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empirismo

Definition:
(in. Empiricism; fr. Empirisme; al. Empirismus; it. Empirismó).

O empirismo, ou filosofia da experiência, é a corrente filosófica que considera a experiência como fonte única do conhecimento (fonte do conhecimento). O empirismo ignora que a experiência só é possível na pressuposição de condições não experimentáveis. O empirismo propõe-se, de modo especial, explicar os conceitos e juízos universais mediante a pura experiência. Sem dúvida, "todo nosso conhecimento começa com a experiência" e por ela é, de qualquer maneira, condicionado. Mas não se pode admitir que nossos conhecimentos se restrinjam ao domínio da mera experiência. Nem sequer pode ser derivado da experiência o princípio: "todo conhecimento proveniente da experiência é verdadeiro"; menos ainda o axioma básico do empirismo: "só a experiência garante o conhecimento verdadeiro". — O empirismo deve renunciar igualmente a explicar os conceitos universais. As representações sensoriais comuns ou esquemas não bastam para explicá-los, porque tais esquemas não podem como predicados, ser atribuídos de modo idêntico a muitos objetos reais. O conceito lógico de "homem" é rigorosamente uno, ao passo que seu esquema sensorial admite diversas formas. Por isso, tampouco esses esquemas podem desempenhar o papel de sujeito ou predicado em juízos universais. Por sua vez, precisam eles de uma norma, para serem produzidos e conhecidos como esquemas, e essa norma é o conceito lógico. Nem basta apelar para representações acessórios sensoriais subconscientes, porque o conceito universal é representação consciente e clara. Não se nega que o conceito possivelmente se revista de esquema sensível e seja acompanhado de representações acessórias sensíveis; mas este processo pressupõe o conceito lógico. — O empirismo confunde, outrossim, a relação intelectiva sujeito-predicado com a associação cega. O empirismo tenta fundamentar a validade dos juízos universais a partir da indução. Mas a indução tem pressuposições (a lei de uniformidade da natureza) que não podem ser fundamentadas pela mera experiência. — A rejeição da metafísica como conhecimento que transcende a experiência desconhece que a própria experiência é condicionada por princípios transempíricos, de sorte que em todo verdadeiro conhecimento ela é implicitamente ultrapassada.

Precursor do empirismo moderno foi o nominalismo da baixa e alta Idade Média. Bacon de Vendam (+ 1626) formula, em termos claros e inequívocos, no "Novum Organum" os princípios do empirismo e arvora a indução em método único da ciência. Esta doutrina foi ulteriormente ampliada na direção do sensismo de J. Locke (+ 1709) e do positivismo de Condillac (+ 1780). Também o neopositivismo é um rebento do empirismo. Kant admite, sem dúvida, que a experiência só é possível graças a funções não experienciais do espírito, mas, por não haver analisado profundamente estas funções, circunscreve a validade objetiva delas, de acordo com os princípios do empirismo. — VIDE racionalismo. — Santeler. [Brugger]




Com este nome designa-se uma doutrina filosófica e em particular gnoseológica segundo a qual o conhecimento se funda na experiência. Costuma contrapor-se o empirismo ao racionalismo, para o qual o conhecimento se funda, pelo menos em grande parte na razão. Contrapõe-se também ao inatismo, segundo o qual o espírito, a alma, e, em geral, o chamadosujeito cognoscente” possui ideias inatas, isto é, anteriores a toda a aquisição de dados. Para os empiristas, o sujeito cognoscente é semelhante a uma tábua rasa onde se inscrevem as impressões procedentes do mundo exterior. Pode-se dizer que, em geral, há três tipos de empirismo: o psicológico, o gnoseológico e o metafísico. Para o primeiro, o conhecimento tem integralmente a sua origem na experiência; o segundo defende que a validade de todo o conhecimento radica na experiência; o último afirma que a própria realidade é empírica, isto é, que não há outra realidade para além da que é acessível à experiência e em particular à experiência sensível.

Neste artigo restringir-se-á o termo empirismo ao chamado empirismo moderno e especialmente ao empirismo inglês, representado por Francis Bacon, Hobbes, Locke, Berkeley e Hume. Costuma-se opor este empirismo ao racionalismo continental (especialmente o de Descartes, Malebranche, Espinosa, Leibniz), embora sem grande pretexto, pois há autores empiristas, como Locke, que revelam uma forte componente racionalista.

