
Name Tivemos a audácia de reformular o verso: nenhuma coisa é onde falta a palavra [Wort]. "Coisa", entende-se aqui no sentido tradicionalmente amplo de algo que de algum modo é. Nessa acepção, um deus [Gott] é também uma coisa. Somente quando se encontra a palavra para a coisa, a coisa é coisa. Somente então ela é. Devemos portanto frisar bem: nenhuma coisa é, onde a palavra, isto é, o nome [Name] falhar. É a palavra que confere ser [Sein] às coisas. Mas como pode uma simples palavra fazer isso, ou seja, conferir ser a alguma coisa? O que se passa é, a bem dizer, o contrário. Olhem o esputinique. Essa coisa, se é que isso é coisa, é, existe independentemente desse nome, posteriormente atribuído. Mas talvez tudo se passe de maneira bem diversa quando, ao invés de foguetes, bomba atômica, reatores, está em questão o que o poeta nomeia na primeira estrofe da primeira tríade: Milagre da distância e da quimera Trouxe para a margem de minha terra Muitas pessoas também consideram um milagre essa "coisa" esputinique, essa "coisa" que fica pairando num espaço de "mundo" inteiramente desprovido de mundo; para muitos, isso foi e permanece sendo uma quimera: milagre e quimera da técnica moderna, essa que menos parece capaz de admitir que a palavra possa conferir ser às coisas. Afinal, no cálculo [Rechnung] da calculação planetária, são as ações que contam e não as palavras. Para que poetas...? [Wozu .Dichter...?] E daí! Mas não deixemos os pensamentos se apressarem. Não será essa "coisa", o que e como ela é, algo em nome de seu nome? Decerto. Entendida como o maior aumento técnico possível das velocidades, a pressa constitui o único espaço de tempo onde as máquinas e aparelhos modernos podem ser o que são. Se a pressa assim entendida já não tivesse convocado e recomendado o homem para o seu apelo, também não haveria nenhum esputinique: nenhuma coisa é onde falha a palavra. Permanece uma coisa muito enigmática a palavra da linguagem [Sprache] e sua relação com a coisa, com aquilo que é — que é e como é. [GA12MS:125-126]