
Selbstheit, Selbigkeit Aquilo em-vista-de-que, porém, o ser-aí existe, é ele mesmo. À mesmidade pertence o mundo; ele está essencialmente referido ao ser-aí. Antes de tentarmos a investigação da essência desta referência e de interpretarmos o ser-no-mundo do em-vista-de como primeiro caráter do mundo, faz-se necessário desfazer alguns mal-entendidos sobre o que foi dito, facilmente compreensíveis. A proposição: O ser-aí existe em-vista-de-si-mesmo não contém nenhuma afirmação egoístico-ôntica de um fim para um cego amor-próprio de cada homem fático. Ela não pode, por conseguinte, ser "refutada", digamos, mostrando-se o fato de que muitos homens se sacrificam pelos outros e que em geral os homens não existem apenas para si, mas em comunidade. Na proposição citada, não reside nem um isolamento solipsista do ser-aí, nem uma afirmação egoísta do mesmo. Mas, pelo contrário, a proposição dá a condição de possibilidade para que o homem "se comporte, quer "egoística", quer "altruisticamente". Somente porque o ser-aí como tal é determinado pela mesmidade, pode um eu-mesmo relacionar-se com um tu-mesmo. Mesmidade é o pressuposto para a possibilidade da egoidade, que sempre apenas se revela no tu. Nunca, porém, a mesmidade está relacionada com o tu, mas é - porque possibilita isto - neutra em face do ser-eu e ser-tu e ainda com mais razão em face da "sexualidade". Todas as proposições de uma analítica ontológica do ser-aí no homem tomam este ente de antemão nesta neutralidade. [MHeidegger SOBRE A ESSÊNCIA DO FUNDAMENTO]