali o único essencial é a ordem das correspondências, concretamente a ordem do ente no sentido do criado por Deus e previsto como tal criação sua. O sistema resulta ainda mais alheio ao mundo grego, por mais que nos tempos modernos se fale erroneamente de sistema platônico e aristotélico. Na investigação, a empresa (máquina de negócios) é uma determinada conformação e disposição do sistemático nas quais este determina ao mesmo tempo a disposição em uma relação de reciprocidade. Ali onde o mundo se converte em imagem, o sistema se faz com o domínio, e não somente no pensamento. Porém, onde o sistema é guia, também cabe sempre a possibilidade da degeneração até a exterioridade de um sistema que foi simplesmente fabricado e encaixado. De fato, isto é o que ocorre quando falta a força originária do projeto. Ainda não se compreendeu a singularidade, diversa em si mesma, da sistemática que se chama à atenção em Leibniz, Kant, Fichte, Hegel e Schelling. A sua grandeza reside em que, frente a Descartes, o caráter de sistema não se desdobra a partir do subjectum (v. sujeito) como ego e substância finita, mas como em Leibniz, a partir da mônada, como em Kant, a partir da essência transcendental da razão finita, enraizada na imaginação, como em Fiche, a partir do Eu infinito, como em Hegel, a partir do Espírito como saber absoluto ou, como em Schelling, a partir da liberdade enquanto necessidade de todo ente, o qual como tal ente permanece determinado pela diferença entre fundamento e existência. [DZW]