
A evocação convoca. Desse modo, traz para uma proximidade a vigência do que antes não havia sido convocado. Convocando, a evocação já provocou o que se evoca. Provocou em que sentido? No sentido da distância onde o evocado se recolhe como ausência.
Provocar é evocar uma proximidade. Mas evocar é retirar o que se evoca da distância que o resguarda quando é evocado. Evocar é sempre provocar e invocar, provocar a vigência e invocar a ausência. O cair da neve, o soar do sino da tarde nos falam aqui e agora no poema. Eles existem numa evocação. Eles não vigoram, porém, como o que está aqui e agora nessa sala. Que vigência é mais elevada, essa do que está aqui e agora diante de nós ou aquela do que se evoca? [GA12]