Login
Username:

Password:

Remember me



Lost Password?

Register now!
Main Menu
Search
Who is Online
4 user(s) are online (4 user(s) are browsing Léxico Filosofia)

Members: 0
Guests: 4

more...
Home Léxico Filosofia A abstração Léxico Filosofia
Browse by letter
All | A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z | Other

abstração

Definition:
do grego aphairesis, separação conceituaal do assunto no estudo dos objetos da matemática [FEPeters]

do latim abstrahere

a) gramaticalmente, é o ato pelo qual nosso espírito separa, num objeto, uma qualidade particular para considerá-la isoladamente de todas as outras, e com exclusão do próprio sujeito,

b) Filosoficamente. abstrair consiste em separar (abstrahere = arrancar, desligar) pelo pensamento, ou considerar separadamente, o que não pode ser dado separadamente, na realidade.

A abstração insula, pelo pensamento, o que não pode ser insulado na representação,

c) A absorção no pensamento, com não atenção aos acontecimentos exteriores. (Note-se a sinonímia com ausência),

d) Processo mental, pelo qual certos caracteres, atributos ou relações são observados, independentemente de outros, que são negligenciados. (As acepções b, e d são da Psicologia),

e) Definição ontológica: abstração é separar mentalmente o que, na realidade, não está separado,

f) Abstração não deve ser confundida com a análise (Vide). A análise considera igualmente todos os elementos da representação analisada, e divide em partes uma coisa composta; considera, isoladamente, uma qualidade comum a uma multidão de compostos. Assim reconhecer a brancura de uma rosa determinada é fazer análise; conceber a brancura em si mesma, como qualidade peculiar a um grande número de objetos, é proceder abstração. A abstração é, portanto, a base da formação das ideias gerais,

g) No sentido vulgar, considera-se abstração separar elementos que nos desinteressam. Lalande chama a atenção que, durante a operação de abstrair (no sentido vulgar), faz-se abstração dos elementos que nos desinteressam. É isso um contra-sentido da abstração, embora permaneça na acepção latina de «abstrahere aliquid ab aliquo», porque, neste caso, designamos, precisamente, o contrário do que se chama «abstrair», ou «considerar por abstração». Nesta acepção, há um equívoco que deve ser cuidadosamente evitado.

Observações gerais: Abstrair, pois, é separar atributos, elementos. O raciocínio humano age por abstrações. Observemos a concepção da esfera, da circunferência, de uma área, abstraímos sempre certas características. O homem só concebe pensamentos por intermédio de abstrações. Juntamos qualidades aos objetos, damos-lhes certas características para permitir os conheçamos. Podemos, contudo, separar essas qualidades. São ângulos diversos por onde conhecemos as coisas e os fenômenos. Ante um campo, podemos abstrair o verde ou, ainda, conceber a circunferência abstraída de uma determinada qualidade. Concebemo-la como ideal, fora da percepção; por exemplo, o verde, o azul, independentes das coisas verdes ou azuis. No primeiro caso, desassociamos: no segundo, abstraímos. Toda ideia geral, em suma, é uma abstração. A ideia casa é uma abstração, porque encerra uma noção geral, universal de casa, mas sem os atributos perceptíveis. É puramente ideal. Vide universal (potência).

Assim, toda ideia geral é abstrata, porque não contém os característicos dos sujeitos, objetos que representa. Muitos consideram que uma ideia abstrata pode não ser geral. É o caso de considerar, apenas, a cor branca deste papel. É somente o branco deste papel que consideramos abstratamente, fazendo abstração das outras qualidades. Mas, diz Goblot, se considerarmos a cor branca deste papel, separada das demais qualidades do papel, podemos conceber, outrossim, coisas que possuam também essa cor branca, e a ideia passa, portanto, a ser geral, ao mesmo tempo que abstrata, ou, então, essa cor branca pertence somente ao papel, o que quer dizer que não se pode separá-la das outras qualidades que o constituem. Neste último caso, a ideia não é nem geral nem abstrata. E diz: «Cabe perfeitamente, é certo, sem desassociar as qualidades de um objeto, sem deixar de considerá-lo in concreto, fixar, de preferência, a atenção sobre tal qualidade ou, ainda, sobre tal propriedade. É isso fazer uma abstração ?»

As próprias ideias podem possuir graus de abstração. Assim cor é mais abstrata que vermelho, azul, verde; sensação, mais abstrata que cor; fenômeno, mais que sensação etc.

Filosoficamente, abstração não é sinônimo perfeito de geral, pois diz Goblot que ao fazermos uma abstração, separamos um caráter dos demais caracteres, com os quais se encontra misturado num objeto, sem considerar se o caráter, assim separado, é aplicável a outros objetos: ao fazer uma generalização, aproximamos com o pensamento objetos que possuem um caráter comum, sem considerar se este caráter se encontra, em cada objeto, misturado com outros caracteres diferentes ou variáveis.