Comum a todos os empiristas ingleses é a concepção do espírito ou sujeito cognoscente como um receptáculo no qual ingressam os dados do mundo exterior transmitidos pelos sentidos mediante a percepção. Os dados que ingressam nesse receptáculo são as chamadas (por Locke e Berkeley) ideias, que Hume denomina sensações. Essas ideias ou sensações constituem a base de todo o conhecimento. Mas o conhecimento não se reduz a elas. com efeito, se o conhecimento fosse assim consistiria numa série desconexa de dados meramente presentes. É mister que as ideias ou sensações se acumulem, por assim dizer, no espírito, de onde acorrem, ou melhor, de onde “são chamadas” para se ligarem a outras percepções. Graças a isso, torna-se possível executar operações como recordar, pensar, etc. - a menos que sejam estas operações as que tornam possível o recorrer às ideias ou sensações depositadas -; em todo o caso, é necessário que esta segunda fase do processo cognitivo para que o conhecimento seja propriamente esse e não mera presença de percepções continuamente mutáveis. A relação entre a primeira e a segunda fase do processo cognitivo é paralela à relação entre as ideias ou sensações primitivas e as ideias ou sensações ditas “complexas”, sem as quais não poderia haver noções de objetos compostos de várias ideias elementares, isto é, de objetos (que se supõem ser substâncias) com qualidades. Com efeito, a formação dos objetos compostos não segue a ordem na qual foram obrigatoriamente dadas as impressões primárias, mas outras ordens diferentes que, além disso, sempre têm de ser confirmadas mediante o recurso à experiência primeira. Acima destes processos encontra-se o processo chamado reflexão, mediante o qual se torna possível o reconhecimento de conceitos e, em geral, de algo universal. Isto não significa que o universal seja aceite como propriamente real. Os autores que são, ao mesmo tempo, empiristas e nominalistas manifestam especialmente uma grande desconfiança para com tudo o que aparece como abstrato e, relativamente a este tema, estabelecem-se grandes diferenças entre os autores empiristas. Também diferem os empirismos no que respeita à diferença dos processos de inferência e àquilo a que Hume chamou relações de ideias. A admissão de uma diferença básica entre os fatos e as ideias, como propõe Hume (para o qual as ideias, no sentido de relações de ideias, são meras possibilidades de combinação) não é o único tipo de empirismo existente, mas é um dos formulados com maior precisão e que exerceu maior influência. Grande parte das tendências empiristas contemporâneas, inclusive o positivismo lógico, seguiram, neste aspecto, o empirismo de Hume.

Nos empiristas atrás mencionados, é caraterístico aquilo a que chamamos “empirismo psicológico”, a que dão um alcance gnoseológico. Contra isto se rebelou Kant. No princípio da Crítica da Razão Pura, Kant declara que, embora todo o conhecimento comece com a experiência, nem todo o conhecimento procede de a experiência. Isto quer dizer que a origem do conhecimento reside (psicologicamente) na experiência, mas a validade do conhecimento reside (gnoseologicamente) fora da experiência. Assim, nem todo o conhecimento é, para Kant, a posteriori; constitui-se por meio do a priori. Para os empiristas ingleses, especialmente para Hume, o a posteriori é sintético e o a priori é analítico. Para Kant existe a possibilidade de juízos sintéticos a priori (na matemática e na física). [Ferrater]


O conjunto dos processos empíricos. (É nessa acepção que se fala dos "tateamentos do empirismo".) — A palavra designa também uma doutrina (desenvolvida por Locke e Hume) segundo a qual todo o conhecimento deriva da experiência. O empirismo opõe-se ao "racionalismo" e à teoria das ideias inatas (Descartes). [Larousse]


