Intentionalität

Category: Heidegger - Termos originais
Submitter: mccastro

Intentionalität

intentionnalité intentionality NT: Intentionality, intentional acts (Intentionalität, intentionale Akte), 48, 363 n. 22. See also Directing itself toward; Phenomenology [BTJS]


O que caracteriza propriamente o movimento inicial da analítica existencial [existenziale Analytik] é antes de tudo a redução do ser [Sein] do homem [Mensch] à pura intencionalidade. Nós somos radicalmente intencionalidade. Não consciências intencionais, não sujeitos [Subjekt] intencionais, mas única e exclusivamente intencionais. Dizer isso implica ao mesmo tempo afirmar que o ser do homem é constituído por aquele elemento da intencionalidade que propriamente a caracteriza, que essencialmente a constitui, que revela seu traço estrutural mais determinante. O elemento sem o qual a intencionalidade perde todo e qualquer sentido é justamente a sua dinâmica ekstática [Ekstase] originária. Intencionalidade, em seu étimo primordial, significa literalmente “tender para o interior de” (in-tentio). No caso da descrição husserliana da essência da consciência [Bewusstsein], a consciência é intencional exatamente porque, no momento mais originário em que ela é, ou seja, no momento em que se inicia a sua vida como consciência, ela se vê imediatamente projetada, lançada para fora em direção ao campo de autoconstituição dos objetos [Objekt]. Assim, toda consciência é aqui “consciência de”. Não porque sempre há um objeto que a consciência apreende, mas porque a vida da consciência sempre a coloca intencionalmente em contato com os objetos no campo de realização mesmo das experiências de consciência. Portanto, ao reduzir a consciência intencional husserliana à pura e simples ekstase, o que Heidegger faz é literalmente afirmar que o homem é constituído originariamente por um movimento de ser para fora. Contra o pressuposto moderno mais evidente, contra a posição, por exemplo, fichtiana de que toda consciência sempre é necessária e originariamente consciência de si, Heidegger suprime toda e qualquer possibilidade de se falar de uma interioridade inicial que condicionaria em seguida a experiência da exterioridade. Nós nunca estamos primeiro dentro, para posteriormente experimentarmos o fora, mas, ao contrário, nós já estamos sempre fora, jogados em um campo para o qual toda inferioridade não apenas é inacessível, mas também inútil. Esse estado de coisas, então, traz consigo uma série de consequências, que precisamos ter em vista para acompanhar a reconstrução da descrição fenomenológica do existir, que é levada a termo desde o princípio por Heidegger. [MACMundo1:31-32]

Submitted on:  Thu, 22-Jul-2021, 20:29