Herbert Spencer exagera a importância desta distinção quando admite verdades abstratas, que não são gerais, que não são, pois, abstratas. Chega a afirmar que as relações ideais dos números são as únicas verdades simultaneamente gerais e abstratas.

Husserl definiu o abstrato e o concreto, não em virtude de sua idealidade ou realidade, mas em virtude de sua separação de um todo, em função de sua subsistência ou não subsistência num universal concreto. Dessa forma, «um abstrato puro e simples é um objeto que está em um todo, com respeito ao qual a parte não é independente

O abstrato depende, pois, do todo no qual está inserto, enquanto o concreto é independente dele, pois possui subsistência própria. Por isso, os universais não são necessariamente abstrações, o que não quer dizer que sejam conceitos hipostasiados nem generalidades meramente nominais, mas totalidades concretas ideais, essenciais. A parte abstrata, ou momento de um todo, é, consequentemente, «toda a parte que é não-independente relativamente a outro todo superior». («Investigações lógicas» 3, 17)

b) Abstração experimental é aquela em que o observador se limita ao tema (Ausgabe, em alemão, instructions, em Inglês), para fixar um aspecto parcial de uma situação perceptiva.

Abstração material é a que cria ideias de qualidade. Nesta se considera a ideia abstrata como atributo do sujeito; quer dizer, como um dos termos de que se compõe a matéria de um juízo.

Abstração formal é a que cria ideias de relações. S a que se dá entre um atributo e um sujeito; portanto, esta relação é a que se denomina a forma do juízo.

Nome abstrato é o nome de uma qualidade (branco, suavidade, etc), ou de uma relação (dimensão etc.)

Número abstrato é o que designa, quantitativamente, sem a designação qualitativa da natureza das unidades (exs.: 30, 2, 4 etc). Número concreto é, portanto, o contrário, o que é seguido de uma designação qualitativa (Exs.: 10 metros, 20 casas.)

Crítica psicológica — A abstração é uma separação no e pelo espírito do que, na realidade, na natureza, não é separado, nem pode ser tomado separadamente em sentido físico.

Concebendo-se assim, evita-se a confusão que se faz entre abstração e separação, e a que consiste na acentuação da atenção sobre uma qualidade ou parte de um objeto, quer real ou ideal.

Essa acentuação da atenção sobre uma qualidade não é ainda uma abstração ou Ato abstrativo, embora a gere, porque se fixa no espírito, pela atenção que mantemos sobre algum objeto ou parte deste, e o comparamos com outro semelhante, Esse ato atencional é um estatizar do que se dá dinamicamente. Não podemos abstrair algo sem algo que se compare com outro, que lhe é semelhante. Se verificamos que tal fato antecede tal outro, — por exemplo, que ao esquentar a água, até certo ponto, ela entra em ebulição, — podemos verificar tal fato com maior ou menor atenção, desatendendo outros que sucedem ao derredor. E se verificamos esse fato numerosas vezes, concluímos que a água, quando esquentada até certo ponto, entra em ebulição. Podemos concluir que a ebulição é causada pelo calor intenso.

E se ao verificar outros fatos, vemos se dão causados por outros, e comparar a relação existente desses fatos uns com os outros, concluímos que existe um princípio de causa e efeito, e atribuímo-lo a toda a natureza, realizamos uma abstração, porque a ideia de causa e efeito é uma abstração feita de um semelhante, que se dá numa série de fatos semelhantes.

Assim a ideia da atração dos corpos, também a de quantidade. a ideia de qualidade e as relações são abstrações. Tudo quando abstraímos é algo ideal, algo que se dá como ideia, que comparamos com um fato que se dá, e se esse fato corresponde a essa ideia, damos-lhe o «nome» dessa ideia.

Abstração (dupla) — Sobre a matéria, expõe Tomás de Aquino: — No conhecimento da verdade, nossa inteligência usa de uma dupla abstração. Pela primeira, ela capta os números, as grandezas, as figuras matemáticas, sem pensar na matéria sensível. Quando pensamos no número três, na linha ou na superfície, no triângulo ou no quadrado, nada encontramos em nossa apreensão que se refira ao quente ou ao frio, ou a qualquer outra qualidade que possa ser percebida pelos sentidos.

A segunda abstração serve à nossa inteligência, quando ela conhece um termo universal, sem ser representado qualquer termo particular, quando, por exemplo, pensamos em homem, sem pensar em Sócrates ou em Platão, ou não importa em que outro indivíduo. Poder-se-ia mostrar a mesma coisa através de outros exemplos.

Platão admite, pois, dois gêneros de realidades separadas da matéria: as realidades matemáticas e os universais, que ele chamou espécies ou formas. Entre ambos havia, contudo, a diferença seguinte: nas realidades matemáticas, pode-se captar diversas linhas iguais, p. ex., ou dois triângulos equilaterais e iguais, o que é impossível absolutamente para as espécies. O homem, considerado como um universal, segundo a espécie, é necessariamente único. Também admitia que as realidades matemática* eram intermediárias entre as espécies ou formas e as realidades sensíveis, por estarem contidos diversos indivíduos sob uma mesma espécie. Elas assemelham-se, por outro lado, às espécies, no serem elas separadas da matéria sensível:- (De Subst. sep. cap. 1).