Corrente filosófica para a qual a experiência é critério ou norma da verdade, considerando-se a palavra "experiência" no significado 2. Em geral, essa corrente caracteriza-se pelo seguinte: 1) negação do caráter absoluto da verdade ou, ao menos, da verdade acessível ao homem; 2) reconhecimento de que toda verdade pode e deve ser posta à prova, logo eventualmente modificada, corrigida ou abandonada. Portanto, o empirismo não se opõe à razão ou não a nega, a não ser quando a razão pretende estabelecer verdades necessárias, que valham em absoluto, de tal forma que seria inútil ou contraditório submetê-las a controle. Foi desse modo que Sexto Empírico caracterizou o empirismo, e, com base nessas características, reconhecia o seu parentesco com o ceticismo; essas características continuaram sendo fundamentais em todas as doutrinas posteriormente denominadas empíricas, quaisquer que fossem suas determinações peculiares. Sexto Empírico diz que o médico empírico, ou melhor, metódico, "nada afirma temerariamente acerca dos fatos obscuros, mas, sem pretender dizer se são compreensíveis ou não, acompanha os fenômenos e destes toma aquele que lhe parece útil, assim como fazem os céticos". E acrescenta: o que a medicina metódica e o ceticismo têm em íbmum é a falta de dogmas e a indiferença no uso das palavras, sendo comum também a regra de seguir as indicações da natureza é as fornecidas pelas necessidades do corpo (Pirr. hyp., I, 236-41). Depois de vários séculos, Leibniz dava o mesmo conceito de empirismo, mas contrapondo nitidamente o procedimento empírico ao racional: "Os homens agem como os animais na medida em que o concatenamento de suas percepções só é realizado pela memória, assemelhando-se assim aos médicos empíricos, que só têm prática e nenhuma teoria. Em três quartos de nossas ações nós somos apenas empíricos: p. ex., quando prevemos que vai amanhecer, estamos agindo empiricamente, pois estamos esperando que aconteça o que sempre aconteceu. Só o astrônomo julga esse fenômeno com a razão. Mas é o conhecimento das verdades necessárias e eternas que nos distingue dos simples animais e nos faz ter razão e ciência, elevando-nos ao conhecimento de nós mesmos e de Deus" (Monad., §§ 28-29). A razão, nesse sentido, é infalível. Se como faculdade humana pode enganar-se, como "concatenação das verdades e das objeções em boa forma, é impossível que a razão nos engane" (Théod., Disc, § 65). É muito provável que dessas observações de Leibniz nos tenha chegado o conceito de empirismo, do racionalismo e da oposição entre ambos. O racionalismo defende a tese da necessidade da razão como "concatenação das verdades", e não como faculdade, no sentido de que ela não pode ser diferente do que é e, portanto, não pode sofrer desmentidos e não exige confirmações. A tese do empirismo é de que essa necessidade não existe e que, portanto, toda e qualquer "concatenação de verdades" deve poder ser posta à prova, controlada e eventualmente modificada ou abandonada.

A essa característica fundamental do empirismo e com base nela acrescentam-se outras, com as quais ele foi associado em cada fase de sua história:

1) Negação de qualquer conhecimento ou princípio inato, que deva ser necessariamente reconhecido como válido, sem qualquer atesta-ção ou verificação. Essa característica, estabelecida por Locke no primeiro livro de Ensaio, foi das que mais sobressaíram no séc. XVIII e às vezes serviu para definir o empirismo, embora não passe de consequência derivada dele.

2) Negação do "supra-sensível", entendido como qualquer realidade não passível de verificação e controle de qualquer tipo. Ora, os melhores e mais diretos instrumentos de que o homem dispõe para a verificação de si mesmo e das realidades em que está mais diretamente interessado são os órgãos dos sentidos; desse modo, o empirismo apresenta-se na maioria das vezes como o recurso à evidência sensível enquanto método para decidir o que deve ser considerado real. Essa característica foi quase sempre usada para definir a natureza do empirismo; sendo considerada fundamental. Na verdade, por mais importante que seja, não é fundamental, mas secundária e derivada de outra, segundo a qual o empirismo é a exigência de que qualquer verdade só seja aceita se puder ser devidamente verificada e confirmada.

3) Ênfase na importância da realidade atual ou imediatamente presente aos órgãos de verificação e comprovação, ou seja, no fato-, essa ênfase é consequência do recurso à evidência sensível. Essa é a característica que Hegel reconhecia como mérito do empirismo: o princípio de que "o que é verdade deve estar na realidade e estar lá para a percepção", e portanto "aquilo que o homem quiser admitir em seu saber deverá ir ver pessoalmente, confirmar pessoalmente sua presença" (Enc., § 38). Desse ponto de vista, a atitude empírica consiste em ressaltar a importância dos fatos, dos dados, das condiçõesque tornam possível a verificação de uma verdade qualquer, pois a verdade só é verdade quando verificada como tal, e o único meio de verificá-la, se ela se refere a coisas reais, é confrontá-la com os fatos nos quais essas coisas se apresentam, por assim dizer, em pessoa.

