apropriada

Category: Heidegger em português
Submitter: Murilo Cardoso de Castro

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É hoje já muito difícil representar-se a amplidão das dificuldades que barravam o caminho do questionamento da questão do ser, seu ponto de partida e sua realização. No horizonte do neokantismo daquela época, uma filosofia, para encontrar ouvidos, devia satisfazer à expectativa, pensando kantiana, critica e transcendentalmente. Ontologia era uma expressão proibida. Husserl mesmo, que, nas Investigações Lógicas - antes de tudo na VI -, muito se aproximara da questão do ser propriamente dita, não pôde manter-se firme na atmosfera filosófica daquele tempo; terminou sob a influência de Natorp e realizou a virada para a fenomenologia transcendental, que atingiu seu primeiro ponto alto nas Idéias. Com isto, porém, foi abandonado o princípio da Fenomenologia. Esta irrupção da filosofia (na forma do neokantismo) no âmbito da fenomenologia teve como conseqüência que Scheler e muitos outros se separassem de Husserl; mas, em tudo isto, fica em aberto se e como a secessão foi coerente com o princípio "às questões do pensamento". Tudo isto foi lembrado para classificar a possível questão pelo modo de proceder na conferência. Este procedimento pode ser caracterizado como fenomenológico, na medida em que sob o nome Fenomenologia não se compreende uma espécie particular e um movimento da Filosofia, mas algo que impera em toda Filosofia. Este algo pode ser nomeado da maneira mais apropriada com o conhecido dito "às coisas mesmas". Foi exatamente neste sentido que as investigações de Husserl se destacaram, em face do procedimento do neokantismo, como algo novo e extraordinariamente sugestivo; foi assim que Dilthey, o primeiro, as viu em 1905. E é neste sentido que se pode dizer que Heidegger preserva a Fenomenologia propriamente dita. Com efeito, sem a postura fenomenológica fundamental, a questão do ser não teria sido possível. MHeidegger: PROTOCOLO DO SEMINÁRIO SOBRE A CONFERÊNCIA "TEMPO E SER"

Submitted on:  Mon, 28-May-2007, 12:44