Abstração (graus) — Para a Filosofia positiva, como é a escolástica, há, na abstração, três graus:

1) Quando o objeto é abstraído da sua singularidade. Assim, casa, chapéu, árvore são abstraídos das suas singularidades, e o conceito refere-se a esses entes. As abstrações de primeiro grau são próprias das Ciências Naturais.

2) Quando o objeto intelectual é abstraído da singularidade e das propriedades sensíveis, considerando-se apenas enquanto tem extensão contínua ou discreta, como se vê nos números matemáticos: é a Abstração de segundo grau, própria das Matemáticas, no sentido em que são estas comumente consideradas.

3) Quando o objeto intelectual é abstraído de toda matéria singular, tanto sensível como inteligível, como são os conceitos de causa, efeito, autoridade, posteriridade, sujeito, objeto, as categorias, os entes da Metafísica: são abstrações de terceiro grau. A precisão (vide) é um grau mais intenso da abstração. [MFSDIC]


ABSTRAÇÃO significa, segundo a etimologia do vocábulo, "ato de prescindir", separar de um todo parte de seu conteúdo; em linguagem filosófica não se denomina abstração a separação de uma parte concreta, realmente separável, de um todo (p. ex. do ramo de uma árvore), mas somente a operação que consiste em separar, de um todo concreto intuitivamente dado, uma nota (p. ex. a cor, a forma) por si não subsistente, incapaz de existência independente (abstrato). Esta separação não é pois real, mas apenas mental; seu resultado é um conceito.

Na psicologia moderna, quando se fala de abstração (1) pensa-se geralmente neste ato de separar mentalmente, de alguma coisa intuitivamente dada, uma nota característica que lhe está vinculada, o que pressupõe que a essa nota se dá atenção especial. Mas se a abstração não tivesse outro resultado senão isolar determinadas notas de um dado puramente sensível, significaria apenas, do ponto de vista do conteúdo, um empobrecimento, e caberia inteira razão ao empirismo. Contrariamente a isto, a teoria escolástica da abstração ensina que, na abstração (2), o inegável empobrecimento do conteúdo é superiormente compensado pela maior profundeza de conhecimento obtida: mediante a abstração apreende-se de algum modo no objeto a "essência" ou, melhor dito, algo de essencial. Isto pressupõe que a abstração não consiste simplesmente em isolar uma nota sensível de um todo igualmente sensível, mas sim num processo (processo abstrativo) que compreende ao menos duas fases: na primeira, o essencial é tornado visível e, na segunda, é isolado do concreto. Por isso também o entendimento como potência abstrativa é, não só uma força que separa e une impressões sensíveis (não é só "ratio"), mas uma força de algum modo criadora que no sensível deixa transparecer o essencial (intellectus em sentido estrito). Além disso, a "iluminação" criadora da imagem sensível, mediante a qual se torna visível nela o conteúdo essencial só intelectualmente apreensível, é atribuída ao "entendimento agente" (intellectus agens) e a apreensão da própria essência ao "entendimento possível" (intellectus possibilis) (formação do conceito). A apreensão do essencial na imagem sensível dá-se já frequentemente o nome de abstração; esta completa-se, libertando do todo concreto a essência apreendida e apresentando-a separadamente no conceito. (Sobre o sentido mais exato de "essência": conhecimento da essência).

Importa distinguir dois tipos de abstração: a que abstrai o universal do individual (p. ex. o conceito universal "homem" do homem individual) e a que abstrai a "forma", ou seja, uma determinação do ser, uma perfeição ontológica, do sujeito (p. ex. a humanidade do homem concreto, o movimento do corpo movido). Enquanto esta última recebe o nome de "abstração formal" (abstractio formalis), a primeira denomina-se "abstração total" (abstractio totalis), porque seu resultado é sempre um todo (totum), a saber, um composto de um sujeito indeterminado e de uma "forma" (p. ex. homem = sujeito que possui a natureza humana). Uma vez que a "forma" é apreendida essencialmente, a abstração do universal não requer nenhuma generalização indutiva; pelo contrário, a formação dos conceitos universais empíricos, na medida em que designam, não apenas uma única nota, mas um conjunto estável de notas mutuamente articuladas (como o conceito "cavalo"), depende de uma espécie de indução. — De Vries. [Brugger]

Submitted on 04.07.2009 12:13
This entry has been seen individually 16467 times.

Bookmark to Fark  Bookmark to Reddit  Bookmark to Blinklist  Bookmark to Technorati  Bookmark to Newsvine  Bookmark to Mister Wong  Bookmark to del.icio.us  Bookmark to Digg  Bookmark to Google  Share with friends at Facebook  Twitter  Bookmark to Linkarena  Bookmark to Oneview  Bookmark to Stumbleupon Bookmark to StudiVZ



Powered by XOOPS © 2001-2012 The XOOPS Project