4) Reconhecimento do caráter humano limitado, parcial ou imperfeito dos instrumentos de que o homem dispõe para verificar e comprovar a verdade, além da aplicação e do uso desses instrumentos em todos os campos de pesquisa acessíveis ao homem e só neles. Essa é a característica limitativa ou crítica do empirismo, que é tradicionalmente associado ao reconhecimento da limitação das possibilidades humanas, e, portanto, da restrição da investigação aos limites impostos por essas possibilidades, ao mesmo tempo em que é associado à decisão de prosseguir as investigações até onde tais possibilidades o permitam e em qualquer campo que o permitam. Sob esse aspecto, o empirismo é substancialmente uma instância cética, que de dúvida geral transformou-se em dúvida organizada e metódica para experimentar, em todos os campos, o alcance da verdade que o homem pode obter. O empirismo alija da filosofia, e de qualquer pesquisa legítima, os problemas referentes a coisas que não sejam acessíveis aos instrumentos de que o homem dispõe. Hume entendia o empirismo nesse sentido. Donde a constante polêmica do empirismo moderno contra a "metafísica", que é precisamente o campo desses problemas ou ao menos é assim considerada pelas correntes empíricas. Mas no próprio domínio das realidades acessíveis ao homem, o empirismo frequentemente encontra limites que lhe parecem intransponíveis, como p. ex. a "substância" de que fala Locke ou a "coisa em si" de que falam os empiristas do séc. XVIII e o próprio Kant. Essas características são típicas do empirismo moderno que se inicia com Locke. Não incluem, como se vê, nenhuma renúncia ao uso de instrumentos racionais ou lógicos, se adequados às possibilidades humanas. Não incluem sequer a renúncia a qualquer tipo de generalização, hipótese ou teorização, em qualquer escala ou grau, implicando só a exigência de que qualquer generalização, hipótese ou teorização possa ser posta à prova e, portanto, confirmada ou refutada. A mais recente forma de empirismo, qual seja, o empirismo lógico do Círculo de Viena e de algumas correntes inglesas e americanas, ajusta-se às características acima expostas. Com efeito, "a exigência fundamental do empirismo lógico é que qualquer enunciado, para ter sentido, deve ser de certo modo verificado, confirmado ou submetido à prova" (Carnap, Testability and Meaning, em Phil. of Science, 1953, p. 73), e esse princípio leva a restringir a investigação apenas ao domínio dos significados linguísticos que satisfaçam à tradicional exigência empirista de verificação e comprovação e a declarar "desprovidos de sentido" todos os outros. No que concerne ao pensamento antigo e medieval, não se pode dizer que apresente formas completas de empirismo. Nele podem ser facilmente encontrados aspectos ou tendências de empirismo, mas não se observa o conhecimento nem a aceitação da exigência fundamental de que qualquer verdade seja verificada ou comprovada por um método adequado. Mas encontra-se frequentemente a característica 2), o sensacionismo, que foi de fato compartilhado por cirenaicos, estoicos e epicuristas. Entre Platão e Aristóteles, o mais próximo do empirismo é Platão, apesar do interesse que Aristóteles demonstrou pelo mundo natural e da extensão de suas pesquisas nesse campo. De fato, o que Aristóteles considerava como objeto de investigação em qualquer campo é a substância, a razão de ser das coisas, da qual são dedutíveis, por via silogística, todas as propriedades da coisa, e a substância, embora empiricamente seja aquilo que se apresenta sempre do mesmo modo, não é suscetível de verificação ou comprovação pela experiência, mas a ela se chega por meio da dedução dos princípios evidentes comuns a todas as ciências e dos princípios próprios de cada ciência (v. substância). O método dialético de Platão (v. dialética), no entanto, parece consistir justamente na verificação e na comprovação das determinações atribuídas a determinada realidade; assim, essas determinações podem ser abandonadas, corrigidas ou modificadas pelos empregos sucessivos do método. Mas o empirismo de Platão só pode ser reconhecido pelos modernos, já que Platão contrapunha o seu método precisamente à experiência e nele evidenciava as características contrárias: como aparece claramente no trecho de Leis (citado no verbete experiência) em que à experiência do médico de escravos contrapõe o procedimento racional do médico de homens livres (Leis, IV, 720 c-d). Na Idade Média, a tendência empirista manifesta-se na negação frequente da realidade do universal, que sempre implica o recurso à experiência, e no reconhecimento da experiência como processo que permite verificar e comprovar a realidade atual das coisas; p. ex., como conhecimento intuitivo. Nesse sentido, a doutrina de Ockham é a principal manifestação do empirismo medieval. Finalmente, a antítese estabelecida por Francis Bacon entre a antecipação da natureza, que, sem verificação nem comprovação, salta dos casos particulares para os axiomas generalíssimos, e a interpretação da natureza, que consiste em ir, "sem saltos e por graus", das coisas particulares aos axiomas (Nov. Org., I, 24), representa a certidão de nascimento do empirismo moderno e de sua oposição a qualquer forma de racionalismo dogmático. [Abbagnano]

Submitted on 03.05.2010 17:12
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