animal racional

Category: Heidegger em português
Submitter: Murilo Cardoso de Castro

animal racional

O primeiro humanismo, o romano, e todo humanismo, que, desde então, tem surgido, pressupõem evidente a "essência" universal do homem. O homem é considerado como animal rationale. Tal determinação não é apenas a tradução latina do zoon logon echon grego mas também uma interpretação metafísica. Essa determinação da Essência do homem não é falsa. Todavia, é condicionada pela metafisica. A proveniência de sua Essência e não somente suas limitações tornaram-se dignas-de-serem-questionadas (frag-würdig) em Ser e Tempo. (...)

Como quer que se determine, com respeito à determinação da Essência do homem, a ratio do animal e a razão do ser vivo, seja como "faculdade dos princípios", ou como "faculdade das categorias" ou de outro modo qualquer, sempre a Essência da razão se funda em que o Ser em si mesmo já se iluminou e aconteceu em sua Verdade em toda percepção (Vernehmen) do ente em seu ser. Igualmente, no animal, Zoon, já se põe uma interpretação da "vida", que, necessariamente, se baseia numa interpretação do ente como zoe e physis, na qual o ser vivo aparece. Além disso - e antes de tudo - resta perguntar, por fim, se originariamente e antecedendo, decisivamente, a tudo, a Essência do homem repousa na dimensão da animalitas. Estaremos num bom caminho para a Essência do homem, quando e enquanto dis-tinguirmos o homem, como um ser vivo entre outros, da planta, do animal e de Deus? Sem dúvida, assim também se poderá proceder; dessa maneira será possível situar o homem dentro do ente, como um ente entre outros. E, ao fazê-lo, sempre se há de conseguir afirmar algo correto do homem. Todavia, também dever-se-ia ter sempre em mente, que, assim, o homem permanecerá definitivamente relegado ao âmbito de vigor da animalitas, mesmo no caso de não vir a ser identificado com o animal mas de se lhe atribuir uma diferença específica Em princípio, se pensa sempre o homo animalis ainda quando se põe anima, como animas sive meus e essa, como sujeito, como pessoa, como espírito. Esse pôr é o modo próprio da metafísica. Desse modo, a Essência do homem é apoucada e nunca pensada em sua pro-veniência. A proveniência da Essência do homem permanecerá sempre para a humanidade Histórica seu por-vir Essencial. A metafísica pensa o homem a partir da animalitas. Ela não o pensa na direção de sua humanitas. [CartaH]

Submitted on:  Sat, 16-Oct-2010, 14:55